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terça-feira, agosto 02, 2005

Meu caro amigo Fernando Koproski deixou este recado para os ouvintes do Blues.


Caros amigos, convido-os para o lançamento de Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém, antologia de poemas de Charles Bukowski editada pela 7 Letras. O evento ocorrerá no BAR SAL GROSSO, (Largo da Ordem, 59, ao lado do bar do alemão...) nesta QUINTA-FEIRA, dia 4 de Agosto, a partir das 19:00 horas. Conto com sua presença para celebrarmos juntos, com muita poesia esta homenagem ao velho BUK!

um abraço

Fernando Koproski

SOBRE O LIVRO: A editora 7 letras está lançando Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém, antologia de poemas de Charles Bukowski em tradução de Fernando Koproski. Utilizando como fonte poemas selecionados de 11 livros do autor, o volume apresenta pela primeira vez em edição brasileira textos poéticos representativos dos temas mais freqüentes da poética bukowskiana no período de 1969 a 1999, permitindo uma avaliação precisa da instigante obra poética deste autor que no Brasil é mais conhecido como prosador.

SOBRE O AUTOR: Charles Bukowski nasceu em Andernach, Alemanha em 1920. Migrou para os Estados Unidos aos dois anos de idade. Estreou na poesia com Flower, fist and bestial wail em 1960, ao que se seguiram mais de vinte livros de poemas, além de coletâneas de contos e romances, tais como Cartas na rua, Factotum e Mulheres. Faleceu em 1994.

SOBRE O TRADUTOR: Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 1973. Bacharelou-se em Letras Inglês na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Publicou os livros de poemas: Manual de ver nuvens (1999), O livro de sonhos (1999), Tudo que não sei sobre o amor (2003), incluindo CD que apresenta leitura de poemas na voz do autor e temas musicais compostos por Luciano Romanelli, Como tornar-se azul em Curitiba (Kafka – edições baratas, 2004) e Pétalas, pálpebras e pressas, livro sobre poesia premiado com publicação pelo conselho de literatura da Secretaria de Cultura (Secretaria de Estado da Cultura/Imprensa Oficial do Estado, 2004). Participou de Passagens — antologia de poetas contemporâneos do Paraná, organizada por Ademir Demarchi em 2002. Ao lado de Paulo Sandrini é editor da Kafka – edições baratas, projeto editorial de produção de livros em formato pocket, o qual lançou O sorriso de Leonardo de Bárbara Lia, Tornozelos deitados de Luiz Felipe Leprevost e Toda mulher merece ser despida de Alexandre França, entre outros.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Avisos vaidosos

1 - Não faço poesia para poetas...mas se quiser dar uma olhadinha no que escrevo, não tem problema.

2 - Alguém da banda Sexofone (Ângelo, Ciba ou Claudinho), por favor, preste atenção no post abaixo.

sábado, julho 30, 2005

Letra de Rock

Passei o dia inteiro tentando compor um rock'n'roll, mas só consegui fazer a letra. Quem quiser tentar compor a música, fique à vontade.

canibalismo

limpo todo quarto a procura do meu vício:
você em três por quatro, quatro notas deste disco.
só encontro roupas espalhadas feito lama,
bichos implorando uma noite em minha cama,
meu corpo em pedaços quentes servido vivo,
restos da minha alma jogados no lixo.
preparo a minha dose de conhaque com limão,
me espalho por osmose nos botecos de plantão,
me entrego a toda dama "mais ou menos" que aparece
num prato com tempero de suor e sacanagem:
a boca livre do bar sou eu, por que não?
guria, coma o pedaço que é seu deste meu coração,
mas não me deixe aqui
em coma numa cama estranha.
escute enfim
meu rock'n'roll sem fazer drama.
guria, coma o que é seu de uma vez
e engula esta manha.

sexta-feira, julho 29, 2005

valeu

Muito bom ontem, apesar de, cansado, aguentar os minutos como quem aguenta pedras nos rins, foi muito bom. Meus amigos me fizeram esquecer este cansaço de pedra. Adorei conhecer a Michelle, muito embora eu tenha apenas trocado alguns parcos gestos monossilábicos com ela. A guria tem no rosto a mancha que todo o bom poeta possui no olhar e no sorriso. Só de olhar para ela, você já sente um alívio. Muito bom também encontrar a Carol Benini, com a sua beleza irretocável, elegantemente trajada de preto: por um pedaço de tempo, lembrei de como era bom estar realmente apaixonado. Jabuti, Ezio, Paty, Carolina, também foi muito legal os reencontrar. As minhas amigas do Ponto Final também marcaram presença: Salete (a pura), Mara Silvia (Charlotte) e Drica. Vocês são definitivamente o trio mais simpático que eu conheci este ano. Os "Kafkas" ocupavam as frestas do recinto e fizeram a festa: Sandrini e seu cabelo milimétricamente cortado, Koproski e seu cabelo milimétricamente comprido, Bárbara e seu simpático romantismo, Luiz Felipe, que, como diria Jaques Brand, mora no olho do furacão. No final da noite, todos completamente bêbados, discutiam a validade artística da obra de Tatára. Eu gosto, quero deixar claro...mas não deixo de cantar: tatáratatáratatáraaaaa, tatáratatáratatáraaaa, tatáratatáratatáratatárararaaaaaaaaaa...

sábado, julho 23, 2005

A KAFKA EDIÇÕES BARATAS AVISA:

LANÇAMENTO DOS LIVROS "TORNOZELOS DEITADOS" DE LUIZ FELIPE LEPREVOST E "TODA MULHER MERECE SER DESPIDA" DE ALEXANDRE FRANÇA .

Finalmente, no dia 28, quinta-feira, no hermes bar (Avenida Iguaçu, 2504), eu e o Leprevost estaremos lançando os nossos livros a partir das 20:00 horas. Apareçam!!!

sexta-feira, julho 22, 2005

CARALHO! VOCÊS JÁ LERAM ESTE POEMA?


declaração do criminoso na solitária


Matei minha mulher.
Matei.
O ódio com que a odiava
era maior que o amor que a odiava.
Mas não matei a mãe de meus filhos.
É por isso que o retrato dela está sempre comigo.


Murilo Mendes (1901-1975)
Noite de gala

Ontem fui ao lançamento do livro do Rodrigo Garcia Lopez lá no teatro Paiol e foi genial. Ainda não conhecia as músicas do poeta e fiquei impressionado com as composições, principalmente uma cujo verso fala "você me toca como quem troca de roupa". Muito bom. Depois fomos à casa do Thadeu "o polaco da barreirinha", tomamos muito vinho e quase compusemos uma canção juntos. Lá por uma da manhã fui a um bar chamado Wonka, encontrei os amigos Luiz Felipe (bom, este eu encontro sempre), Troiano, Nero, Fukushima, Marina, Val, FabíUla (com "u" mesmo), e como sempre acontece nestes encontros, todo mundo tirou sarro de todo mundo. Divertidíssimo. Tudo muito bom, tudo muito bem...mas Thadeu, cadê o meu exemplar de "assim até eu"?

Sobre a solidão

Apareçam lá no blog do Polaco da Barreirinha. Boas idéias, bom humor e uma série de poemas sobre a solidão. Tem até um bem solitário texto meu. Vale a pena.

quarta-feira, julho 20, 2005

joguinhos

quem beber primeiro ganha, beleza?
engole tudo seu viado...o que? você não sabe o que é isto?
é um revolver, seu viado. agora bebe, antes que eu me arrependa de ter saído hoje de casa.
não vale mais a pena sair de casa, os desafios já se tornaram fáceis demais, inúteis demais,
frágeis demais. a minha boca parece uma pedra de tanto eu me esconder atrás de cigarros.
mas essas coisas ainda valem a pena: o meu ovo de conserva, a minha cerva gelada, a minha mesa molhada de sangue quente, definitivamente sou um vira-latas ferido...
...nem meu sangue escorre por esta ferida chamada morte,
ou seria vida?
Os monstros se escondem às duas da manhã, agora eu sei o porquê:
pensar em como seria o suicídio,
é uma forma de espantar os monstros,
de desligar a noite da tomada.
Lançamentos

É o seguinte, ouvintes do Blues, agora vocês já têm programa para hoje e para amanhã.

Hoje
Serviço: Acorda + Poesia
Original Café – Rua Vicente Machado, 622.
Horário: 21horas – Quarta, 20 de julho
Fone 3323-4548
Entrada Livre
O primeiro barril de chopp é cortesia do Original Café.

O que é?
"A cantora Rogéria Holtz concebeu um material audiovisual sobre poesia e música que retrata um pouquinho do que está sendo produzido no Paraná. O especial para TV “ACORDA + Poesia” com 50 minutos de duração tem participação dos poetas Alice Ruiz, Estrela Leminski, Etel Frota, Marcelo Sandmann, Rettamoso, Ricardo Carvalho, Ricardo Corona e poema e música de Paulo Leminski, além de interpretações da própria Rogéria".


Amanhã
Lançamento de Visibilia, de Rodrigo Garcia Lopes
Teatro do Paiol (Largo Professor Viaro, s/n.º, Prado Velho, Curitiba),

(41) 3321-3300.
Dia 21 de julho, quinta-feira, às 20 horas.
Entrada franca.


O que é?
O livro de poemas Visibilia, de Rodrigo Garcia Lopes, terá sua segunda edição lançada em Curitiba na quinta-feira, dia 21 de julho, às 20 horas, no Teatro do Paiol (Largo Professor Viaro, s/n.º, Prado Velho,). O livro, publicado pela Travessa do Editores, ganhou mais uma seção: “Desterrados”, que inclui três poemas inéditos e vários outros escritos em Florianópolis em 1997, ano da primeira edição, mas que não constavam dela.


Segundo o poeta, a temática principal do livro é a visibilidade como produtora de linguagem: “Acredito, como Berkeley, que construímos a natureza enquanto a percebemos. Meus livros todos tocam nessa questão do olhar para dentro e para fora, simultaneamente”, ressalta Rodrigo Garcia Lopes. “Visibilia proporciona um exercício de autoconsciência através da diferença do ver e enxergar.”


A obra foi lançada recentemente durante a 3.ª Festa Literária Internacional de Parati (Flip). Em São Paulo, outro lançamento está previsto. O evento acontece na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena), no dia 25 de julho, segunda-feira, às 19 horas. A entrada é franca; o telefone da livraria é (11) 3814-5811. Para o evento em Curitiba, o poeta Rodrigo Garcia Lopes preparou um pocket-show, em que lê e interpreta poemas do livro que foram transformados em canções. A entrada também é gratuita.

sábado, julho 16, 2005

ERRATA

Para quem já tem o "Toda mulher merece ser despida", aqui vai o meu pedido de desculpas.

Na página 5, onde se lê "As pessoas não tem a escolha de rejeitá-la", lê-se , na verdade, "As pessoas não têm a escolha de rejeitá-la".

Na página 16, no título, onde se lê "Uma dose à um dia feliz", lê-se "Uma dose a um dia feliz".

E finalmente, na página 17, onde se lê "Se lhe enganei ao me interpretar na cena", lê-se "Se a enganei ao me interpretar na cena".


É isto. Na próxima edição estes erros não mais aparecerão. Ah, espero comentários sobre o livro.
você ainda perde tempo com pena, imbecil,
esta boneca que lhe empurraram na tv, em promoção.
não adianta me olhar assim,
ter pena de você me faz acreditar na sua religião de esmola,
não me olha, estou atento a sua mentira.
estou cozido demais para me ajudar
não tenha pena de apagar a luz do bar,
deita comigo,
o que nos resta é apenas
morrer juntos.

sexta-feira, julho 15, 2005

continuando...

...bom, faltou falar da galera que no final nos levou ao Café Aurora para ouvir um rock'n'roll e ao Sujinho para comer um bom filé. São eles: o Picanha (uma lenda do Rock, além de ser um cara super gente boa) os coreanos Kim e Cassidy (uma dupla sensacional de novos escritores, como eu) e o Ceccato Tamanduá (um ator bom pra caralho que lá no Sujinho leu um poema meu sobre a solidão). É isto aí São Paulo, em breve estarei de volta!

quinta-feira, julho 14, 2005

vômito, brigas, amizades, rock'n'roll e livro novo.

A viagem não foi mil maravilhas, mas o final valeu. No avião de ida para o Rio de Janeiro passei muito mal. Meu nariz não parava de escorrer (havia pego uma gripe um dia antes da viagem), a minha barriga parecia rasgar a cada minuto e o meu estômago borbulhava. No caminho até o apê do Luiz tive que parar o táxi para vomitar, foi uma bosta, eu parecia um exorcizado. Passei os dois primeiros dias mal. Já na Flip a gripe me deu uma trégua, porém...dá até vergonha de falar, mas chegando em Paraty, o imbecil aqui não sabia o nome da pousada. Eu sabia apenas que o nome da dona era Olga e que ela era artista plástica. Descemos eu e o Luiz Felipe no meio da muvuca e perguntávamos para todo mundo se alguém conhecia a tal dona Olga, a artista plástica dona de pousada. O foda é que muito gente é dono de pousada e artista lá naquele lugar. Enfim, lá pelas duas da manhã paramos numa pizzaria, jantamos e por alguma decisão divina fomos ajudados pelo dono da pizzaria. Menos mal, no fim tudo acabou bem. Conhecemos uns gaúcho legais pra caramba lá em Paraty. O Marcelo Benvenuti (que escreve pra caralho) e o Delfim (que escreve pra caralho), ambos da K edições. Lançamos os nossos livrinhos junto com os deles. Foi du caralho. Em Sampa ficamos num hotel engraçado pra burro chamado Fórmule 1. Um novo conceito de hotelaria, que consiste em pagar super barato por um cubículo, no qual faziamos manobras espetaculares para nos movimentar. Foi no mínimo interessante. No segundo dia em São Paulo, fomos ao espetáculo do Mário Bortolloto, À Queima Roupa, cuja história é de arrepiar: um tal Cardan que sai da cadeia e resolve voltar a vida de psicopata. Saí estriquinado do teatro e com a cabeça chacoalhada. Um dia antes, eu e o Luiz quase saimos na porrada numa discussão sobre ter pena das pessoas. "Odeio coitadinhos", entoava o Luiz (meio que falando que eu era um coitadinho). E no final do espetáculo, uma cena parecia encaixar as últimas peças deste "légo da pena". Um mendigo pede um pedaço do cachorro quente que o Cardan (o psicopata) estava comendo. O Cardan ao invéz de dar um pedaço do cachorro, dá uma arma para o mendigo. Foda. Depois da peça fomos para o boteco da frente trocar uma idéia. O Mário é gente finíssima, nos tratou super bem. Ah, sem mencionar o fato dele ter gostado do título do meu livro, toda mulher merece ser despida. Conhecemos também o Marcelo Montenegro - um dos melhores poetas que eu já li - e o Ronaldo Ventura, que também nos trataram muito bem. Aliás, todo mundo que eu conheci em Sampa naquele dia foi gente fina. Saí com a sensação de alívio. Pelo menos numa parte da viagem a gente tinha que se dar bem. Tem mais algumas coisas para contar, mas o meu tempo aqui na intenet está quase esgotado. No próximo post eu conto mais.

quarta-feira, junho 29, 2005

Será dia primeiro de julho (sexta-feira) às 18:30min.

Conto com a presença de todos vocês no lançamento da revista Oroboro número 4 e dos livros: figuras metálicas (poesia, ed perspectiva) de Claudio Daniel, distância (poesia, ed 7letras) de Virna Teixeira, nós da província: diálogo com o carbono (contos, ed 7letras) de Carlos Machado. Será dia primeiro de julho (sexta-feira) às 18:30min, na livraria dario vellozo, rua são francisco 325 - largo da ordem. Espero por vocês!

segunda-feira, junho 27, 2005

hackeando catatau

O Octávio Camargo prepara um espetáculo sobre a obra do Paulo Leminski. Fora as pesquisas em livros, livros, bibliotecas e mausoléus diversos, Camargo também montou a sua esquadra na internet. Para conferir em que pé anda este audacioso projeto, vocês podem entrar no blog hackeando catatau, que me impressionou logo de cara: eles REALMENTE estão discutindo o catatau. Vale a pena entrar.

domingo, junho 26, 2005

e o título é:

"toda mulher merece ser despida". Vamos lançar os pockets todos lá na FLIP, em parati. Eu, Leprevost, Koproski, Sandrini e Lia...Bárbara Lia (heheheh). Vai ser uma loucura poética, etílica, taumatúrgica, demiúrgica e cirurgicamente estratégica - depois iremos lançar em São Paulo e finalmente em Curitiba. Estou inteiramente empolgado. Mas mudando de assunto, Luiz Felipe, que história é esta de "Leprevost e as Lepravadas"? Fiquei ultra curioso.

Seda

Apareçam lá no site do Lobão, pois esta rolando um mp3 de uma música inédita dele com o Cazuza chamada "Seda".

sexta-feira, junho 24, 2005

frase da semana (para os que acham que eu não deveria escrever sobre a solidão)

"se não posso mudar o mundo, tampouco permitirei que o mundo me mude a mim, arrancando-me esse câncer de mistérios e heresias que é toda a minha riqueza e que faz com que minha voz não seja apenas o grunhido de um porco, nem meu olhar apenas o olhar de um peixe dentro do aquário".

campos de carvalho

quarta-feira, junho 22, 2005

tudo que você não me disse

Espalhei as coisas na estante e num instante sua mão escreve "oi" e a minha "eu também" como um babaca, sozinho num boteco, ao virar o rosto para o crime, ao ouvir um nome parecido com o seu, ao pegar na pistola, ao ser acusado injustamente, ao molhar as mãos com o sangue alheio, ao perder a ypioca prata e a cerveja largada naquela mesa de canto, de escuro, de esquina para o nada, de buraco, de perdedor, de nada a perder e nada a jogar, pois uma só palpitação dos seus olhos já é um bom motivo para eu me acusar e sair berrando o seu nome e o seu estado civil e a sua residência e o seu RG, suas manias e hobbies, seus retratos de menina, de bebê, sua roupa preferida, seu filme preferido, sua frase preferida, já que nada, agora, pode me calar, pois acredito piamente na frase que você não escreveu e nunca disse, nem o vento da madrugada sonolenta terá este poder, nem as janelas apagadas, nem os prédios demolidos, nem a falta que a sua poesia me faz, nem o relógio timex que a muito não funciona, desde a sua partida.

domingo, junho 19, 2005

só falta o nome do livro!!!

Ouvintes do Blues, é o seguinte: mais uma vez, utilizo deste espaço para pedir a opinião de vocês a respeito do nome do meu novo trabalho que sairá no mês que vem pela Kafka Edições Baratas. Lembram-se que eu havia deixado o nome "complexo de orfeu", certo? Pois é, agora surgiu uma outra sugestão de nome: "toda mulher merece ser despida". Mais rodriguiana, mais direta, mais longa e "pop". Esta frase ("toda mulher merece ser despida") faz parte da prosa poética que abre o livro. E então, qual dos dois títulos você preferem?
1) complexo de orfeu
2) toda mulher merece ser despida
Por favor, me ajudem a decidir, já que eu tenho menos de uma semana para escolher o nome deste "trem".

quarta-feira, junho 15, 2005

chove!

a chuva me queimou depressa à noite.
cada pingo uma célula.
milhares de gotas desabam cada pedaço de sentido.
milhares de moças acodem o meu pedido.
sacodem a minha libido. e o meu corpo em círculos
(línguas, dialetos e bocas derramadas)
eram trovões de desgosto sussurrados em meus ouvidos.
eram moscas de todas as espécies procurando a minha carne.
era um massacre. a violência das nuvens me massacrava.
mastigava e me cuspia.
eu era a saliva de Deus a respingar nos arbustos.
eu era a chuva.
eu era a enchente e seu afogamento.
eu era Curitiba em dia de neblina, a minha capa era a rua XV inteira.
eu era a corrida no temporal. a minha vida corria no temporal. eu só gritava no temporal.
ninguém me escutava.
eu era definitivamente a chuva
e a sua falta de sono.

segunda-feira, junho 13, 2005

Preparar para o mergulho!

Largue esta vergonha que o incomoda. Tire toda esta roupa, trague este cigarro e relaxe. Nada o pode incomodar, a não ser você mesmo. Esquece esta ilusão chamada vida. Quem foi que disse que a vida é para ser vivida? A vida é para ser usada. Utilizada pedaço à pedaço, célula à célula, descarga à descarga. Largue agora a minha mão, você não precisa mais de ninguém. Ninguém precisa de ninguém quando descobrimos a nós mesmo. Chupe toda a alma que a sua carne pode absorver. Chupe todos os sentidos, engula devagar os sentidos, sinta a sua mente se espreguiçar, a poesia surgindo, a vida sendo plenamente utilizada, a mão não resistindo à escrita, a caneta trabalhando, os sistemas em seu pulmão, em seu intestino, nada o pode parar, nem o seu inútil desejo de não entrar nesta nova pira de fogo, de lodo, de útero, de mágma, de lava, de luz. Você não precisa mais do papel, quando você viu você já desabou neste buraco branco e cego, completamente cego e ignorou o resto. O mundo esfarelou dentro do papel. Esquece as festinhas de aniversário, as noitadas em karaokê, as danceterias, as boates retrôs (hoje em dia, super na moda), os bailes de formatura, os casamentos, os chás de bebê, o poker de fim de semana, o parque de fim de semana, a trepada de fim de semana, a leitura de fim de semana, os velórios, os velórios, os velórios. Você já está em outro caminho. Esquece este mundinho medíocre que algum medíocre, mediocremente, chamou de vida. A sua vida agora é outra. Tire logo esta roupa e mostre a você até aonde você pode ir. Você já pode escrever o primeiro verso.

sexta-feira, junho 10, 2005

Compus esta canção junto com o Troy, um dia antes dele ir para o Rio de Janeiro (ou seja, ontem).

diz pro Luiz

amigo não me deixe aqui sozinho
o outro já foi lá para ficar
sem vocês eu sou mais um perdido
cantor neste bar de província

a Dani já me esqueceu
nem beijos de língua eu tenho para dar
e os abraços alguém escondeu
nesta passagem só de ida

a vida segue em frente
à Gávea ou Palácio Avenida
ah se viesse um abraço de brinde nesta poesia

quarta-feira, junho 08, 2005

Sobre o show do Carlos Careqa

Esqueci de mencionar o fato de que fui ao show do Carlos Careqa e gostei muito. O cara além de cantar bem demais, possui uma postura cênica no palco que deixaria até o governador Roberto Requião rolando de rir. Depois de descrever o fenômenopastiche social da "Paranização" (uma coqueluche no mundo inteiro, que tem como característica principal um transe paranístico, no qual as pessoas repetem o mantra "eu não sou gato de ipanema sou bicho do Paraná") Careqa entoa o clássico "eu gosto de cu...ritiba, eu quero ir fundo, no meio do mundo, aqui é o lugar. Olhar as meninas da praça osório, pela janela do meu escritório (...) a noite é fria, mas coração é quente, eu quero ir fundo, eu quero ver gente". Enfim, não vou me estender, até por que estou escrevendo de uma lan. Mas gostaria de dizer que com certeza presenciei o show de uma das maiores expressões da atual música popular brasileira (com direito a falar mal de Curitiba e tudo).

segunda-feira, junho 06, 2005

A humanidade do meu universo (para Fer)

Hoje à tarde eu sumi. Procurei-me pelas paredes, mas não me achava. Simplesmente sumi. Apesar de lhe ver curtindo lágrimas, apesar dos meus braços abraçarem as páginas do seu mundo, apesar da maresia do seu hálito, apesar de, em calda, o tempo escorrer em meus lábios: sumi. A culpa não é sua, eu um dia sumiria sem rastro de passos ou café passado na hora. Eu não ligaria o cérebro com as coisas de ligar o olhar, não desligaria a tv nas tardes de domingo, não consumiria o espelho nas noites sujas de depressão. Sumi e estou aqui, a espreita de mim. Escrevendo à revistas de variedades, morto a tiros da prata de meu próprio nome estampando na seção de cartas. Branco de desaparecimento. Pálido de transparência. Oco das máculas que um dia provaram os meus crimes contra a humanidade do meu universo.

domingo, junho 05, 2005

poema da semana

II / Rain Towards Morning

The great light cage has broken up in the air,
freeing, I thing, about a million birds
whose wild ascending shadows will not be back,
and all the wires come falling down.
No cage, no frightening birds; the rain
is brightening now. The face is pale
that tried the puzzle of their prison
and solved it with an unexpect kiss,
whose freckled unsuspect hands alit.

Elizabeth Bishop

sábado, junho 04, 2005

NEWS

Ouvintes do Blues, tenho em minhas mãos a revista Oroboro número 4 deste mês, na qual poemas inéditos meus foram publicados. A Oroboro é uma revista de arte e poesia, editada pela Medusa do poeta Ricardo Corona e da artista plástica Eliana Borges. Para quem se interessar pelo meu trabalho fora deste espaço virtual, é uma boa oportunidade.

sexta-feira, junho 03, 2005

a arte brega para reacionários acadêmicos

Estes dias ouvi uma música do Magal que me encantou. Pela despretenção, pelo desprendimento e pela criatividade. Por que geralmente o brega é assim: criativo ao tentar ser compatível com padrões de beleza retrógrados, que eles assim não os consideram (ou fingem não considerar). Acabam escorregando em clichês mal ajambrados, que para um esteta refinado, seria mais uma amostra do mal gosto popular. É parecido com uma coisa Kitch, porém é escrachado, assumido, exótico e principalmente divertido. Não sei se vocês conhecem a canção, mas é uma que sempre toca num clipe da Mtv, na qual aparece a atriz Débora Fallabela. Sorri de uma forma despreocupada quando a ouvi e tentei cantar em voz alta aquela pérola brega...quer dizer, até aparecer um elemento, com a frase "você gosta disto?!" no tambor de sua pistola pseudo-intelectual. Reconheci na hora. Só poderia ser um indivíduo macho de uma raça que nunca foi analisada pelos acadêmicos de plantão e que só agora eu coloco nesta roda de Blues: trata-se dos "reitorias". Como reconhecer um "reitoria", pergunto eu, vestido com as minhas singelas "sandálias da humildade"? Simples, primeiro puxe um papo com o espécime. Se ele o desprezar por no mínimo 10 minutos, há uma boa chance de se tratar de um sujeito reitoria. Muito embora, escritores fracassados estravazem a mesma falta de tato social, com a desculpa esfarrapada de que não podem perder tempo com conversas banais e sem utilidade, já que Virgílio precisará de uma tradução a altura de um mestre da arte de versar (sim, estou falando daqueles que tem como um patuá da sorte falar mal de Paulo Leminski). Insista até ele lhe dar bola. Se no auge da conversa, ele começar a discordar de tudo o que você fala, ops, então as chances são extremamente grandes. Apesar de que, artistas "que estão no começo da carreira" (como Alexandre França, por exemplo) tem a mesma pentelha mania de mostrar serviço intelectual discutindo até o porquê de se ir ao banheiro depois de se tomar um galão de cerveja (como assim porque ir ao banheiro? Por que eu quero porra! Não me encha o saco França) Enfim, se o nosso exemplo, no auge de sua sabedoria e depois de uma hora de conversa, citar alguma frase de um escritor desconhecido, marginal, maltrapilho e mal curado, para encerrar o assunto com chave de ouro, aí sim! Parabéns! Você acaba de conhecer um reitoria. Eles estão em todas as partes, mostrando que você é um alienado, que você tem mal gosto, que você é um pária do capitalismo e que você, apesar de tudo, não tem culpa de nada, mesmo que concorde com o neo-liberalismo norte-americano. Antes nem tivesse ouvido a música do Magal, não é mesmo? Fico pensando se estas pessoas não se divertem, se elas vestem a carapuça do mártir incompreendido quando encontram uma pobre vítima como eu de suas picuinhas e que à noite batem uma punhetinha para a vadia "alienada" (porém gostosa e norte-americana) da Britney Spears, rebolativa e suntuosa, num porche vermelho e conversível. O que estou querendo dizer com tudo isto é: que culpa tenho eu de achar a música do Magal divertida e exótica? Resumo da ópera: fui para casa, com uma culpa filha da puta. Tranquei-me no quarto, peguei o violão, fechei os olhos e toquei o foda-se ao cantar de uma forma gritada "linda, você é muito formosa, você é maravilhosa, lá lá lá lá lá lá lááááááá..."

quinta-feira, junho 02, 2005

Insônia

Tenho sonhos com dor no estômago. Gástricos, líquidos, brasas de carne efervecendo no copo d'água do dia seguinte. Insistentes, meus sonhos pululam em purulentas contrações de resignação e olhar. Suspendem a dor da alma a um nível físico, sobrevivem no esgoto do espírito, incomodam a elite dos sistemas do corpo. Eles estão à espreita quando estou acordado, quando não se chamam mais "sonhos" e me desiludem ainda de manhã, numa única e total falta de anoitecer.

quarta-feira, junho 01, 2005

Ironias de um pobre machista à beira de um ataque de nervos (rascunho de um conto inédito)

(em algum lugar do Boqueirão)
Acostumei a visão ao profundo. Não adianta querer resumir, eu gozo quando é fundo, e eu sei que a sua tentação é de simplificar; de jogar-me na cara: "é tudo tão simples". Eu não sou simples, porra. Se quiser ser comum, que seja, eu não tenho vocação para sumário, folha de rosto, subtítulo. Agora, cá entre nós, se você quiser pular este papo aranha para finalmente transarmos bem forte e fundo...como assim "eu é que estou resumindo agora"? Querida, já passa das quatro e nada. Nem uma mãozinha na virilha, nem um beijo no cangote...nem uma chupadinha. Hahahahah, lembrei de uma cachaça que tomei em Morretes chamada "Chupadinha". Eu?! Eu não estou sendo grosso! É você que esta me irritando com está sua mania de simplificar tudo! Se você não gosta de me ouvir falar então procure um outro idiota para lhe servir de banco! Sim, por que eu banco todas as suas noitadas de vadia! Agora pára de chorar! Não...eu não sou uma pessoa simples, eu já falei, porra! Pára! Cala esta boca Bárbara!

terça-feira, maio 31, 2005

Solidão e eu: uma estranha parceria.

Tomo um café expresso e completo as conexões do cérebro com um cigarro de filtro vermelho. Vou parar, com certeza no final do ano, de tragar esta fumaça nojenta. Dou um alô para alguns passantes do bairro que desavisados pisam o passo das minhas pálpebras cansadas. Mais um café é o suficiente para deter aquela sensaçãozinha de estriquinado. Volto para casa trópego e com a mandíbula levemente dura. Leio uma parte do Anticristo (a mesma que eu li na semana passada). Coloco um cd do Villa-Lobos; desato a escrever inutilidades. Dou algumas voltas pela casa. Um suco de uva estimula a minha atroz falta de vivacidade . O fim acaba sendo aquele terrível gosto amargo que a fruta deixa de brinde. Um amigo liga para o meu celular (eita objeto irritante) e me pede que eu desenvolva uma frase de efeito para o cartão endereçado a sua namorada. Começo a me questionar, "será que fui eu mesmo que escolhi esta música do seriado Friends para tocar nesta porra de telefone". Meu amigo parece ansioso com a resolução que eu darei para o "serviço". Falo para colocar uma frase do Cazuza; ele recusa dizendo que é muito "apaixonadona". Retorno ao Anticristo: para que ler um livro destes mais de uma vez? Eu não tenho ninguém para telefonar e dizer - algo mudou em minha vida. Como diria um amigo: "o legal não é só a foda, mas também é descrevê-la para a galera". Penso num verso sobre a solidão e descubro que eu já o havia escrito. A minha solidão não é mais novidade para ninguém. É foda descobrir que a solidão já se tornou rotina.

segunda-feira, maio 30, 2005

A arte do desencontro

Acordei no ap do Troy exatamente ao meio-dia. "Agora que me mandam para fora", pensei no exato momento em que entrei no expresso. Abro a porta de casa, meu irmão lava a louça do dia anterior: "bateu o recorde hoje, ein piá". Enfim, vou para o quarto, coloco um cd do Vinícius e ouço o verso que me faz acordar para a situação que estava a encarar-me de punho e sola. "Meu tempo é quando", "será, Vina?", perguntei ao poeta velho de guerra, já que eu tive a nítida impressão de que esquecia algo, afinal o meu tempo não é "quando" e geralmente eu confiro as horas pelo relógio do computador. Há muito que eu não lia os meus e-mails e que eu não entrava no orkut (um mês, acredito); isto significava um rombo entre mim e o mundo virtual. É como assistir a um filme e sair na metade para fazer o número dois. Perde-se o fio da meada, o desenlace e o climax da coisa. Primeiramente, abro a voz do Blues e de cara as letrinhas de um singelo comentário explodem na minha retina "chego em curitiba quinta-feira, no meio da sua boemia cabe mais uma cerveja? bêjus!" Nãããooooo, já passava das seis da tarde daquela maldita quarta-feira...isto mesmo, QUARTA-FEIRA, exatamente o dia que antecede a quinta, e eu não poderia fazer mais nada, já que eu não dei atenção ao comentário que deveria ser da segunda ou da terça. "Não Ju, a gente não vai tomar uma cerveja juntos, por que o idiota aqui não entrou na internet faz uma semana!!!!" Fiquei pensando como era conhecer uma blogueira de fora. Como era conhecer ao vivo uma pessoa que eu conhecia tão bem virtualmente. É só você entrar no blog de alguém para perceber que dentro de alguns posts está a personalidade de um indivíduo em forma de caracteres e idéias. E esta menina eu queria conhecer mesmo, já que além de transparecer uma enorme simpatia, alguns de seus posts possuiam um certo valor literário. Seus comentários também eram ótimos, já que instigavam a minha capacidade de argumentação e de interpretação de meus próprios textos. Assim, aquela tal Ju parecia entender muito bem o meu Blues e consequentemente a uma parte de mim. Eu parecia conhecer muito bem o blog dela também. Ambos conheciam o semblante virtual um do outro. Já era tarde demais. O blog dela demonstrava uma enorme empolgação com a viagem, ou seja, a sua "cara" virtual estava sorrindo para mim e para a minha cidade. Já a minha "cara" dormia tão profundamente, que parecia desprezar a felicidade dela. Fui para o Ponto Final conferir o aniversário do turco. No dia seguinte, espero a ligação da Ju em vão, provavelmente durante a viagem ela não leu o e-mail no qual eu havia escrito o meu telefone. Já era. A internet é um diabinho que lhe dá um corpo e um rosto virtual. Em troca, ela lhe pede que você entre todos os dias na rede, que sorva lágrimas através de comentários, que sorria através de posts, que se irrite com a demora do outro em digitar uma mensagem no msn. É como se alguém criasse uma alma para você. A minha alma virtual eu havia esquecido num canto. Como castigo, perdi a oportunidade de conhecer uma alma real. Tinha também o aniversário do Rodrigo "Mows" para ir (sábado, no Empório). Este sim eu conheci ao vivo, olhos nos olhos, aperto de mão e abraço de urso. Nem preciso dizer que ele me avisou da festa por e-mail.

quarta-feira, maio 25, 2005

Máquina do mundo no Ponto Final

Hoje é aniversário do Riad lá do Ponto Final.
Sinto que o fígado do mundo já começa a se liquefazer...

terça-feira, maio 17, 2005

para os ouvintes do Blues

seguinte, está cada vez mais difícil postar aquelas coisinhas que eu costumava escrever nas noites de assombro. Quatro motivos já se tornaram pedras no meu caminho: projeto pela lei de incentivo, carga de leitura, boemia desenfreada e o meu novo livro que sairá pela Kafka Edições Baratas. Esta última pedra é a minha mais feliz novidade. "Furtarei" alguns textos do meu blog e publicarei um conjunto de mais ou menos uns vinte dois poemas com o nome de "Complexo de Orfeu". Assim, dentro de um mês (e alguns dias a mais) estarei lançando umas cem cópias deste novo trabalho...falando nisto, o que vocês acharam do nome?

quinta-feira, abril 28, 2005

Semana passada passei por uma cena patética, na qual eu era o protagonista. Enchi o saco do meu amigo Riad. Fiz esse poema como um pedido de desculpas.

Vou embora para o Ponto

Aqui estou,
No Ponto Final,
Bêbado,
Jurando não estar bêbado
Para ficar ainda mais bêbado
E escancarado revelar para mim
O que eu achar dentro de mim.
Peço um soco na cara da mentira,
O copo, o palco, o fim,
E já sou a mira no olho da surpresa,
As canções de explodir botequim.
Aqui sou amigo dos reis (Riad, Henrique, Morais, Juarez e Iran)
E das rainhas (Marlene, Carol e Amira)
Por que o Ponto é este forte abraço em quem entra,
Este beijo em quem fica.
Suas cortinas, seus quadros e tintas
Não são da década de 80,
São das exageradas horas da boemia.
No Ponto eu durmo, choro insolente,
Rio e me espalho como maresia
(a ferrugem a descascar a mente).
Dou início a partida entre o amor, a paixão e a companhia,
E me entrego às palavras líricas,
Às rimas pobres, aos beijos de língua.
No Ponto, sofro desta síndrome:
Eu me apaixono de noite,
Esqueço de tudo de dia.
No Ponto eu me encontro sentado,
Fumando um cigarro, quase triste...
...Triste e sozinho.
Aqui eu converso comigo e pronto:
Feliz e empolgado peço mais uma (duas, três ou quatro)
Num brinde de olhar que me alivia.
No Ponto, há sempre
O final de um filme
E de um ofegante suspiro da vida.

terça-feira, abril 26, 2005

sumi ou (des)esperei?

Sumir para aparecer nas cabeças. Queimar como luz na película da sua mente. Esperar acordar o mito e dormir o indivíduo. Sonhar ao seu lado no seu sonho de ideal. Recriar-me a cada post não escrito. Acordar na sua memória e instalar a guerra da lógica insana da metáfora. Comer o resto do almoço no dia seguinte e libertar o espaço do estômago das arestas do passado. Comer os heterônimos todos. Estufar a alma de vultos, mentiras, estados. Estar ao seu lado, lado a lado.

Não existir com você, leitor imaginário.

quarta-feira, abril 06, 2005

vaidade

Durante a minha vida magra nunca imaginei ser gordo. Lenvantei cedo para a resolução de projetos e produções, dois passos e meio até o banheiro é o que ouso dar, carregando nas costas a minha preguiça de bicho. Olho para o espelho e me assusto: aquele não sou eu. Fazia tempo que eu não me olhava como se a polícia (ou a vigilância sanitária) andasse atrás de mim. Na adolescência eu não costumava me olhar no espelho desta forma, mas a me olhar como se o espelho fosse uma televisão. Como se aquilo já contivesse um fim embalado e pronto para uso. Todos os dias: televisão e pessoas saudáveis como gado gordo e novo no pasto. Nunca imaginaria que tomar cerveja tornasse a pele flácida, como flácida são as palavras das notícias do jornal de ontem. Nunca imaginaria que fumar causasse falta de ar, falta de vitaminas, excesso de insônia. Na verdade, a gente só repara que se respira constantemente, quando o ar se ausenta. E são tantas as tentações na esteira deste imenso e delicioso supermercado obeso: picanha, cerveja, caipirinha, x-salada, coxinha...enfim tudo passa pelos meus olhos diariamente, como num conto fantástico, onde até as paredes são comestiveis. Não foi por acaso que eu me olhei dezenas de vezes no espelho. Hoje de manhã tornei-me um produto ao andar durante uma hora numa esteira.

segunda-feira, março 28, 2005

Páscoa Feliz

Oi. Sou eu de novo, meu bem. Passei aqui para desejar feliz páscoa...
(silêncio constrangedor)
...tá, tá bom: passei aqui por que eu gostaria de falar aquelas coisas engraçadas que um imbecil desprezado falaria para o objeto de desejo e consumo. Vá tomar no...bem no meio do seu...
(silêncio novamente)
...poxa, liguei dezenas de vezes e sempre dá nesta maldita secretária. O que é? Cuspindo no prato que comeu, é? Pois saiba, meu querido, que esta páscoa foi ótima para mim. E por que não seria, ein?
Eu me atolei de chocolate!!!

sábado, março 26, 2005

De você eu quero a casca, o que ainda quebra, os pedaços afiados que fazem do sangue confeite. Quero a calçada sem gente, o passo do seu desprezo, a sua percepção alterada e inocente. Toda lâmpada estilhaçada, estrelas queimadas, lua com sorriso sem dente. De você eu quero a fumaça, o que evapora depois de um cigarro, um pigarro incessante, uma voz corrosiva. De você eu quero um “eu te amo”. Uma mentira de amigo, a vela do parente morto, aquilo que o seu ego sente depois de torrado inteiro o seu corpo e, claro, a sua mente.

quinta-feira, março 24, 2005

Escuta, porque eu faria um poema pra você?
(pergunto vermelho, com uma voz avermelhada)
Pois a cada dia de guerra
entre as palavras mais belas,
um verso passa vivo por você.
Assim o sangue corre para coagular o que não foi dito.

Na minha cabeça,
vejo você me olhar, me tocar e me mostrar o que em mim eu esqueci.
A raiva chora, soluça solidão e eu silencio sozinho.
Aqui começa a ilusão,
A poesia
E as coisas natimortas que deixei de falar.

Eu faço um poema para calar
E para olhar o azul da chuva.
Para lembrar que o som dela
Seria a sua mão em meus cabelos.
Para sarar a minha falta de insônia.
Para formar um par em toda dança.
Para dançar solitário na presença da minha vergonha.
Por que de outra forma eu não consigo gostar tanto
Por que de outra forma um simples gostar não poderia ser chamado de amor.

Por que no poema eu posso amar em qualquer canto.

segunda-feira, março 21, 2005

enquanto dormem as estrelas

Andei alguns quilômetros para achar este presente pra você. Se não gostou, ande mais alguns para me reencontrar. Tenho sono, amor, não consigo gravitar mais ao seu redor. Já descobri tantas estrelas, elas não brilham mais meus olhos. Estrela em você já virou lugar comum, negócio. Você estava lá quando eu liguei a sua nova estrela, esta lua vermelha que não pára de me olhar? Pois eu a vi, amor, como antigamente, sorrindo um sorriso branco, como a luz do velho e bom luar.

quarta-feira, março 16, 2005

máculas do dia anterior (para Jorge Barbosa)


Vi o inimigo apanhando uma briga no rosto de um amigo. O patético serviu em meu corpo. O silêncio serviu de consolo. O olhar do bar era a minha vergonha de ver um amigo sangrando e de não ter papel ou verso branco para estancar o meu medo. Toda a briga que vejo é um motivo para a vida tirar uma com a minha cara. Toda porrada que levo não vem da luta que, por ventura, comprei.


Porém, doem no baço e na minha alma de otário todos os socos que eu não dei.

quinta-feira, março 10, 2005

volei no bilhar


É impressionante. Sempre que eu encontro o cara, rola um poema a quatro mãos. Ontem fui tomar uma cerveja com o Fernando Koproski no Noel (barzinho de sinuca) e contei a ele que novamente eu estava apaixonado. A namorada dele, a Ingrid, cansada de um dia inteiro de trabalho, dá a sacada: "ai, eu não queria acordar". E eu corto: "a partir de hoje não acordo, enquanto não amanhecer em meu quarto, você". O Fernando desenvolveu o jogo: "você não irá tatuar teu corpo no lençol, escrever com a tua pele o que não me deixa em paz". Depois da sexta cerveja, cometemos o poema inteiro.


A partir de hoje não acordo
enquanto não amanhecer em meu quarto
você
não irá mais tatuar teu corpo no lençol
escrever com a tua pele o que não me deixa em paz
irá sim sorrir
a todo verso
uma boca a mais para rimar com sol
pois todo beijo seu
será o que um sonho traz: cama, mesa e banho
tudo o que acalma a carne
tudo o que da nossa chama
chama-se casal.


Alexandre França, Fernando Koproski e Ingrid

sábado, março 05, 2005

Planos de poesia barata

Talvez eu dê uma passada lá no café cultura. O Samuel descreveu bem o lugar com o poema abaixo, que me deu saudades daquelas noites e da cerveja com calabresa, cavaco e tamborim.


culatra café cultura


o rito cultura
o tiro culatra


e com movimentos ensandecidos
apunhalavam a canetadas
(tragos de chopp mordidas na calabresa)
as paredes imaculadamente brancas
que não mereciam


eu não mereço, ninguém merece
o café é cultura
parede é cultura
mas a comida é barata
(mordidas na calabresa)
e a poesia punhal na parede



também



Samuel Araujo

sexta-feira, março 04, 2005

Se for para me matar, vou me atirar pela janela só para ver se neste meio tempo eu penso em alguém. Se eu pensar em mim mesmo é por que valeu a pena morrer. Mas se eu pensar em você não. Quantos poemas perdidos jogados pela janela. Quantas boas noites mal dormidas jogadas pela janela. Quantas chuvas, que choram e aplaudem a minha insônia, jogadas pela janela. Quantos nomes, ainda não mastigados pelo amor, jogados pela janela. Quantos infernos, paraísos, purgatórios, ainda não vividos e jogados pela janela.

Se eu morresse, quanta vida não teria passado pela minha janela?

quarta-feira, março 02, 2005

ops!

Alguém aí leu o post abaixo? Se leram, saibam que aquilo alí não era eu. Eu devia estar possuído por alguma força malígna engolidora de verdades, que geralmente age nas proximidades do Batel (ou, se for no Rio de Janeiro, Leblon, ou ainda, se for em São Paulo, Jardins). O fato é que ontem voltei bruscamente ao mundo dos tristes enfadonhos depois de ouvir uma simples e direta frase: "me diverti muito com você, França!". Não direi o autor deste verso a reboco, já que o considero muito (os dois: o verso e a pessoa que o declamou em meus ouvidos) e também sei que a pouca idade nos dá esta possibilidade de sermos cruéis numa dimensão diferente da do mundo dos adultos "felizes". Antes de jorrar mais um pouco de comida estragada, gostaria de tecer algumas breves considerações a respeito deste espaço. Considero este blog uma espécie de terapia, ou seja, eu entro aqui e falo o que EU quiser, quando EU bem entender e da maneira que EU quiser. Sim, este daqui é o lugar onde EU mais gosto de ser EU demasiadamente EU. Voltando ao ocorrido. Bom, estava nas proximidades da Reitoria quando aceitei ter com alguns bons amigos num bar chamado come-come. Papo vai, papo vem, quando de repente vejo brilhar os olhos daquela criatura (sim, aquela da frase em questão). Os olhos brilhavam tal como brilha a lataria de um opalão em dia de domingo, aquela pessoa estava prestes a me atropelar tão "sem querer" quanto um caminhão. Percebi aquele olhar, justamente pelo fato de já o tê-lo. Já incomodei e já fui muito incomodado na minha vida, muito embora o tenha feito com 13 ou 14 anos, diferentemente da figura, que já possui fartos 22 anos. "É França, você já beijou tal pessoa", entoava o gajo numa espécie de hino de moer o resto da minha noite. Ele repetia tal refrão tão exaustivamente que eu já não sabia nem do porquê da existência da linguagem, já que as pessoas poderiam se comunicar falando umas com as outras numa espécie de ode ao amor eterno: "Oi, você já beijou tal pessoa hoje? Sim e você já beijou? Quem, a tal pessoa?" e assim ad infinitum. A grande verdade é que eu estava pouco me fodendo se ele insinuava isto, ou seja, se eu beijei a tal pessoa. O que me incomodava era a vontade da criança me incomodar, a vontade de me ridicularizar, a vontade de me ver por baixo, a vontade de possuir vontade através do poder de foder com um semelhante (no caso, eu). O mais incrivel é que o guri possuia as mesmas táticas de guerrilha que eu, em minha época de piá. Assim, ele usava de tudo, desde do famoso "estou brincando, não é fulana?" que claro, é usado com uma testemunha de apoio tático (geralmente mulher, para causar maior impacto no alvo-masculino escolhido) . E a destruidora frase "admita, admita que você fez". Esta última frase merece um comentário especial pelo fenômeno que causa. Repare que quando a pessoa pede para você afirmar determinada coisa, ela o está pressionando de uma forma algoz, já que uma afirmação é definitiva quando falada em público. Ainda mais em uma mesa de bar com cinco pessoas, se tal frase for dita da maneira certa, um silêncio cortará o coração do atingido e o forçará a dizer, pelo simples fato deste silêncio-abismo entre ele e a platéia existir. Não gosto de hipócritas. Acho um golpe sujo a pessoa se utilizar , não desta última frase cortadora de cabeças, mas sim da primeira: "estou brincando...". Porra, admita que não está brincando e sim alimentando o seu maldito ego de infeliz e egoísta que todos somos. Admita que você está pouco se fodendo para o que o seu semelhante está sentido naquele momento. Jogue limpo. Bom, foi o que o meu "querido" adversário fez ao falar "me diverti muito com você, França". Enfim, foi o que eu NÃO fiz quando me questionaram "não vai pagar a conta?"

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Vou sair à tarde abraçado ao sol. Solarei mais tarde mais um solo no quintal. Dançarei as notas do olhar de água e sal, deste passo mole desta lágrima vernal. Flores caem em meus pensamentos. Flores abrem as pálpebras de outros dias.

Flores nascem em minha falta de morte.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

quebranto

Um pombo sussurrou no meu ouvido: "quer que eu cague nele"? Olhei pela janela, somente o desgraçado na rua. "Caga, se quiser" retruquei, "mas não deixa espirrar nos outros". "Não deixa esta merda espirrar no meu olhar, ein". Trinta segundos depois, o rapaz é atropelado pelo expresso. Fecho a janela do meu quarto, desato a escrever cartas para os meus poucos conhecidos: "matei uma pessoa, eu confesso e pago a minha pena". Saio para tomar um cafezinho ali na padaria da esquina. Antes de entrar, acendo um cigarro de filtro amarelo. Mais alguns segundos depois, sinto uma meleca esbranquiçada escorrer pela minha cabeça e um pio pio escancaradamente sarcástico: "ops, desculpe...sabe como é: como o cara morreu...eu não tinha mais onde cagar".

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Coleciono os vazios das caixas de papelão. Vôo ao véu destes vácuos e velo um outro céu de solidão. O que não guardei, o que não ficou algemado a estrelas carentes das carências tolas da compaixão. Coleciono e me apego a este chão. A caminhar sobre o nada, imagino uma esmola da amplidão do mundo. Pessoas querendo o meu corpo, o meu rosto.

Pessoas a espera do milagre pelo simples toque da minha mão.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Adeus mundo velho de guerra. Deixei na estante esta carta, como quem fala ao comprar um cigarro: “Eu já volto, não precisa deixar esta porta trancada”.

Hoje resolvi dar uma folga a minha tristeza diária. Fiz com que tudo fizesse um sentido absurdo, ou que pelo menos me desse esta sensação de missão de vida cumprida. Almocei uma macarronada, liguei o computador, entrei no orkut e chorei. Chorei as contas, o meu desemprego, minha incompetência artística e toda esta besteira de poesia. Chorei como quem chora para um final feliz. É que o orkut não é um meio e sim um fim, algo definitivo. Os amigos estão ali, concatenados num quadrado. Basta saber que eles existem e pronto: fica-se instantaneamente bem consigo mesmo, como se os chakras das relações sociais já estivessem alinhados. Afinal, eu conheço mais de cento e trinta pessoas neste mundo velho de guerra e neste exato momento não estou falando, ouvindo e nem chorando com ninguém...tudo bem, sei que eles são meus amigos. O orkut não mente. Ou será que mente?

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

NEWS
Descobri um site sensacional sobre música e não vou me furtar a contar esta novidade para vocês. O nome é Gafieiras e quem escreve lá é o Maurício Pereira, outro compositor maluco que eu escutei estes dias. Os textos são de primeira; vale a pena conferir.
Uma noite solitária em Atami (ou como passar um carnaval sem fantasia)
Para Chico Buarque


A noite não é mais uma criança,
mas sim um adulto ranzinza,
cheio de vícios e que ainda sabe
muito pouco sobre a vida.


quarta-feira, fevereiro 02, 2005

era uma noite, na gata comeu...
A cor desta mesa é preta, assim como tudo o que vomita nas bordas de papel da minha poesia é cinza. Rara as vezes em que o vermelho de uma palavra transforma este céu. Difícil um verso transformar a minha vida com uma rima.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Sopros orientais

Em coma, os sonhos de ontem à noite esperam o roncar da garganta, o rugir dos ferros podres da alma. Louca, tirava a sua, a minha, a roupa de tudo que encontrava. Dava-me tapas na cara, soluços de amores perdidos. Suas vontades não deixavam recado de batom. No quarto éramos nós dois. Você dormia e eu ali: a espera do sutil toque da gorda e suja mosca-morte. As 7:30 da matina eu morria. No inferno a encontrei, meu bem...
...e ardia e não dava tempo nem de dizer “adeus”.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Para Luiz Felipe Leprevost

A sua alma depende de muitas máscaras para me assustar. Quando sua pele descasca e decalca a esperança de livrar-se de mim é que reconheço um colo de amizade em seu olhar. Ao beber gole por gole do seu porre, duvido de mim e ponho um ou dois versos a chorar (a desperdiçar tinta preta nos afluentes da ressaca, no arquivo morto da vida). Vaidoso como o poeta que já nasceu póstumo, tem a sagacidade de um aposentado ranzinza na mesa do bar (mas sem as rugas, sem rancores ou culpas no falar). Você é um na mesa, outro na cadeira, outro ainda no chão. Você é um tufão de excentricidades inconseqüentes. Você, sem querer, mede as conseqüências. O mundo, sem querer, o respeita. Você é você em todos os seus personagens:

talvez, por isto seja impossível o imitar.

sábado, janeiro 22, 2005

Um copo d’água, uma maçã, um tédio. Sem beber, sinto-me um professor de ensino fundamental esperando os alunos terminarem a prova. O meu passatempo preferido em tempos de lei seca é criar e descobrir esconderijos. Atualmente, tento criar um colo a cada bar que eu passo. Um beijo de língua dá a mesma sensação de “não preciso viver mais nada” da cachaça. Hoje será mais um dia da água.
Espero que alguma abençoada mulher me deixe bêbado.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

A inveja rasga tão fundo que é difícil saber quando se está invejando ou cicatrizando. Nesta madrugada senti inveja de um grande amigo e percebi o quanto sou fraco: fiquei rendido na roda de Sísifo, a carregar uma culpa ordinária. O fato é que, burro de carga, dou mais valor a quem não tem o mínimo de consideração por mim em detrimento dos que me amam. Será pedir demais apenas um trocado de admiração. Será pedir demais que todos me amem. Será pedir demais uma noite de prazer ao lado da musa. Será pedir demais que a musa, depois de receber a sua oferenda musical, idolatre-me até o fim de seus dias. Um porre resolve uma parte do problema (escrever resolve um terço). Não ser admirado é padecer na “igreja dos bêbados” (como diria Cazuza) com um último trago de vômito-palavra a ser despejado no ar. Persigno-me com insinuações ao lavar as mãos no final. Dou tapas na cara da noite na esperança de que ela volte a ser como antes...antes dela falar “você é do caralho” (este “você” que não sou eu). Sou um ressentido e levo rancor para casa. Banho-me de rancor ao dormir com os anjos. Os anjos, óbvio, riem da minha cara. É fácil alguém lhe mostrar que você é mais um. Morrer aos poucos é uma forma de não parecer mais um. Matar-se é uma forma de desaparecer para aparecer. Sorte que eu ainda prefiro pensar que amanhã, ainda, será outro dia. E tem mais: sou leonino mesmo, meu bem...e daí?!

terça-feira, janeiro 18, 2005

Temporada bipolar

Pólo positivo

As nuvens,
As baforadas de respiração do céu
Como as pétalas já pisadas pelo fluxo
A formar um firmamento vermelho no cimento.
Estou jogado as camas que o dia cria:
O mar, a areia, o mato, as folhas.
Como travesseiro,
Uso o céu que a noite toma
Para florescer estrelas.


Pólo negativo

Mais um dia perdido
Rendido nesta sarjeta
Pela sua ausência imbecil
Pensei em chuva
Choveu
Pensei em blues
Tocou, negro e servil
Meu coração acompanhava
A batida do seu
Sua mão apertava e ensinava a minha
Os ritmos do seu corpo no cio.
Agora são minhas as lágrimas que caem mortas
E refletem a lua no final da melodia
O céu dormia em cima da minha cabeça
Ao apagar das estrelas você foi embora
Sem apagar meus olhos com um beijo
Você nunca me quis e eu sofro escrevendo
O dia morreu e eu ainda não sei enterrar os restos
De tudo o que aconteceu
Não sei amar quando estou com medo
Não sei amar a vida quando a morte mente que é você
O meu último segredo.

Voltei! Tentarei atualizar mais este blog...acho que é isto, certo?

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Toda mulher merece ser despida. O corpo em exposição agressiva: a transformação das cores em uma só cor da pele. As dobras em confluência com as pregas do espaço. As curvas entortando as arestas da mente, da libido. Toda mulher merece ser despida. Os seios a mercê da boca. O sabor do mundo a mercê de seu leite. O balsamo para a rotina pingando gota a gota nos poros da retina masculina. Toda a mulher merece ser despida. Assim como as peles de todas as coisas merecem ser tocadas.

terça-feira, dezembro 07, 2004

Entrevista com Amarildo Anzolin
Confiram a entrevista com um dos grandes nomes da nova geração de poetas curitibanos hoje em voga. Amarildo Anzolin fala sobre o seu novo livro, sobre a crise de valores no meio literário e sobre a sua paixão pela sua própria poesia.

Amarildo, você se encaixaria em alguma geração poética ou movimento poético?

Lancei meu primeiro livrinho de poemas (Co-lapso) em 1995. Se seguirmos a definição de Haroldo de Campos, eu faço parte do período “pós-utópico”. Se não me enquadro na estética de Haroldo, acredito comungar (juntamente com outros poetas) de uma “geração” pós-vanguardas, o que não anula o caráter e o desejo da experimentação, mas sem uma veia dialético-ideológica.

A geração que hoje atua no universo poético de Curitiba, dá conta do recado quanto à qualidade poética?

Sim. Existem alguns bons poetas, entre os quais eu me incluo.

Na sua opinião, o que faltaria para a poesia Curitibana ser efetivamente lida por aqui e pelo Brasil?

Você parece insinuar ser contrário à minha opinião anterior. De qualquer forma, uma efetivação de leitura, é um problema brasileiro. Muitas vezes não conhecemos autores de outras praças. O caso de Curitiba é que depois do Leminski e do Dalton não surgiu um escritor tão marcante para o âmbito nacional. Já historicamente, enquanto os modernistas paulistanos deglutiam e vomitavam soluções, aqui ainda se fazia um simbolismo tardio. Em linhas gerais, o povo curitibano é refratário, mas os autores também têm culpa nisso.

Qual é a sua relação com a música? É diferente fazer uma letra de música e fazer um poema para publicação?

Minha ligação mais estreita com a música, em termos práticos, é o fato de ter poemas musicados ou ainda “letrar” melodias de parceiros. A diferenciação e a caracterização entre letra e poema é, até certo ponto, desnecessária. Para um texto poético ter aspecto de letra, deve apresentar um ritmo adequado, uma cadência (coisa que a poesia impressa muitas vezes também tem). Já o “poema”, tem que apresentar um tônus, uma materialidade, sutilezas, coisa que muitas letras possuem. Como você vê, são argumentos frágeis para um (volto a dizer, desnecessário) embate letra x poema. Antes se confundem e se alimentam; interagem.

O que há de diferente entre “eu também” (o seu mais recente livro/cd) e os seus trabalhos anteriores?

Vinha de uma experiência exuberante e de maior fôlego, o Única coisa (cd/vídeo/livro), com uma verdadeira estrepolia gráfica, inclusive. Além de a parte sonora apresentar canções, oralizações, peças sutis, outras mais arrojadas. Eu também traz uma leveza, um “peso leve”. 95% dos poemas são estruturados em margem esquerda. O cd (em que radicalizei) não apresenta canções, mas peças orais, com forte trabalho de pesquisa. A “música” aparece como elemento estrutural, em algumas peças sonoro-poéticas. No mais, a parte lírica é mantida.

Você já fez poesia concreta? “eu também” estaria pousando seus poemas num terreno concreto?

Sim. Meus dois primeiros livros (Co-lapso, 1995 e Igual, 1998) apresentam alguns poemas “concretos”, visuais. Única coisa (2000), com intersecções sonoro-imagéticas, fica nesse terreno, bem como exposições de poemas visuais, vídeos, performances etc. Eu também, como grande parte da minha produção, apresenta textos de maior fôlego - muito distante do espírito minimalista da poesia concreta -, e também a minha veia lírica e expressionista, o que me afasta do ideário concreto. Sem falarmos que o concretismo é um movimento dos anos 50.... Na verdade, o que minha poesia tem é concretude, qualidade que todo bom poema deve ter.

Qual a sua opinião com relação às revistas literárias atualmente publicadas no Brasil?

A grande maioria se repete nos editoriais. Rola muita politicagem, no melhor estilo “toma lá, da cá”. Acho que se perdeu um pouco do espírito (ainda válido, acredito) da função da revista de literatura, que é a de publicar autores fora do eixo das editoras, para com isso poder escoar a produção emergente. De maneira geral, não me agradam as revistas, com exceção da londrinense Coyote, séria, densa, isenta e honesta.

O que acaba falando mais alto na hora de se escrever um poema: a forma ou a idéia poética?

Para mim, a idéia. Desenvolvo um poema me valendo, de forma aberta, de todas (as melhores) possibilidades para realizá-lo. O que estiver à mão em termos de tecnologia (sempre a favor, aliando horizontes, nunca aprisionando), sentimento, memória, invenção, mentira, e até uma certa parcela de cinismo, se for o caso, sem me preocupar com um “estilo” como fim único.

Como você definiria o seu estilo?

Em parte, acho que respondi acima. Não apresento uma linha bem definida. Às vezes sou high tech, às vezes mais lírico.

Agora você deverá fazer uma pergunta ao entrevistador.

Como você definiria o meu estilo?
Resposta: Agora você me pegou, ein! Hummmm...digamos que você tem um estilo "Anzolin" de escrever, certo? Às vezes high tech, às vezes mais lírico.

Finalmente, fale o que você gostaria de falar, mas que, por incompetência minha não teve a oportunidade.

Gostaria que você tivesse tocado no assunto da relação entre os poetas. O público em geral, considera os vates acima de mumunhas e questiúnculas, mas na prática, no dia a dia, no vis-à-vis não é nada assim. Acontecem boicotes, puxadas de tapete, tentativas de eliminação. É uma burrice tamanha, pois tem tanta gente fazendo bons trabalhos, que é impossível, como querem alguns, se sobressair amordaçando os outros. Nesse ponto, sou completamente egoísta e egocêntrico: só me preocupo com a minha poesia.

Aguardem. Logo publicarei a resenha do livro "eu também" de Amarildo Anzolin.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

As Cecílias do Rio de Janeiro

Chego ao Rio de Janeiro. No fundo, através da porta de vidro automática, apenas uns óculos escuros me esperam. Como manda a tradição dos encontros entre “França e Luiz Felipe Leprevost”, Luff (apelido carioca), parecia estar na entrega do Oscar para me buscar no aeroporto. Claro, com aquele jeitão dele: camisa velha dos tempos de adolescente, bermuda, chinelos havaianas e um cabelo muito, mas muito comprido mesmo. Contava-me as novidades do Rio, sempre com movimentos largos, característicos de sua afobada poesia. Chegando ao seu ap (que, por ironia do destino, fica em cima de um bar) eu já conhecia - ou pelo menos já imaginava conhecer - a figura de uma linda mulher chamada Cecília. Era Cecília para lá, era Cecília para cá, e que “você tem de conhecer a Cecília” acolá. Enfim, um carnaval de Cecílias boiando nas rasas, porém sinceras, águas de nossas conversas. Cansado de uma viagem de conexões, na qual se espera até três horas para pegar o próximo vôo, com a consciência preguiçosa aceito caminhar ao redor da Lagoa, na companhia do jornalista Paulo Polzonoff. No começo, apenas reclamo, mas no final, apesar das minhas coxas estarem assadas pelo atrito constante entre elas (sim, não é só a minha barriga que está crescendo) e dos meus ouvidos ainda estarem danificados pela pressão de um vôo entre São Paulo e Rio de Janeiro, adorei o passeio e revigorado, com os pulmões brevemente limpos, brindei o último passo com uma água de coco. O jornalista em questão comandava a compra das três águas de coco: “a primeira é dele (eu)...ele está precisando mais”. Polzonoff, que sempre julguei ser um chato, parecia-me um tio-moleque vaidoso, daqueles que adoram ensinar os sobrinhos a empinar pipas. Demonstrou possuir uma doçura diferente das venenosas linhas de seus ataques literários. Pensava eu: “quem diria que o autor do texto sobre o Mirisola ‘o cancro e o pus’ seria um cara tão gente fina...e quem diria que ele esteja me recebendo tão bem”. Dias depois, em Santa Teresa (o bairro que mais gostei no Rio) comendo uma feijoada num ótimo lugar chamado “bar do mineiro” o Polzonoff, para mim, era apenas Paulo.

Começa a anoitecer e a minha paixão pelo Rio de Janeiro começava a amanhecer. Aquelas montanhas todas, o Corcovado, o cristo, as águas, a boca banguela da Guanabara, todas as ladeiras: no limiar entre a noite e o dia, tudo atingia uma coloração de “arrombar retinas”, como diria o Chico Buarque (que infelizmente, não avistei em nenhum canto da cidade maravilhosa). Depois de alguns chopes numa churrascaria no Baixo Gávea, o Luff dá uma idéia: “França, e se o cristo se atirasse do Corcovado”. Pronto! Surgia a nossa primeira parceria no Rio de Janeiro. Fomos para casa, fechamos a música e os nossos olhos. O outro dia nos esperava com mais duas figuras brilhantes: Felipe e Sandro. O primeiro, devido a sua discrição asmática, parecia não ir muito com a minha cara (impressão que, posteriormente, demonstraria estar completamente equivocada) o outro era mais falante, ria com uma ironia benigna de quem sabe atacar pelos flancos de pseudointelectuais. Parecia aderir mais ao estilo marginal, ao qual me acostumei aqui em Curitiba. Conversei mais com o Sandro, em função da minha preguiça de conhecer e embarcar na do outro. Luff observava e aguardava o momento de fechar os trilhos da noite. Já passava das 4 da manhã e resolvemos embromar os últimos minutos da nossa pugna etílica num boteco próximo a área turística mais adorada pelo “homem branco”: Copacabana. Não poderia faltar era uma briga entre “França e Luiz Felipe”. Brigamos a valer. Mandamos um ao outro calar a boca e emburramos, deixando Sandro um pouco sem graça, porém empolgado com a drástica reação de dois indivíduos que definitivamente não levam desaforo para casa. Em Copacabana, entre putas e turistas albinos, a televisão sussurrava em nossos ouvidos: “Não precisamos de benção, temos a publicidade”. Pronto! Antes de dormir, mais uma música para o repertório.

Acho que dois ou três dias depois rolou a festa na casa da Cecília (sim, aquela do começo do texto). Sem conhecer ninguém, com um pretensioso violão nas costas, fui adentrando no ap de Cecília. O Luff já havia falado tanto sobre a menina que, confesso, fiquei ansioso em conhece-la. Surge então uma mulher, cabelos longos, com uma espécie de bata que ressaltava de uma forma furiosa as suas longas pernas: “e aí, você toca violão”. “Deve ser a Cecília”, pensei. “Sim, toco”. Trocamos meia dúzia de palavras. Simpática pra caramba. “É...o Luiz Felipe tem razão!!”. Fiquei durante uma hora dividido entre as pernas, o papo da suposta Cecília e a vista maravilhosa que dava para o Corcovado. De repente eis que a menina dá um grito incisivo em direção a cozinha “Ciça, vamos fazer uma caipira”. Enfim, a suposta Cecília (que até aquele momento correspondia ao relato empolgado do Luff) era na verdade Aline, uma menina “isssperrrta” que até um violão arranhou, num pout-porri no mínimo diferente, que misturava Alceu Valença com The Police. Conversei com todo mundo do lugar, empolgado com a reação das pessoas e embriagado com o clima festivo do ap, com destaque para um rapaz chamado Diego, que com certeza foi quem melhor desenvolveu um papo comigo lá no Rio. Conversei horas com Diego, alternando os temas: de Wittgeinstein à Tom Zé, o cara tinha saliva para tudo. Conversei com todo mundo menos...sim, menos com a tal Cecília. Simplesmente, neste dia, não consegui trocar nem um “a” com a menina, em função de um excesso de álcool no sangue dela e no meu. O único contato foi quando, num momento maravilhoso, a Cecília (a verdadeira), Aline e mais uma moça, que agora eu não me lembro do nome, começaram a dançar, numa espécie de ciranda de apartamento, que, devido às caipirinhas tomadas, lembrava a dança das bacantes. “Só falta uma cabra ser sacrificada” pensava. A Cecília da festa, a não ser pela inegável beleza física, não se parecia com a Cecília do Luff e, por conta disto, fiquei, de certa forma, frustrado pelo meu engano. E o pior de tudo é que não era só o Luff que elogiava a tal Cecília não, era a festa inteira: “a Ciça é do caralho” entoavam os integrantes deste encontro. “Nem acho!” pensava eu, secretamente.

Se não visitei mais da metade das livrarias do Rio, dei uma passada nas principais: Livraria da Travessa, Argumento, Letras e Expressões, etc. Foi na Travessa que o Felipe (aquele, com a discrição asmática) surpreendeu a mim e ao Luff, ao nos apresentar uma das meninas mais simpáticas e belas da viagem. “Gente, esta aqui é a Ana...mas não se empolguem não, que ela é lésbica”. A Ana, séria e compenetrada na continuação da farsa: “pô Felipe, também não precisa falar na cara...o que eles vão pensar”. O Felipe, naquele momento, ao invés de demonstrar a sua discrição asmática do outro dia, demonstrava uma falta de ar “siniiistra”, fruto de longas horas de trabalho e de balada. Acabamos num hospital. Próximo aos bares da Cobal, onde o pessoal das redondezas, depois do expediente, pára para relaxar com uma estranha bebida, que mistura cerveja, limão, sal e gelo, paramos o carro. Foi um dos grandes momentos da viagem, por dois motivos: o primeiro é que era inevitável, na espera do nosso colega ser atendido, conversar longamente com aquela mulher maneiríssima que era a Ana. E o segundo é que o Luff, em alguns segundos de devaneio, ao fingir ser médico, começava uma discussão com a plantonista a respeito da validade do exame feito no nosso caríssimo asmático. Estava tudo bem: a falta de ar era devido ao estresse, bastando, então, uma boa noite de sono para ser sanada. Fomos para casa, com a Ana na cabeça e com uma expectativa de encontra-la mais vezes no Rio. Para o meu amigo eterno apaixonado Luff, agora, além da Cecília, tinha também a Ana.

Nos últimos 4 dias de viagem, ocupei-me em ler um ensaio de José Miguel Wisnik sobre um conto de Machado de Assis. Wisnik nos explica que o conto de Machado em questão pode ser dividido em vários momentos, análogos a estilos musicais. Acredito que a minha viagem também. Teve o momento Maxixe, representado pela cena em que eu e Luff conhecemos a Ana. O momento Polca, representado pela festa na casa da Cecília. O momento Sonata, no qual, em uma peça de teatro maravilhosa chamada “O que diz Molero”, encontrávamos a atriz Marieta Severo. E finalmente o momento Réquiem, representado pelo último dia de viagem. No conto, este último momento é o de maior desengano por parte da personagem, que, em suma, almeja compor grandes peças eruditas, mas acaba sempre compondo polcas populares. E foi, justamente, no último dia, que se esclareceu que a Cecília, que o Luff durante a viagem inteira me descrevia, era verdadeira. Saímos para tomar café, eu e o Luff, já sem assunto para compartilhar e com um desânimo de fim de feira. Tomávamos os nossos expressos de maneira sorumbática, esperando o tempo passar. Eis que liga a Cecília e o Luff se agita, como o mar alto agitando ondas na presença inevitável da lua. “França, peraí que é a Cecília”. Com a voz mais mansa do mundo: “alô, estamos aqui tomando um cafezinho...venha então...isto...aqui no Leblon”. Cecília chega e de cara resolve mudar de lugar: “este lugar não é muito interessante”. Obedecemos à ordem da moça e começamos a andar pelo Leblon simplesmente a procura de um lugar conveniente para a exigente musa do Luff. Nestes minutos, acontecia uma coisa impressionante, ao mesmo tempo em que o tema principal do meu Réquiem começava a se configurar. Aquela Cecília era muito parecida com a Cecília descrita pelo Luff. “Nossa, ela é legal mesmo”. A cada passo, Cecília desencadeava assuntos, teses, indicações de livros, filmes e gracejos de todo tipo. Sempre rindo, sempre argumentando, sempre sendo a Cecília. Desde instalar uma revolução artístico-cultural no Rio de Janeiro, à me deixar à vontade, reconhecendo o fato de eu ser o hóspede de todos os assuntos abordados, Cecília constituía um universo único, que merecia ser fotografado de todos os ângulos. Foi o que o Felipe (aquele do pulmão sem ar) fez, depois de nos encontrar em uma padaria ali próxima, ao chegarmos à livraria Argumento. Com uma máquina digital, Felipe respirava através da imagem da Cecília. O que, diga-se de passagem, o deixou muito mais simpático. A impressão de antipatia havia esmorecido. Felipe, na verdade, era bem parecido com a Cecília. Sempre articulando, sempre rindo, sempre argumentando, sempre sendo o Felipe. Apaixonei-me por aquelas duas figuras e prometi um reencontro, num tchau estranho, melancólico até: os dois pegando um ônibus para casa e eu impressionado com o fato de só os terem realmente conhecido no último dia da minha viagem. No dia seguinte, no caminho para o aeroporto, um trânsito violento começava a gorar a minha expectativa de voltar para Curitiba. Aquelas figuras maravilhosas povoavam a minha lembrança e me deixavam com a noção de que o Rio de Janeiro vale muita a pena. A praia, apesar de cinzenta, parecia-me também acenar. Dei tchau para tudo o que eu julgava carioca. O tema do meu réquiem tocava na minha mente em forma de verso: “A melhor coisa de Curitiba, é sentir saudades de Curitiba”.

segunda-feira, novembro 29, 2004

INACREDITÁVEL!!!

Meu projeto foi aprovado! SIM, PESSIMISTAS DE PLANTÃO: APROVADO!!!
iiiiiiirrrraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

sábado, novembro 13, 2004

Estou aproveitando as manhãs. Semana passada eu não sabia mais o que era a luz das 8:00. É revigorante, mesmo sabendo que o sol, voando baixo na minha cara, não tem a mínima pretensão de me agradar. Ele é rasante porque, de manhã, estimula a acordar...o sol não é para vagabundos, até hoje de manhã, que senti um calor de férias...

quinta-feira, novembro 11, 2004

NEWS

Enfim, a Fundação Cultural não deu resposta alguma a respeito do recurso que protocolei para a reavaliação do meu projeto. Alguns já me falaram: esquece! Parte para outra! Fazer o que, né?!Como já disse para o Luiz Felipe, agora estou cultivando Bonsais para treinar a minha paciência. Mas vamos ao que interessa:
1 - Em breve, farei um texto crítico sobre o novo livro de Amarildo Anzolin, "eu também", e postarei aqui no blog.
2 - Postarei também uma entrevista com o Amarildo.
3 - Vocês conhecem a música "Mão e Luva" do Pedro Luís??? Porra, foi uma das coisas mais singelas que eu já ouvi este ano! Meilily, pagu-gótica das noites do largo, esta vai pra você.

Mão e Luva
dia de chuva
tão triste e tão bom
no espelho um recado de batom de uva
era um fruto feliz
da noite passada
você foi embora
acordei e nada
(agora cantem comigo)
Luva e mão, mão e luva
vamos passear de guarda-chuva
mão e luva, luva e mão
nosso encontro parecia a perfeição
vamos voltar o relógio
fotografar os segredos
quero você como um credo
vamos nos dar privilégios
meu sol
pingos na calçada
sou só chuva e lágrimas
vem já
antes que anoiteça
tecer noites e páginas.
Pedro Luís

Pedro Luís, se estiver lendo, sou seu fã. Sim, tiete mesmo.

hummm, como diria o Cláudio: BUSHIT!

segunda-feira, novembro 08, 2004

Poema da semana

Há tempos, queria publicar esse poema da Adília Lopes, mas sabe como é...a preguiça é foda. Enfim, foi um dos que mais me marcou este ano. Lá vai:

DOIS CASOS CITADOS POR
CHRISTIAN LACROIX

Uma freira
passou a vida
a passajar
tom sobre tom
o mesmo avental
azul escuro

Um funcionário público
coleccionou
a vida inteira
a publicidade
que lhe metiam
na caixa do correio

Adília Lopes

domingo, novembro 07, 2004

Hoje a tarde tem samba com Troy no Era Só o que Faltava. É a sensação do momento na cidade e eu estarei lá. A propósito, peguei a mania de criar comunidades inúteis no orkut, a última foi: "Ninguém merece" é irritante!
Pensei em criar outras do tipo:
"só se for agora" por quê?
Nunca mais vi.
Adoro um espelho.
e etc ("e etc" também seria uma comunidade)

Fiquem agora com a descrição da última caixa de papelão inútil.

"Você que não atura a expressão 'ninguém merece', chegou a sua vez de dizer o tanto que você odeia ouvir estas duas malditas palavras!!! Como assim "ninguém merece"? Porra, você sabe se o seu vizinho, o seu mané do bar, a caixa do supermercado do seu bairro, a atendente e o gerente do banco, o presidente da república, o seu pai, a sua mãe por acaso não merecem?"

quarta-feira, novembro 03, 2004

para a minha consciência

Se você não calar a boca agora,
eu faço você engolir este sol.

De quebra,
acabo com a sua família de dúvidas,
constrangimentos e aflições.

Se você não calar,
mastigarei este céu
e lhe farei engasgar estrelas apagadas
que não são vistas à luz do próximo gole.

Você não deve nada pra mim.
Vá embora com o seu argumento de realidade.
Leve todas as palavras que eu não quero,
todo o meu alfabeto de infelicidade.

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