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quinta-feira, dezembro 27, 2007

E a parceria continua:


História


O tempo passava

Pelo conta-gotas

Da estratosfera

Do céu desta história

Eram estrelas que pingavam

A cada minuto

Beijos de boa noite

Iluminam os dias

Desta nossa história

E nas tardes de histeria

Gritos explodiam fogos

Fúria e rancor no céu da nossa história

Antiga, obscura lenda, mito de algum

Passado inventado

Numa noite minha

Nossa casa intacta na minha memória

Não guardava nada em mim.


Octavio Camargo e Alexandre França

terça-feira, dezembro 25, 2007

Sabrina Lopes

Uma coisa para dar
para uma certa menina:
o banheiro do cinema.

Com uma placa na porta:
mulher grande em roupas de guri
que deixa existirem seus quadris.

Todos os dias, precisamente,
às onze e onze, portas trancadas,
se formaria um círculo
de moças delicadas
que mijariam
se ela deitasse,
vinda do barro
como a cerâmica ,
se quisesse.

Um batalhão , garotas de uniforme,
arrumaria o papel
na posição "correta"
ou eu faria, pra deixá-la certa
de que é amada sempre .
Várias minuciosas vezes.

Um lugar seu
no banheiro público
tão bem aceito
quanto as boas filhas,
mas ainda conquistado
pelo seu tempo de luta:
o dia banal, na rua, à luz,
comigo.

Sabrina Lopes


Quer mais? Então entre no http://www.lopessabrina.blogspot.com



domingo, dezembro 23, 2007

Imagens

Há imagens que não se podem tocar
No máximo apertar a mão
No máximo dizer um "oi"
No mínimo dizer que não
Como um distante infeliz que se entristece
Como um cavalo machucado na cidade
Buscando uma só rua constituida de comida
No máximo se fala alguma dor
Que é desconhecida pelo fato
Há imagens que não se podem tocar
No máximo fechar os olhos
Para um sono tranqüilo
Num travesseiro de esperanças
E de uns poucos trocados

sábado, dezembro 22, 2007

E...

...depois da genial apresentação dos amigos (Koproski, Renatão, Luiz Felipe, Falcão, Thadeu, Octavio, Bárbara, Ivan, Magoo, Carlão, entre outros), entre farpas e pontapés rolando nas mesas da Primeira Saideira Cultural do Sal Grosso, surge uma parceria. Fugindo da muvuca, fui conversar um pouco com o meu amigo Edson de Vulcanis "o aranha" numa mesa de canto. O diálogo rendeu frutos. Confira:

A raiva da lua

A esquerda vivia bem
Para ela nunca faltou braços
Já a direita, dedilhava dúvidas

O céu cuspia súplicas
O sol apertava o passo

Quem estava há tempos no centro
Virou sombra e fugiu de si mesmo

A luz que olhava minguante
Com uma velocidade impressionante
Se virou pra iluminar o instante:

A lua levantou o dedo médio
Ela não estava nem à direita
Nem à esquerda e muito menos
no centro das atenções
Com inveja e com raiva de tudo
Mandou o espaço pra aquele lugar.

Edson de Vulcanis e Alexandre França

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Caixa de música

Eu preciso de uma música
Que não pare de tocar na minha cabeça
E me entristeça quando eu mandar
Com lágrimas de dormir
Persegui tantas paixões noturnas
Em muitas cenas como esta
Encarando a solidão de frente
Como quem entrega os pontos
Pois não sabe mais perder e ganha
Um pedaço de um vazio qualquer
Como um inseto em noite quente
Preenchendo o silêncio inteiro
Que os estalos de uma casa
Não conseguem preencher
Me faz cantar, compõe a letra
Da canção na minha cabeça
Para acordar toda tristeza estranha
Que for dar na minha telha
Se eu perder mais uma vez me lembre
Ou me ensina a esquecer cantando
Para que eu durma como pedra
Como pedra por cima da gente.

terça-feira, dezembro 18, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007


CANCELADA A TEMPORADA DE "UM IDIOTA DE PRESENTE"

A Cia de Teatro do Santo Guerreiro informa que por força maior a temporada do espetáculo "Um Idiota de Presente" foi cancelada. Voltaremos com a peça (já com novo texto e montagem) no ano que vem e esperamos a compreensão de todos. A Cia ainda pede desculpas a todos que já adquiriram seus ingressos (sendo que o dinheiro será devolvido na bilheteria do teatro) e agradece a todos que nos apoiaram durante todo o processo de desenvolvimento da Cia e também a todos que estão nos apoiando neste momento difícil. A todos que acompanham a Cia de perto - e nos apoiam neste momento - o nosso muito obrigado.

Atenciosamente

Cia de Teatro do Santo Guerreiro

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Um Idiota de Presente - reestréia dia 13 de dezembro (nesta quinta-feira), às 21h00- APAREÇAM

Verônica Rodrigues (Maria) e Helena Portela (Sônia) - Foto: Marcos Pratt

Sônia – então, hoje de tarde aconteceu uma coisa engraçada

Maria – sim?

Sônia– chegou uma mulher...uma destas mendigas querendo me vender umas canetas. E ela ficava repetindo: “amiga, compra uma caneta...é duas por cincão”. Mas assim, ela não parava, ficou uns dez minutos nesta: “amiga, compra uma caneta...é duas por cincão”. E eu repetindo “não, hoje não, muito obrigada”...enfim sabe o que ela me disse depois do meu último “não, hoje não”?

Maria – o que?

Sônia – “não sou mais sua amiga”.

Maria (risos contidos) que piada...(pausa) e o João?

Sônia – tá bem...

Maria – o que ele falou sobre o filho que você está esperando?

Sônia(meio constrangida) Nada

Maria (indignada) como assim nada?!

Sônia – nada, ué...ele preferiu não tocar no assunto...(pausa) depois fomos para aquele motel do centro e...e está tudo bem

Maria(irônica) não me diga que você pagou?!

___________________________________________________________________

este é um trecho da peça "Um Idiota de Presente" que conta a história de duas irmãs: Maria e Sônia que, apesar das divergências, moram juntas no centro da cidade. A primeira locomove-se por opção em uma cadeira de rodas e carrega uma vasta bagagem literária. A segunda, por sua vez, não tem tempo para ler - no máximo interpreta o horóscopo do dia - e dedica a vida para cuidar do apartamento e da irmã, além de tentar reconstruir um relacionamento falido com o ex-namorado que a abandonou grávida. "Um Idiota de Presente" reestréia amanhã, dia 13, às 21h00, no Mini Auditório do Guaíra, e vai até o dia 16. Eu conto com a presença de todos vocês - APAREÇAM e novamente levem amigos, namorada(o), mãe, pai, avô, avó, tio, tia, cachorro, papagaio...e dia 16 (domingo) às 17h00, para quem já conhece a peça, faremos uma leitura da nova versão do texto "Um Idiota de Presente - versão do dramaturgo"!


Serviço

Um Idiota de Presente
De quinta (13) a sábado (15), às 21h. Domingo (16), às 19h.
Mini Auditório do Teatro Guaíra (Rua Amintas de Barros, s/nº)

Tel.: (41) 3304-7900.
Entrada: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada).

terça-feira, dezembro 11, 2007

Play no Pó & Teias

E o poeta Ricardo Pozzo postou um poema meu ("Play") no blog Pó e Teias. Clique nesse link e confira. http://poeteias.blogspot.com/search/label/alexandre%20fran%C3%A7a%20%28convidado%29

Sobre Pó e Teias
"O grupo segue o "movimento maradigmático" idealizado pela professora e escritora Glória Kirinus, com base em Heráclito, Gaston Bachelard e Michel Maffesoli. Reuniões às 2ª-feiras, das 18 às 20 horas, no 3º andar da BPP (Rua Cândido Lopes)".

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Show no Circuito Cultural Banco do Brasil

(clique na imagem para ampliá-la)
Gente, espero a presença de todos vocês no show que farei no Museu Oscar Niemeyer às 19h30 nesta sexta. Para mim é muito importante a presença dos amigos para dar uma energia extra neste que é o show do cd "a solidão não mata, dá a idéia" mais importante deste ano. APAREÇAM e levem a namorada, o pai, a mãe, a avó, o avô, os primos, o cachorro, papagaio...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Porão Loquax - a solidão não mata, dá a idéia

E aquecendo as turbinas do show do dia 7 (sexta) pelo circuito cultural banco do brasil, farei uma apresentação no Wonka bar amanhã (terça, dia 4) dentro do projeto Porão Loquax. Novos poemas e algumas músicas do cd "a solidão não mata, dá a idéia". Apareçam.

segunda-feira, novembro 26, 2007

sexta-feira, novembro 23, 2007

Show do cd "a solidão não mata, dá a idéia" no Circuito Cultural Banco do Brasil - dia 7 de dezembro (sexta-feira) - 19:30hs - Museu Oscar Niemayer - entrada franca

Alexandre França – A Solidão Não Mata, Dá a Idéia

O show do CD “Alexandre França - a solidão não mata, dá a idéia” conta com os arranjos de Gilson Fukushima, guitarrista do Grupo Fato, e é composto pelos seguintes músicos: Davi Sartori (teclado), Luciano Madalozzo (percussão), Sérgio Albach (clarinete) e Alexandre França (violão e voz). No show, os músicos reproduzem o mesmo clima sombrio do CD (influenciado por compositores como Arrigo Barnabé e Lupicínio Rodrigues), mas com arranjos adaptados a uma estrutura mais intimista.


07 de dezembro, às 19h30h. Museu Oscar Niemeyer – Auditório Poty Lazzarotto. Classificação Indicativa: 14 anos

clique aqui e confira a programação do Circuito Cultural Banco do Brasil

quinta-feira, novembro 22, 2007

Octávio Camargo


terça-feira, novembro 20, 2007

HOJE - SHOW DO TROY NO GUAIRINHA - IMPERDÍVEL.

Clip de divulgação do show: por Helena Portela
Hoje acontece no Guairinha o show do meu amigo Troy Rossilho, que cantará, além de algumas músicas dos seus outros três cd's autorais, canções do livro+cd "A Ruga é um Rolo" (feito em parceria com o seu pai, o poeta César Rossilho). O Show acontecerá às 21:00hs e terá a participação mais do que especial de alguns dos mais importantes nomes da cena musical da cidade, tais como: Denis Mariano (percussão e bateria), Marcos Saldanha (bateria e percussão), Sandro "Guaraná" (baixo), Mazzarolo (guitarra, violão e oboé) e Davi Sartori (Piano). Além disto, o show terá a participação nos vocais (tipo, pastorinhas) das lindas e talentosas Bárbara Kirchner e Helena Portela. Imperdível. Para quem quiser adquirir com antecedência o ingresso, ligar no (41) 3315-0808.


Serviço
Show - TROY ao vivo
Local: Guairinha
Horário: 21:00hs
Ingressos: R$ 15,00 e R$7,00
à venda no local
ou
pelo disk ingresso (41) 3315-0808

segunda-feira, novembro 19, 2007

"Um Idiota de Presente" de volta no Mini Guaíra

Verônica Rodrigues e Helena Portela
Foto: Marcos Pratt
Dia 13, 14, 15 e 16 de dezembro, a Cia de Teatro do Santo Guerreiro estará de volta com a peça "Um Idiota de Presente" no Mini Auditório do Teatro Guaíra. Confira o realese do espetáculo.

A peça um “Idiota de Presente” conta a história de duas irmãs enfurnadas num apartamento no centro da cidade. Uma delas, Maria, vive em uma cadeira de rodas por opção, sempre afundada em livros, e a outra, Sônia, tem por obrigação manter a vida da irmã, pagar as contas da casa, fazer compras no supermercado e ainda por cima consertar um relacionamento com um homem que a abandonou grávida.

O conflito se dá quando Maria dá de presente à irmã um exemplar do livro “O Idiota” de Dostoievski. A partir daí, uma trama de argumentos livrescos (de fontes que vão do próprio Dostoievski a Nietzsche) é posta em cheque quando Maria tenta convencer Sônia a matar o homem que a deixou. A pergunta que se faz durante toda peça é: Sônia ou o idiota do livro teriam a capacidade de matar?

“Um Idiota de Presente” é um texto-homenagem a um dos grandes escritores do século XIX, Fiódor Dostoievski. Cheio de referências a este autor, a peça, assim como a obra do escritor russo, levanta questões morais relacionadas à culpa, ao assassinato, à morte, e também existenciais relacionadas à solidão e ao abandono. Neste caso, a discussão principal é: até que ponto, conteúdos mal interpretados podem ser nocivos ao ser humano?

“Um Idiota de Presente”

Dia 13, 14, 15 e 16 de dezembro - quinta, sexta e sábado às 21:00hs e domingo às 19:00hs

Texto e direção– Alexandre França

Elenco

Sônia – Helena Portela

Maria – Verônica Rodrigues

Cenografia e figurino – Paulo Vinícius

Iluminação – Ana Luiza Pires

Trilha – Troy Rossilho

Produção – Cia de Teatro do Santo Guerreiro

Duração – 50 minutos



quarta-feira, outubro 31, 2007

Trecho do show no Teatro Guaíra agora no youtube

A música que estou cantando neste momento é "Carvão" minha e do Edson Falcão.

Apareçam
Infelizmente, não poderei comparecer ao evento (estarei no Tim Festival), mas tenho certeza que será interessante. Apareçam.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Claudete Pereira Jorge declamando o "poema sobre a solidão".

Até me emociono em ver uma das melhores atrizes do Paraná declamando um poema meu. Este momento é mais do que especial, pois é a minha amiga Claudete Pereira Jorge no show que eu fiz no Guairinha quando lancei o cd "a solidão não mata, dá a idéia". Como eu já disse em outras ocasiões: escolho muito bem os meus amigos. Sinto até um certo orgulho em ser amigo da Claudete. Agora vocês podem começar a entender o porquê.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Imperdível - nesta quinta-feira

Lançamento de ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR, a antologia poética de LEONARD COHEN - traduzida pelo Fernando Koproski e editada pela 7 letras.

Se não bastasse o belo trabalho que o meu amigo Fernando Koproski fez com o velho Buk, agora ele nos brinda com esta bela antologia dos poemas do Cohen. Digo desta forma por ter acompanhado a via crucis que o Fernando passou pelo mestrado (que foi sobre o Cohen) até chegar nesta edição, sempre bem caprichada e bem acabada pela 7 letras (vide "esta loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém"). Enfim, é o que eu sempre digo: se não fossem estas ótimas ocasiões, como é que nós beberiamos aquelas prometidas geladas juntos?! Grande Koproski! Minha sombra já está a minha espera lá no Sal Grosso. Apareçam.

Serviço

Livro: ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR, 184 páginas (edição bilíngüe).
Autor: LEONARD COHEN
Editora: 7 Letras
Tradutor: Fernando Koproski
Lançamento:
quando? 25 de Outubro, quinta-feira, a partir das 19:30 horas
onde? Bar Sal Grosso, Largo da Ordem, 59,
(ao lado do bar do alemão) f. 3222 8286
** Preço Especial de lançamento: R$ 30,00 **
Informações:
fkoproski@yahoo.com.br


SOBRE O LIVRO:

A editora 7 Letras está lançando ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR, a 1ª antologia brasileira de poemas de LEONARD COHEN, com organização, tradução e apresentação de Fernando Koproski. Utilizando como fonte poemas selecionados de 8 livros do autor, o volume apresenta pela primeira vez em edição brasileira poemas representativos dos temas mais freqüentes da obra poética de Cohen, permitindo uma avaliação da surpreendente poesia deste autor que no Brasil é conhecido como músico e compositor.

SOBRE O AUTOR:

Leonard Cohen nasceu em Montreal, Canadá, em 1934. Estreou na poesia com Let us compare mythologies em 1956, ao que se seguiram mais nove livros de poemas e dois romances, que até hoje instigam e influenciam diferentes gerações de leitores no mundo inteiro.
Cohen foi traduzido para mais de 20 idiomas, tais como o francês, italiano, alemão, polonês, espanhol, hebraico, chinês, sueco, dinamarquês, russo, holandês, norueguês, finlandês, tcheco, turco, croata, sérvio, romeno, esloveno, bósnio, islandês e o persa.
Estreou como músico e compositor em 1967, com o álbum Songs of Leonard Cohen. Depois disso, já gravou outros dezesseis discos. Sua obra musical recebeu homenagens, tributos e regravações por parte de artistas rock e pop, tais como R.E.M., Pixies, Nick Cave and the bad seeds, Ian McCulloch, James, Lloyd Cole, John Cale, Sting, Elton John, U2, Jennifer Warnes, Judy Collins e Madeleine Peyroux.

SOBRE O TRADUTOR:

Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 1973. É escritor, tradutor e letrista. Publicou 8 livros de poemas, entre os quais: Manual de ver nuvens (1999), O livro de sonhos (1999), Tudo que não sei sobre o amor (2003), Como tornar-se azul em Curitiba (2004) e Pétalas, pálpebras e pressas (2004). Foi co-editor e idealizador da Kafka – edições baratas.
Como tradutor, organizou e traduziu a Antologia Poética de Charles Bukowski Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém (7 Letras, 2005). Como letrista, tem parcerias musicais gravadas por Beijo AA Força, Alexandre França e Carlos Machado. É Bacharel em Letras Inglês e Mestre em Literatura de Língua Inglesa pela UFPR.

UM POEMA DE LEONARD COHEN:

Não há traidores entre as mulheres
A própria mãe não conta ao filho
que elas não nos querem bem

Ela não será domada com conversas
A ausência é a única arma
contra o supremo arsenal de seu corpo

Ela guarda um desprezo especial
para os escravos da beleza
Ela permite que eles a vejam morrer

Perdoem-me, companheiros,
Eu canto isso apenas para aqueles
que não se importam com quem ganha a guerra

(poema incluído em Atrás das linhas inimigas de meu amor).

Fragmento da orelha por Nelson de Oliveira:

Muita gente não conhece esses poemas. Mas conhece bastante bem a voz grave, áspera e vagarosa — afinada por cinqüenta mil cigarros — desse compositor e intérprete de dezenas de canções sombrias e melancólicas. Canções já clássicas, como Famous blue raincoat, The future e Waiting for the miracle. Canções que, como certos poemas aqui reunidos, tocam o Oriente, as drogas, as portas da percepção, o corpo da mulher amada, o céu e o inferno. “Suas canções cada vez se parecem mais com orações”, afirmou Bob Dylan. Os poemas também se parecem bastante com orações.
Muita gente não conhece esses poemas, essa sinistra liturgia. Mas agora vai conhecer, graças ao cuidadoso trabalho de seleção e tradução de Fernando Koproski. O mesmo Koproski que tempos atrás selecionou e traduziu ótimos poemas do Bukowski. Ótimos poemas que muita gente não conhecia. Do mesmo Bukowski desgrenhado e amassado que torcia o nariz para o elegante e alinhado Cohen. Guarda-roupa à parte, o americano e o canadense se entendem muito bem nos terrenos baldios da lírica.
Koproski recolheu vários poemas da vidraça embaçada e os trouxe pra cá. Para o calor dos trópicos. Para as cidades do verão sem fim. Que subitamente esfriaram, acinzentaram, apagaram os olhos externos para acender os internos. A nuvem de gafanhotos do Credo desceu sobre os edifícios. A montanha de Alguns homens mudou de nome e de dono. O ouro e o marfim d’As flores que deixei no chão taparam os buracos no asfalto. As mágoas e as carruagens d’A Rainha Vitória e eu atrapalharam o trânsito.
Outros fenômenos estranhos, irônicos e eróticos estão ocorrendo. Afinal os anseios carnais e espirituais desse libertino encantador foram trazidos pra cá quase sem aviso. Como eram trazidas, há milênios, as revelações violentas dos velhos profetas.

domingo, outubro 21, 2007

uma lembrancinha de "um idiota de presente"

Para quem não assistiu a temporada no Guaíra, o trecho inicial da peça "Um Idiota de Presente". Lembrando sempre que a opinião da personagem "Maria" não reflete a minha opinião (isto mesmo, senhores "o filme Tropa de Elite é facista"). Bons tempos. Quem sabe um dia eu volte com esta peça, enfim...

Maria – Olhem para esta figura fraca, patética e impotente. Sem dúvida isto é fruto de anos de história voltada para a inserção da compaixão na cabeça do ser humano. Esta mulher tem compaixão por mim, pelo tal João e claro, como todos que não tem vontade própria, por si mesma. Olhem o exemplo de anulação da vontade, sintam o cheiro de claustro e sacristia que as palavras fúteis e bregas desta mulher exalam. Eu pergunto a todos vocês qual seria o remédio para esta doença degenerativa chamada esperança? Qual o remédio para esta ilusão cultivada há séculos por pequenos usurpadores dos desejos humanos. Eu digo e repito: a morte. A morte dela ou de outro. Nós todos temos o direito de escolher quem irá morrer: ou eu ou você. A escolha está implícita na nossa natureza. Basta consultar a si mesmo e você verá: temos este poder de matar. Olhem como ela se resigna ao nada e como sente prazer em inventar desculpas. Olhem como ela sente prazer em cultivar uma culpa que não existe. Dá onde vem isto tudo? O que a torna “melhor” do que eu? Vocês acham que estou enganada e que o matar não faz parte da nossa natureza? Quem sussurra agora mesmo em nossas cabeças a sentença de que Sônia é boa e eu sou má? Sempre quis o melhor para ela.. Eu sei que matar faz parte da luz que move todo o ser humano e que esta luz nos fará pessoas melhores. Ter o poder de julgar quem deve morrer ou não e consumir o ato é para os mais elevados, eu tenho certeza disto...mas preciso de uma prova, de um fato, de um ritual. Preciso que Sônia. Mas como? O cristianismo já tomou conta do corpo de Sônia e agora me parece algo impossível provar para ela que o paraíso é mera literatura. Como fazer com que Sônia siga a sua própria natureza? Esta é uma experiência definitiva. É preciso que as pessoas dominem o poder destrutivo existente em sua natureza para que elas possam lidar com o matar. A minha irmã não será mais uma idiota.

quarta-feira, outubro 17, 2007


Blog novo de literatura e artes. Publicaram um poema do meu livro "Mata-Borrão, Batom". Aliás, um dos poemas que eu mais gosto, "café da manhã". Entrem e fiquem à vontade.
Projeto de escrita de um novo poema

Verso um: crítica a adolescentes enturmados
Dentro de um esquema desfile da Fórum
Ou outra marca de impacto no cristal fashion
De dois mil e pouco como Alexandre Herchovich
E outras futilidades óbvias
Que façam ligar o néon da palavra “cresçam”
Falada por Nelson Rodrigues
Num canal aberto num programa que “comemora”
Alguns anos da morte de celebridades
Antiquadas
É irônico como quem está para morrer
Tende a entregar os pontos
E ao mesmo tempo
Tende a achar que o mundo
Será como ele sempre quis que fosse:
Feliz
E principalmente morto.

terça-feira, outubro 16, 2007

Apareçam

segunda-feira, outubro 15, 2007

em homenagem à Edith Piaf e ao ótimo filme sobre ela que está em cartaz nos cinemas

e não me venham falar que a cena do pai empurrando a filha para cantar no meio da praça é um clichê, por que não é. Esta é uma cena necessária quando se fala sobre o começo de carreira de uma cantora como Edith Piaf. Um começo de carreira árduo, mas nunca um clichê. Sempre uma necessidade.

domingo, outubro 14, 2007

garoa

O suor das xícaras de café
No peso da minha digitação
O choro das calhas das casas
Abandonadas
O líquido frouxo das bocas
Úmidas dos cães de guarda
Latindo
As latrinas, as pias, as toalhas
Os chuveiros chovendo
A assepsia das donzelas do batel
O mundo
Lacrimejando o tempo todo
Por todos os poros
A fala descompassada de alguém
Que soluça e chora
O gesto de adeus de alguém
Que soluça e chora
A boca seca de alguém
Que soluça e chora
O suspiro final de alguém
Que soluça e chora
A minha voz presa
No conta-gotas da lógica
Que soluça e chora

quinta-feira, outubro 11, 2007

Abertura da minha próxima peça "Final do Mês"

Tem gente que passa anos sem ser reconhecida, levando o passado estampado na cara, levando todos os dias a roupa suja dos filhos e do marido na lavanderia do bom senso. Tem gente que mata o tempo na beirada da varanda, brincando com o salto, brincando com a iminência, brincando com a precariedade. Tem também os que fumam a vida inteira escondidos da família, na esperança de que aquela gente tão próxima não descubra o poço de fragilidades e recalques a sufocar o cérebro. Tem gente que não suporta os seus próprios recalques. Tem gente que quebra todos os espelhos da casa antes de sair. Tem homem que bebe escondido da mulher, para que ela não perceba que aquela desenvoltura, aquela sensível violência é fruto de algo engarrafado numa industria onde milhares de garrafas como aquela são engarrafadas. Tem gente que prefere o tédio a uma fotografia feliz. Tem gente que prefere dormir no colo silencioso da solidão. Tem gente que prefere esquecer as contas para pagar no final do mês. Tem gente que prefere esquecer o filho na saída da escola. Tem gente que prefere fugir para qualquer lugar onde não existam pessoas queridas, entes queridos, indivíduos pelos quais você morreria. Tem gente que prefere nunca mais encontrar estas pessoas, para se livrar do restinho de responsabilidade que subsiste no final do copo. Tem gente que prefere cães a gatos. Tem gente que se vê num cão sem uma das pernas. Tem gente que vê a sua dependência na dependência deste cão. O ser humano é um animal altamente dependente. É na dependência que se encontra o desespero humano, é na dependência que se encontra a maior concentração de carne humana, é na dependência que se percebe que as coisas são mais fáceis do que se imagina. Tem gente que prefere dar um tiro na boca, a atravessar o centro de carro com o intuito de finalmente voltar para a casa.

sábado, outubro 06, 2007

Pra quem estiver em Sampa - Imperdível

sexta-feira, outubro 05, 2007

Somente funcionários

Pela saída dos funcionários
Monstros arrotando estimulantes
Ordens de tirar a roupa
Ordens de tirar a pele
A carne, a alma
Nas vagas para deficientes
Carros blindados de políticos
Fracassados e corroídos pelos vícios
Mundanos de uma zona de quinta categoria
Subsidiada pela guarda municipal
Uma festa a fantasia
Na cobertura dos prazeres mínimos
Alpinistas sociais a retorcer seus mamilos
Com o alicate da vaidade
Com o alicate da obviedade
Com o alicate da perversão
Jovens donzelas desencaixam
Suas ancas e se colocam na vitrine
Da virgindade em ponta de estoque
Luas e sóis nos salões da mendicância
Produtos de beleza para miseráveis
Nos porões da maldade classe média
Controles remotos a controlar o nosso descontrole
Estandes de tiros à nossa inveja escancarada
Empresários arrotando slogans e sendo obrigados
A mastigar novamente estes slogans
Drogas a estimular a nossa raiva
Com efeito a durar anos, milênios
Metralhadoras gargalhando sua estridente risada
Pelas ruas da cidade
Trovoadas de escopetas em nossas cabeças
Pela saída de funcionário
Pessoas perdendo a inocência
Pela esteira de produtos embalados à vácuo
Próteses penianas do tamanho de prédios
Do tamanho de arranha-céus
Bichas e putas abraçando a causa
De se ter a liberdade de ser empalado
Por uma destas próteses penianas
Ongs marcham em favor dos que são a favor
Do sexo em locais públicos
Lançamento de livros lançam páginas e mais páginas
Em branco
Em branco com manchas de vinho tinto
Em branco com manchas de algum canapé de tomate seco
Em branco com manchas de alguma doença maligna
O mundo é engolido de doze em doze horas
Pelo tédio de não se ter absolutamente
Nada a fazer diante
Da fome de pessoas
De algum país do terceiro mundo
Onde uma criança morre a cada cinco segundos
Quatro
Três
Dois
Um
Em branco com manchas de desespero real
Em branco com manchas da cor que todos procuram evitar

Na saída dos funcionários
Vestimos a roupa do tédio
E
Replicamos
Com o picador de gelo dos dentes
A palavra: felicidade.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Estou de volta

O diabo espera ser amado
Com maldades baratas
E eu com a minha carência calculada
Respiro o ar do ar condicionado
Com a ofegante pressa
Dos quase afogados dos prédios enrugados do centro
Fumando teorias em cafés da moda
Arrotando arrogância na cara fofa de egos inflados
Neste calor do inferno
Os que estão bêbados
Esperam ser amados
Roendo a unha da inconveniência
E da incompetência
Perdido na privada dos sentimentos artificiais
Dormindo no balcão do desprezo
Estou de volta
Caçando o amor
Com o arpão cego das bebidas alcoólicas
Com o flerte inconseqüente
De uma caneta bic
Arrasando casamentos no castelo do batel
Ou no clube curitibano
Criando universos em copos de plástico
Desbravando a caverna úmida
Dos cantos da Ilíada
Tomando uma última lata de cerveja quente
Aos pés da reitoria
Não, não volto com a carapuça recalcada de um centro acadêmico
De algo que tiraria a roupa e se mostraria podre
E falido
Meu panfleto é reciclado
Na máquina de moer conceitos
Dos decadentes devoradores de madrugadas inúteis
Dos postos de conveniência, altares iluminados por estações tubo
Estou de volta
Com uma foto 3X4 da cantora Maysa na carteira
Estou de volta
Com a minha fossa de fim de semana
Com o tédio violento a encurralar
Os corações adolescentes
No final da fatídica e previsível sessão da tarde
Eles esperam ser amados
Bitucas acesas na área transparente
De não-fumantes
Um bafo de ópio
Na cara de um atendente de telemarketing
Um gole de cicuta quente
Num canto higienizado do mc donald´s
Uma última declaração de amor
No jornal de domingo.

domingo, setembro 30, 2007

Apareçam

sábado, setembro 29, 2007

Imperdível.

Nesta terça, dia 2, às 19:00h, o meu amigo Ricardo Corona lança o livro-disco de poesia "Sonorizador" . Este trabalho é fruto da pesquisa que o Corona vem fazendo sobre poesia sonora e derivados. Acontece nesta terça, dia 2, no Palacete Wolf na Praça Garibaldi (em frente ao cavalo babão, onde era a sede da Fundação Cultural de Curitiba). No cardápio: lançamento do suplemento literário de Minas Gerais e mesa redonda sobre "poética em performace e som". Vinho, poesia e uma boa conversa. Apareçam.


Serviço

Poéticas em performace e som

2 de outubro (terça) às 19:00h
Sede da coordenação de literatura
Palacete Wolf,
Praça Garibaldi (em frente ao cavalo babão)

terça-feira, setembro 25, 2007

Imperdível.


O Davi Sartori é um puta pianista. Ele tocou comigo nos shows que eu fiz lá no Sesc Vila Mariana em São Paulo, e pelo pouco que eu sei de música eu posso dizer: o cara toca pra caralho. No programa: Radamés Gnattali, Egberto Gismonti, Pixinguinha, entre outros. Vale a pena conferir. É amanhã às 18h30, no museu paranense - Rua Kellers, 289 - (no largo da ordem, perto da mesquita, em frente as ruinas).

sexta-feira, setembro 21, 2007

Medusa de Rayban na pele suja de São Paulo

Minha mão tremia na iminência de tocar a pele suja de São Paulo, com suas ruas tortas, viadutos esfomeados e respiração ofegante. Andei feito um louco de manhã, de tarde e de noite, a procura de mais um tipo de polimento para o meu CD. Entrei no ritmo de rebite que a cidade carrega a cada estação de metrô e fui tragado pelo pânico, às vezes. Visitei rádios, visitei prédios, acordei cedo. Ali, na praça Roosevelt, bebi alguns goles de cerveja, que há muito eu não bebia (acho que, mais precisamente, um mês), com figuras como o Picanha, o Ceccato, o Pinduca, o Marcelo Montenegro, depois de assistir a “Medusa de Rayban” do Marião. Voltei pra Curitiba com vontade de falar mais sobre a peça. Nem tanto sobre os shows ou sobre o lançamento. Já estava cansado daquilo; também se eu falasse sobre o show ou sobre o lançamento do livro, eu acabaria resumindo os dois eventos em algumas palavras do tipo “é, foi bom pra caralho” e não teria mais o que contar, já que é foda ter que discorrer alguma coisa sobre nós mesmos (muito embora eu faça isto com frequência com um prazer quase masoquista). Prefiro escrever um pouco sobre a “Medusa de Rayban”, um texto pirado que parece conversar de perto com o espectador sempre quando pode cuspindo exaustivamente uma saliva suja e ácida nos nossos olhos sorridentes.

“Medusa de Rayban” é escancaradamente escrachada (e isto me lembrou um pouco do livro “América” do Robert Crumb, com seu traço sujo e críticas radicais). Jack Daniels, o personagem principal da peça, manda tudo que ele encontra pela frente ir tomar no cu. Matador de aluguel, Jack é encarregado de matar o pai de um estranho rapaz, com modos afeminados, chamado Haroldo. A partir daí, tudo é mostrado com tintas fortes, numa espécie de expressionismo contemporâneo. Haroldo fica de quatro para o outro matador de aluguel (amigo de Jack, o Johnny Walker), o pai de Haroldo (que bebe durante toda a cena) aparece vestido de papai noel, um outro matador frustrado é enrolado por um diretor de teatro afetado. Tudo vai acontecendo de uma forma amontoada, no bom sentido que uma bagunça entre amigos possui. Eis que durante um diálogo o profético papai noel nos avisa: “o futuro é bunda”.

Apesar de engraçada, “Medusa de Rayban” possui uma melancolia desesperada em sua estrutura. Desde o solilóquio inicial de Jack, contando uma história bizarra sobre o seu pai (que perdeu todos os dedos por conta de uma mania de coçar o corpo), até a triste constatação de Johnny Walker que prefere não matar o “papai noel” justamente pelo fato deste ter entregado totalmente os pontos ao resumir a sua vida em “beber cerveja e assistir mtv”. “Medusa de Rayban” é engraçada, mas triste. Fiquei com a sensação de ter perdido alguma coisa, a depressão da chuva, o choro dos inocentes. A gente ri o tempo todo, tudo é meio escrachado, meio debochado. É a acidez queimando aos poucos a banalidade do mundo contemporâneo. É a voz da escória e das pessoas invisíveis falando mais alto. E onde fica a normalidade? Onde fica a família, com sua grama verde, com sua rotina azul? Acredito que a peça tenha alcançado o seu objetivo de demonstrar tanta vida latente para um futuro que já é bunda. São Paulo foi mais intensa naquele teatro – não consegui sair do ritmo que a cidade nos impõe. “Medusa de Rayban” é torta como as ruas paulistas e nos engole como os seus viadutos. Ali, pelo menos, a rotina não foi verde como a grama feliz de uma família “feliz”. São Paulo me deu acesso ao outro lado. Mês que vem eu volto pra garoa.

quinta-feira, setembro 13, 2007

lançamento do livro "Mata-Borrão, Batom" em São Paulo.




Dia 18 de setembro (na terça, dois dias depois do show no sesc) acontece às 20:00h o lançamento do livro "Mata-Borrão, Batom" na Mercearia São Pedro, que fica na rua Rodésia, 34 - Vila Madalena. tel.: (11) 3815-7200. É a maratona França-Sampa - 2007. Apareçam...

terça-feira, setembro 04, 2007

Show no SESC Vila Mariana em São Paulo - Dias 9 e 16 de setembro (neste domingo e no próximo).

Nos dias 9 e 16 de setembro vai rolar dois shows de lançamento do CD "a solidão não mata, dá a idéia" na praça de eventos do SESC Vila Mariana em São Paulo às 13:30h. Estarei bem acompanhado pelos músicos Davi Sartori (teclado), Sérgio Albach (clarinete) e Luciano Madalozzo (percussão). O SESC Vila Mariana fica na Rua Pelotas, 141 - tel:. (11) 5080-3000. Entrada franca.

O curitibano Alexandre França vem se destacando na cena cultural de sua cidade não só na área da música, mas também no teatro e na literatura. Em março de 2007, além de lançar o CD de canções “A solidão não mata, dá a idéia” – acolhido pela crítica local como “o melhor cd já produzido em Curitiba” (revista idéias, número 57) - , França também estreou no teatro ao dirigir a peça “Um Idiota de Presente” de sua autoria, que esteve em cartaz no teatro Guaíra por duas semanas com uma boa aceitação do público. Também em 2007 ganhou uma menção honrosa do prêmio Helena Kolody de poesia - categoria nacional, no qual mais de 1600 poemas foram escritos.

Na música, Alexandre é influenciado por compositores que vão de Lupicínio Rodrigues à Arrigo Barnabé. É no cruzamento entre a violência depressiva das canções de fossa dos anos cinqüenta e a violência estética das vanguardas da mpb, cuja inspiração se encontra muitas vezes na esquizofrenia das grandes cidades, que Alexandre França tece o seu painel de canções. Neste seu primeiro trabalho - “a solidão não mata, dá a idéia” - , França cria uma espécie de fossa contemporânea a partir da agressividade que a noite curitibana impõe aos seus integrantes, misturando solidão e ironia em letras ácidas e melodias melancólicas.

sexta-feira, agosto 31, 2007

POEMA CARTAZ - espero todos vocês no dia 2 de setembro

Feira do Poeta
02 DE SETEMBRO - (DOM.)
Abertura do Projeto.
Lançamento e autógrafos do POEMA-CARTAZ Coito
Poeta Mario Domingues
Artista plástico Glauco Pessôa
Leitura e música, com o poeta Alexandre França
Local : Feira do Poeta. Sede da Coordenação de Literatura / Palacete Wolf - Andar Térreo. Praça Garibaldi, 7
Horário: 11h

11 DE SETEMBRO - (3ª F)
Abertura do projeto PALAVRA DE POETA
Poetas
Luci Collin, poeta e ficcionista
Antonio Thadeu Wojciechowski, poeta e escritor
Mediador
Ivan Justen Santana, poeta e tradutor
Performance
Emílio Pitta, ator, diretor e autor teatral
Local : Feira do Poeta. Sede da Coordenação de Literatura / Palacete Wolf - 2º andar. Praça Garibaldi, 7
Horário: 19h

28 DE SETEMBRO - (6ª F)
Abertura do projeto ALMA
Palestra com a poeta, letrista e tradutora Alice Ruiz
Local: Feira do Poeta. Sede da Coordenação de Literatura / Palacete Wolf - 2º andar. Praça Garibaldi, 7
Horário: 19h30m

segunda-feira, agosto 27, 2007

absurdos

É um absurdo
O que eles fazem comigo
E com você
Apertando parafusos
que já foram afrouxados
Alfinetando a textura vodu
de nossas réplicas estáticas
E felizes para sempre
É um absurdo esta sonda
a nos perfurar a medula
E a nos dizer baixinho
E rindo sobre o inimigo
Mulheres gozando destruições,
Demolições e
Rompimentos.
Eles nos querem separados
O x e o y em outros corpos
A dúvida entre nós dois
A cada foto.
É um absurdo
Arrumaram o nosso quarto
E recolocaram os livros na estante
E amarraram o cadarço
Da saudade
Batizaram a nossa bebida
Nos incitaram a dizer “verdades”
É um absurdo o que eles fazem
E é um absurdo brigar
Com qualquer um que não seja
Eles.
Imperdível

segunda-feira, agosto 20, 2007

Momento em que foi composta a canção "como numa brincadeira". Bons tempos da Casa da Claudete.

sábado, junho 30, 2007

Mundo dopado

Ontem vivi um mundo dopado
Ao lembrar de você
Cactos disfarçados de magnólias
Feridas abrindo flores, pingando pétalas
E a história passando de bicicleta
Pela via rápida
Um éden sufocado pela redoma
Do suvenir de plástico em minhas mãos
Nevando numa casinha de madeira
Nuvens caindo em meus dedos como luvas
Um piano de brinquedo tocando uma sinfonia
As cores das frutas da feira
Na minha cabeça
No beijo na boca
Ontem vivi um mundo dopado
Ao lembrar de você
Cidades em caixas de fósforo
Chamas encarceradas no espírito
Um cara correndo milhares de quadras,
Atrás de uma mulher vestida de noiva
Concretizando o final de um filme
Transformando clichês hollywoodianos em
Universos paralelos
Ontem vivi um mundo dopado
Ao lembrar de você
Na rua uma floresta de notas barrocas
De vozes e vodka, de corpos abraçados
De olhos afogados
Pelo amanhecer
A retina vidrada, as mãos trêmulas, a mandíbula dura,
O estômago se liquefazendo, suspiros em bolhas de sabão
Eu ali deitado, quase morto, sobre um bafo
De ópio e ódio, vivendo o ontem e o antes de ontem
A espera de que hoje
Você me acordasse
Pra realidade.

quinta-feira, junho 21, 2007

Carvão e Seresta no Myspace

Pra quem ainda não adquiriu o cd "a solidão não mata, dá a idéia", coloquei mais duas canções deste trabalho lá no myspace :Carvão e Seresta. Uma delas, feita em parceria com o meu amigo poeta Edson Falcão (carvão). Sempre lembrando que o cd já está a venda no site da saraiva

terça-feira, junho 19, 2007

Vozoff





Dia 21 (agora sim é vinte e um), quinta-feira, meu amigo Luiz Felipe Leprevost, que vocês já conhecem, estará no evento Vozoff produzido pelo Mário Domingues e pela Nena Inoue. Ele estará apresentando o seu trabalho solo, entitulado "Fumando o último cigarro do maço antes de atravessar a rua dos pingüins tristonhos." É dia 21, às 20horas, no ACT (Ateliê de Criação Teatral), Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305 - São Francisco (Fica bem atrás do Cemitério Municipal), e é de graça. Fone pra contato: 41 3338-0450. Apareçam.

segunda-feira, junho 18, 2007

É NO DIA 22

Enfim, não sei se vocês perceberam o erro do post anterior, mas o show na Saraiva do Shopping Cristal será no dia 22 (vinte e dois) na sexta-feira às 19:00 horas. Apareçam e divulguem.

sábado, junho 16, 2007

SHOW NA SARAIVA DO SHOPPING CRISTAL/ VENDA DO CD NA SARAIVA.COM.BR



Gente, próxima sexta (dia 22) vai rolar um pocket-show-voz-e-violão na Saraiva do Shopping Cristal às 19:00. Este show marca a venda do cd "a solidão não mata, dá a idéia" na loja da Saraiva. Lembrando que o CD já está a venda na saraiva.com.br.



Apareçam e ajudem a divulgar.

quinta-feira, maio 31, 2007

sim: eles conseguiram! ai, que saudades...




segunda-feira, maio 28, 2007

dica da semana
esquecimento

não se esqueça de mim, prédio
não se esqueça de mim, céu
não se esqueça de mim, asfalto
não se esqueça de mim, perdão
não se esqueça de mim, porta
não se esqueça de mim, janela
não se esqueça de mim, casa
não se esqueça de mim, solidão

lembre-se de me lembrar
e de me falar e de comentar
que estive aqui, falando coisas
lembrando coisas, lutando contra
o esquecimento
não se esqueça de mim
não se esqueça do meu olhar
do meu sorriso, da minha embriagues
e de como eu fico engraçado embriagado
e de como eu fico arrogante pela manhã
e de como peço licença
e de como eu caminho pela madrugada rumo ao sol

não se esqueça de mim, sol
não se esqueça do meu abraço
não se esqueça da minha carne
não se esqueça de tecer a carne
dos meus olhos nas facas da sua cabeça
não se esqueça

os que me odeiam
não se esqueçam de me odiar
e de comentar como sou imaturo
inconsequente, intolerante, indecente
os que sentem nojo de mim
lembrem-se da minha saliva, do meu gozo
do meu sangue escorrendo nas valas
do seu desgosto

não se esqueçam
dos dias que perdi
das noites que perdi
da esperança que me deu tchau
no ano novo

não se esqueçam de me atender
no dia de ano novo
e de me ligar e de me mandar mensagens prontas
e de apertar o botão rosa da ilusão e de falar "parabéns"
quantas vezes for necessário
e de me deixar ganhar a partida de sinuca
e de me deixar tomar a saideira
e de me lembrar de que já é tarde demais
para nascer, para lembrar, para esquecer
para dormir

para ter sono.

quarta-feira, maio 16, 2007

Lolita Pille





Depois de ler o livro da Lolita Pille (sim, o fenômeno editorial na França) "Hell", voltei a pensar sobre a questão do indivíduo na poesia. Voltei a pensar principalmente na questão do contexto e também da linguagem (mais especificamente na minha). Claro que "Hell" é um romance (Lolita não escreveu um livro de poemas...até aonde eu saiba), mas o que me intriga é a forma como ela se expõe no livro (quer dizer, não sei se o livro é baseado em fatos reais, mas o leitor tende sempre a acreditar que um pouco daquilo é real).

A pegada da moça, neste caso, é meio Bukowski, direta, cortada e sempre tratando sobre um "eu" controvertido (é uma pena que, em alguns poucos momentos, ela perca a mão beirando o piegas ao falar sobre o caso principal do livro, mas fazer o que, né). A grande diferença é que Bukowski falava sobre um desajustado fudido que não consegue se enquadrar no "sonho americano". Lolita fala sobre uma patricinha mega-ultra-rica (tipo, muito rica, topo da elite...daquelas que passam o feriado do dias das mães nas Ilhas Gregas só pra pegar uma cor) que se enquadra perfeitamente no modelo capitalista selvagem que vivemos atualmente. Ela, no livro, explode com a sua metralhadora verbal este modelo, mas não consegue sair dele. Está completamente presa à facilidade e à futilidade que este modelo lhe impõe. É o outro lado da moeda. É como se pegássemos um Chinaski da vida e entulhássemos dinheiro em suas entranhas.

A crítica dos dois, no fundo, incide sobre o ser humano. É neste ponto que eu queria chegar. Notem que são contextos diferentes, mas uma desilusão quanto ao indivíduo muito parecida. "Hell" (personagem do livro da Lolita) continuará se drogando, pois acredita piamente na falta de saída inerente ao ambiente que a rodeia. "Chinaski" continuará bebendo e "mandando ver", pois não aceita o mundinho artificial que a sua sociedade prega como o ideal (e, obviamente, não se submete aos sub-empregos e a subserviência existente neste tipo de sistema - ou seja, "Chinaski" não aceita "o patrão") .

Este paralelo é bem interessante de ser traçado. Ambos falam sobre a falta de saída (ou de entrada...hã, enfim) e, não sei por que, lembrei agora de um clássico da literatura: "Cândido, ou o otimismo" de Voltaire. Neste caso, um ser é idealizado para se expor a fraqueza moral do indivíduo (novamente o indivíduo) que possui uma esperança no amor e nos homens que beira ao absurdo - ah, neste sentido, tem também "O Idiota" do Dostoiévski, com uma potencialização na questão do dinheiro. Na "A Divina Comédia" de Dante, o inferno é idealizado para se expor os defeitos do ser humano (é claro que, no caso do Dante, a coisa ferve justamente por ele ter colocado toda a patota de pessoas que ele não gostava ardendo nas profundezas).

Enfim, escrevi tudo isto para dizer que acho "Hell" um livro completamente pertinente ao nosso tempo, no qual se percebe uma decadência notável no sistema que hoje impera no mundo. Acho que "Hell" segue uma tendência mundial da literatura: a de expor o individuo de uma forma ainda mais crua, sem recalques, sem máscaras, para assim se criticar o mundo em que vivemos.

terça-feira, maio 08, 2007

Vamos todo mundo ao Guairinha, às 18h, neste domingo, dia 13.

Gente, todos os leitores deste blog devem comparecer ao Guairinha neste domingo para ajudar a maior atriz do Paraná, a minha amiga Claudete Pereira Jorge. Ela vai para Grécia apresentar a Ilíada numa bienal de artes realizada em Tessalonic (acho que é assim que escreve) sob a direção do mestre Octávio Camargo. Para ajudá-la com os custos da viagem, os amigos que se reuniam em sua casa para criar, expor idéias, discutir conteúdos e bagunçar um pouco, estarão reunidos no palco do Guairinha (neste domingo) para trazer o mesmo clima da Casa da Claudete para o palco.


Como bem disse o Thadeu, "Vamos fazer uma festa pra essa mãezona que merece todo o carinho do mundo".

CLUBE CLAUDETE AO VIVO

IMPERDÍVEL

Alexandre França
Luiz Felipe Leprevost
Mazzarolo (Mázzar)
Octávio Camargo
Thadeu Wojciechowski
Troy Rossilho
Participação Especial: Seo Henrique

A catarse coletiva
Dos artistas do Clube
Vai até o público aberto
Recursos para a ida da
Companhia Ilíadahomero de Teatro
À Europa

Dia 13 de maio – DOMINGO
às 18 hora – Guairinha
Colaboração: R$ 20,00

Ajude a vender ingressos:Informações 9217-0979 / 9618-6292

segunda-feira, maio 07, 2007

Me perdoa

Estou de volta Curitiba
Lambendo com a sola dos pés
O seu asfalto como
quem lambe por vingança
A vulva de uma mulher
E a chuta na próxima esquina
Curitiba, minha putinha
Eu falo que te amo sem te amar
Eu beijo a sua boca
Com a pior das intenções
Curitiba, me perdoa
Por pensar em você
Durante as 24 horas deste seu tempo
Mofado
Curitiba, me perdoa
Por ficar, no final das contas,
Pra sempre ao seu lado

sexta-feira, abril 27, 2007


- PARA COMPRAR O CD -



Muita gente me enviou e-mails querendo saber como comprar o CD. Funciona assim (passo por passo):
1 - Depositar R$20,00 (R$15,00 do CD e R$5,00 das despesas do correio)
No Banco do Brasil
conta - 1405-2
agência - 15229
Em nome de Alexandre Gil França (sim, eu tenho um "Gil" no meio do nome, mas não sou parente do Ministro)
2 - Depois de depositar, mande um e-mail para contato@alexandrefranca.com.br com o número do documento do depósito e com o nome e endereço completos.
3 - Assim que eu receber este e-mail, mandarei um outro de resposta confirmando o pedido. Se você recebeu a resposta, é sinal que o CD já foi enviado para o seu endereço. Daí é só aguardar (demora de dois a três dias para chegar).
É isto
Grande abraço

frança

segunda-feira, abril 23, 2007

E amanhã

ALEXANDRE FRANÇA NA FNAC CURITIBA

A Fnac traz o compositor e cantor Alexandre França para apresentação de seu primeiro CD de canções, "Alexandre França - A solidão não mata, dá a idéia". Pocket show acústico.

Com um estilo ácido e direto de escrever letras, Alexandre não perdoa os defeitos e manias de seus personagens (prostitutas e cantores de bares), que acabam, através de um antilirismo, adquirindo contornos humanos bem próximos à realidade. Inspirado em compositores que vão de Lupicínio Rodrigues a Arrigo Barnabé, este cd é uma releitura contemporânea do tema noite, que foi tão recorrente na mpb do passado, e que hoje está praticamente esquecido. O CD (produzido e arranjado por Gilson Fukushima) conta com a participação de músicos da cena curitibana, como Endrigo Bettega, Sérgio Albach, Sérgio Justen e Guilherme Romanelli.

Terça-Feira 24/04/2007 Às 19:30, na Fnac Parkshopping Barigui
Informações: (41) 2141-2003
Entrada Franca

quarta-feira, abril 11, 2007

Não esqueçam!

segunda-feira, abril 09, 2007

ei, guria
então, sonhei que jogava boliche
numa pista de silêncios constrangedores
e a bola negra e brilhante
era o mundo derrubando os peões
inoperantes
a vodka, minha única arma branca
nunca quis me matar
e você me esperava na porta
balançando um chaveiro velho
pra lá e pra cá
eu te falava vem cá
você ficava sem nada a perder
eu beijava desajeitado
o seu sorriso parado no canto da boca e...
engraçado
isto no sonho me fez sorrir sem querer.

sexta-feira, março 30, 2007

Não dê bandeira

Ah, o céu azul
Ah, as ondas do mar
Ah, o amor
Ah, a alma
Ah, que chatice

quinta-feira, março 29, 2007

E mais uma vez

acordo de ressaca e um poema do grande poeta Sergio Mello me bota um sorriso na cara minutos antes de eu tomar o meu habitual cafezinho ali na esquina. Porra, parece que o Sergio estava ontem comigo no final da noite e me viu cometendo uns poemas desesperados em guardanapos.

Álcool

há um problema sério com álcool na família
meu tio bebe
e assassina o cunhado
meu primo bebe
e assalta um posto de gasolina
eu bebo
e escrevo um poema

Sergio Mello

quarta-feira, março 28, 2007

Jogo limpo

Você só sabe criticar o verso alheio
Catando à tapa as amoras do quintal
E em festas badaladas traz no peito
A pedante munição do seu arsenal
Citações em grego, russo ou aramaico
Um buraco negro cheio de motivos
A vontade imbecil de ser o bom do bairro
A necessidade imensa de ser aplaudido

Vem, que eu quero te mostrar a minha vida
Vem, que eu quero com você um jogo limpo

Mostre as suas cartas de amor
Que eu mostro os meus bilhetes suicidas

terça-feira, março 27, 2007

e dia 19 de abril, no mini-guaíra

domingo, março 25, 2007

Veja só

como a vida é. Acordo com uma ressaca filha da mãe, resolvo ler um poema com aquele intuito de receber algum sopro de inspiração de poeta marginal daqueles que ensinam copiosamente jovens da minha idade a beber uma quantidade ainda maior de álcool, e advinha o que acontece: eu de fato me inspiro. O problema é que quando a cadela aqui de casa começou a uivar...bateu uma ressaca moral, mas enfim, o poema é este:

A felicidade bate à minha jaula

cheguei em casa truculento
Estripei minha mulher
desossei meus filhos
taquei fogo nos vizinhos
não porque sou violento
mas por estar carente de carinho

acordei feliz e satisfeito
numa jaula cheia de companheiros
sem mulher, crianças e vizinhos
só com amor carinho e compreensão
guardas, grades, cães e carcereiros
aqui protegem do mal meu coração

Marcos Prado e Edson de Vulcanis

sábado, março 24, 2007

Mais uma do Henry

"Gosto de textos que fluem, sejam eles hieráticos, esotéricos, perversos, polimorfos ou unilaterais. Amo tudo que flui, tudo que tem em si tempo e transformação, que nos leva de volta para o princípio onde nunca há fim: a violência dos profetas, a obscenidade que é êxtase, a sabedoria do fanático, o padre com sua ladainha elástica, os palavrões da puta, o cuspe que passa na sarjeta, o leite do seio e o mel amargo que escorre do útero, tudo quanto é fluído, derretido, dissolvido e dissolvente, todo o pus e a sujeira que, ao fluir, purifica-se, que perde seu sentido de origem, que percorre o amplo circuito em direção à morte e à dissolução. O grande desejo incestuoso é continuar fluindo, unido com o tempo, fundir a grande imagem do além com o aqui e agora. Um desejo insensato e suicida, obstruído pelas palavras e paralisado pelo pensamento".

Henry Miller

sexta-feira, março 23, 2007

A Fossa Nova

Leiam a entrevista que eu concedi ao "jornal comunicação" da UFPR. Interessante... http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/537
O dia em que eu conheci o esquecimento

O esquecimento me abraçou.
Não pensei duas vezes
Antes de um dar um tapa
Nas suas costas:

Esqueci do final da tarde
Esqueci do final da garrafa
Esqueci do final da novela

Quando fui esquecê-la
Me senti incompleto
Um completo perdido
talvez eu não tenha entendido
a brincadeira do esquecimento
Ao me olhar no espelho partido
Eu já havia desaparecido

segunda-feira, março 19, 2007

Amanhã no Wonka - Porão Loquax - França lendo Bia de Luna

Recital de poemas da Bia de Luna! Uma lenda viva da poesia Curitibana! Naquele horário de sempre (11:30 da noite), entrada 1,99, no Wonka Bar (Trajano Reis, 326 - Fones - 3026.6272 : 3014.6252). E depois microfone aberto para a poesia da galera. APAREÇAM!

domingo, março 18, 2007

Letra escrita em cima de mais uma música do Octávio Camargo.

Beijo de tchau

A geada chegou
Soprando todo o fogo
O vento provocava a sua fala improvisada
A dor
Parando com o verbo o tempo
Congelando fragmentos do meu olhar
Um arranha-céu, os dedos do ar
Uma estrela que apagava num estalo
Eu sinto falta
Do seu silêncio
Você me oferecendo um cigarro
Num destes cafés do centro
Eu te decifrava e você me encontrava
Desfilando o seu andar lentamente
Te solucionava
E você a me entregar todo o mau
Guardado no cofre
Dentro da sua cabeça
Num beijo de tchau.

sábado, março 17, 2007


Bem interessante a entrevista que o poeta Rodrigo Garcia Lopes concedeu ao jornal Rascunho em 2004. Acho que a minha visão sobre o que acontece no cenário poético brasileiro hoje é mais ou menos essa:

"Algo que tenho observado em parte da poesia brasileira que tem sido publicada e em antologias recentes é que ela, com felizes exceções, está muito contida, chata, livresca, pedante, literária demais. Tem uma poesia conservadora, que não me interessa. Poetas jovens que escrevem como velhos, como se estivéssemos nos bons tempos do século 19, nos idos áureos da Semana de 22 ou mesmo na era concretista, como se nada tivesse acontecido depois.

Poesia do tipo:

Nas fímbrias dos furibundos vagalhões
Sois a Carrara da pele imaculada
Nos grotões onde repousa minha erma puberdade
Lembro-me de meu pai...

Ou destilações de Bandeira:

Quando eu era menino
Olhava com os olhos tristes para a velha samambaia...
Da janela do quarto, que dava para a Consolação,
e onde eu bebia café
Via o gatinho doente na varanda do vizinho
do lado de um pires vazio.

Como escreveu o poeta William Carlos Williams: “Arte ruim é aquela que não serve no contínuo serviço de limpar a linguagem de todas as fixações sobre usos mortos, mal-cheirosos do passado”. Por outro lado, muitas vezes também tenho a impressão de que poetas diferentes estão escrevendo um mesmo poema. Digo isso em relação a um tipo de poema curto, que muitas vezes são fragmentos de descrições estilizadas (geralmente da janela de um apartamento, com o poeta entre reproduções de Mondrian, tomando chá de camomila, lendo livros chatos e fazendo cara de inteligente). Para mim, esses poemas também escondem, sob uma pretensa “concisão”, uma falta danada do que dizer.

Poemas do tipo (estou inventando agora):

A avenca, à
janela
embora (caligramas),
outra
paisagem pousa
na palavra
glamífera.


Ou ainda:

O gato, quer dizer,
(embora nem tanto)
pisa pé,
ante pé (pétala)

enfim, quase um
triciclo quebrado,
búgulo pistilo, que
edulcorasse

por sobre o vermelho
(como num quadro de
Bacon), mas
a luz do poste
na testa, que,
aprés midi,
talvez, sei lá
etc.

Quando não temos diluições pioradas de um Manoel de Barros (também estou inventando agora), como:

Quando chove a barriga da formiga horizonta a tarde.
A lesma é versada em pedra de jardim.
A perna quando puxa tubarão não tem orelha.
E a manhã estruma na canga do poente.

Acho estes tipos de poesia chatas pra caramba. Concisão, em poesia, não deve ser tanto uma questão de quantidade, mas de qualidade de dizer. Esses “procedimentos”, “fraturas” e personificações geralmente mascaram um pensamento superficial, pobre de vida, sem viço. Afinal, poesia tem que dizer alguma coisa. Talvez no Brasil a própria poesia, enquanto discurso ou anti-discurso, esteja em crise. Talvez por ser um terreno valorativamente mais indefinível e movediço, infelizmente a poesia se presta a todo tipo de picaretagem e bobagem. Na narrativa é mais difícil: fica claro quando o cara sabe ou não contar uma história, que é o objetivo. Veja bem, cada um escreve como bem entender. Só estou dizendo que poemas como esses costumam me proporcionar, como leitor, viagens muito curtas e rasas".

Rodrigo Garcia Lopes

sexta-feira, março 16, 2007

Recado para Jaques Brand

Caríssimo
Há um novo poeta na cidade
Do ano de 81 ou 82
Vamos nos reunir
Para acabar com o suprimento
De vodka e cigarros
É necessário um seqüestro
E um cativeiro de livros
É necessário papel e caneta
E um galão de nanquim
É necessário conhecer a função
Do fio vermelho e do azul
Ei, Jaques Brand
Vamos tomar um café ali no centro
15 minutos antes
De desarmarmos
A bomba atômica?

quarta-feira, março 14, 2007

França no teatro

Confirmado para dia 19 de abril (quinta-feira), às 21hs no mini-auditório do teatro Guaíra, a peça "Um Idiota de Presente", escrita e dirigida por mim. A peça conta com as atrizes Helena Portela e Verônica Rodrigues e terá 50 min de duração (quer dizer, mais ou menos isto). Confira o release do espetáculo:

Um Idiota de Presente

A peça “Um Idiota de Presente” conta a história de duas irmãs enfurnadas num apartamento do centro da cidade. Uma delas, Maria, vive em uma cadeira de rodas por opção, sempre afundada em livros, e a outra, Sônia, tem por obrigação manter a vida da irmã, pagar as contas da casa, fazer compras no supermercado e ainda por cima consertar um relacionamento com um homem que a abandonou grávida.

O conflito se dá quando Maria dá de presente à irmã um exemplar do livro “O Idiota” de Dostoievski. A partir daí uma trama de argumentos livrescos (de fontes que vão do próprio Dostoievski a Nietzsche) é posta em cheque quando Maria tenta convencer Sônia a matar o homem que a deixou. A pergunta que se faz durante toda peça é: Sônia ou o idiota do livro teriam a capacidade de matar?

“Um Idiota de Presente” é um texto-homenagem a um dos grandes escritores do século XIX, Fiódor Dostoievski. Cheio de referências a este autor, a peça, assim como a obra do escritor russo, levanta questões morais relacionadas à culpa, ao assassinato, à morte, e também existenciais relacionadas à solidão e ao abandono. Neste caso, a discussão principal é: até que ponto, conteúdos mal interpretados podem ser nocivos ao ser humano?

terça-feira, março 13, 2007

feminista

A água acabando no mundo
E eu pensando em matar a sede
Do sono a apertar as pálpebras
E eu pensando na mulher
Que poderia estar ao meu lado
Sonolenta e linda
Longe, bem longe da matilha sangrenta
De vaginas percorrendo a minha
Neurose-carnal-maníaco-depressiva:
São elas, com suas presas
Da marca Louis Vuitton
Mulheres agonizando solidão
Em suas caricaturas de beleza
Rastreando a grama do quintal
Da revista “casa e jardim”
Com sua sensibilidade de plástico
Sua falsa alma babaca e “sensível”
Seu hálito de cigarrilha
E sua resignação doméstica
Adaptado aos moldes
da publicidade contemporânea
Como radiações de um apocalipse
Rostos de manequins usados
Olhos de bonecas usadas
Como moeda de troca
Barbies envelhecendo
Em suas fantasias temáticas
Imagino uma só mulher
Que dormiria ao meu lado
Depois de um dia intenso
Vivido apenas por pessoas intensas
E não por impressoras de felicidade

Imagino uma mulher
Que finalmente decrete
O que é belo ou não
Em nossas vidas

sexta-feira, março 09, 2007

É AMANHÃ!!!
APAREÇAM!!!

terça-feira, março 06, 2007

Minha primeira parceria com a Claudete.

Ela lá (para a atriz Lala Schneider)

Ela se foi dormindo
Sem saber da sua morte vindo
Carregando os nossos sonhos
Ela dormiu sem saber que morria

Se entregou ao sono
Que a noite trouxe de consolo
Com a mesa de jantar
Comentou que o céu estrelava

Falar sobre estrela é difícil
Como é difícil o amor
Bate uma vontade irresistível
De juntar tanto afeto à dor
Mas um coração sempre sorrindo
Mesmo numa oração de luto
É a pulsação de uma platéia
Que de longe vê o azul do mundo

Lala se foi dormindo
Sem saber da sua morte e vida
Carregando os nossos sonhos
Ela dormiu sem saber que nascia

Alexandre França e Claudete Pereira Jorge

segunda-feira, março 05, 2007

Contratempo

Edições.

A idéia que mais me acalma:
Lançar uma nova edição
Dessa mesma velha alma.

Rayanne

Quer mais? Então entre no http://meucontratempo.blogspot.com/

domingo, março 04, 2007

Acordei um pouco violento

Transbordo a espuma dos assuntos
Fazendo a cabeça com cerveja quente
Amargamente importada
Em promoção na loja dos vícios
Pequeno-burgueses de sempre
Aqui, mandando socialmente
Para o porão do descrédito
Todas as partituras das canções
Que eu não toquei
Que não beijei e não vivi
Até que a morte os separe
Com o Lombardi de fundo
Ofertando um televisor de 24 polegadas
Ou a possibilidade imbecil
De ser milionário ou a possibilidade remota
De felicidade ou a possibilidade prática
De mudar o canal, de destruir a televisão
De montar uma coleção de discos de vinil
E de mandar o mundo calar a boca
Com um tiro de escopeta na tela

sábado, março 03, 2007

NÃO ESQUEÇAM!!!


quinta-feira, março 01, 2007

E por falar em show do Chico em abril, uma amostra do calibre poético do grande cancioneiro.

Tempo e Artista

Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela
Vejo o tempo obrar a sua arte
Tendo o mesmo artista como tela

Modelando o artista ao seu feitio
O tempo, com seu lápis impreciso
Põe-lhe rugas ao redor da boca
Como contrapesos de um sorriso

Já vestindo a pele do artista
O tempo arrebata-lhe a garganta
O velho cantor subindo ao palco
Apenas abre a voz, e o tempo canta

Dança o tempo sem cessar, montando
O dorso do exausto bailarino
Trêmulo, o ator recita um drama
Que ainda está por ser escrito

No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista, o infinito

Chico Buarque

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

...e ontem no bar do Torto

Uma poesia em parceria com o mais novo parceiro, o Língua. Thadeu W também entrou na brincadeira.

Promoção e pramocinha

Não esqueça do Quartzolit
Lembre-se daquilo que te impossibilite
Não dê uma de socialite
Quando você é uma socialaite
Eu tive um insight
Ao acender o pavio da dinamite
O TNT tava em promoção nas Casas Bahia
E você vai explodir antes de mim, vadia
Quero ver você na esquina
Toda briga de amor
É uma boa razão para uma chacina

França, Língua e Thadeu

sábado, fevereiro 24, 2007

para chamar a atenção (versão final)

Não sei se foi para chamar a atenção
você com uma margarida de plástico
com aquele enorme olho amarelo
chapado com a cabeça caída para
o lado.
não sei se foi para chamar a atenção
um zippo sem gás, com a pedra gasta
uma triste metáfora de algo
que já não é mais
tipo uma panela vazia em fogo baixo.
não sei se foi para chamar a atenção
mas pelo menos na minha frente
você esqueceu de roer as unhas
e de contar moedas de cinco centavos
na iminência de dividir a conta
em duas partes exatamente iguais.
Não sei se foi para chamar a atenção
mas você deixou largada na cadeira
a sua bolsa
com uma foto 3x4 minha
no fundo falso da carteira.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Porta-retrato

Fósforo aceso na madrugada
Uma carta de adeus queimada
Calada mais de uma vez
Por dia
Flores perdendo o tempo
De serem dadas, envelhecendo
Nas cinzas que a tarde fez
Da vida
Pétala a pétala, conto todas as pétalas
Arrancadas da rosa que eu guardei
No armário
Uma lembrança do mar de espinhos
Que a chuva tempestuosa da despedida detém
Num raio
O apartamento que abandonei
Toda a mobília que não usei
Como sumir do porta-retratos
Que você guarda na sua mesa
Mas o dia amanheceu
O dia amanheceu
Amanhecer o dia me faz muito bem.

Octávio Camargo, Alexandre França e Thadeu Wojciechowski

terça-feira, fevereiro 13, 2007

meio-dia

Sono
Ao meio-dia
Ninguém vai me acordar
Nem balde de água fria
Ao meio-dia
Ninguém vai me ouvir roncar
Nem toda a bibliografia
Do meio-dia
Conseguiu me explicar
O inverno de Curitiba
Ao meio-dia
Um senhor tentou matar
O tédio com aspirina
Ao meio-dia
Minha voz sumiu no ar
De toda a coreografia
Do meio-dia
Num segundo de amar
Daquela anatomia
Do meio-dia
Uma chuva de chorar
Vestia de preto o dia
Ao meio-dia
Ninguém vai me acordar

quinta-feira, fevereiro 08, 2007


terça-feira, fevereiro 06, 2007

Porão Loquax - Rodrigo Madeira

IMPERDÍVEL
Terça, dia 13 de fevereiro

Porão Loquax com Rodrigo Madeira, o vencedor do Concurso de Poesias Helena Kolody, categoria Paraná. Rodrigo estará apresentando, no Wonka Bar (que fica na Trajano Reis 326) os poemas que compõe o próximo lançamento Sol sem Pálpebras, com lançamento previsto para abril.
entrada R$1,99

Às vezes o tempo dá umas boas risadas da nossa cara. Digo isto pelo imenso prazer de escrever sobre o livro do poeta Rodrigo Madeira. Poxa tempo, eu é que deveria pedir ao Rodrigo para escrever qualquer impressão sobre algum poema meu! Já que é ele quem faz a poesia que pode nascer “menino Jesus” ou “bebê de rosemary”. Ele que, ainda criança, matou o Leminski no bar Stuart, numa tarde cinzenta desta cidade de chumbo chamada Curitiba. Ele que entende tão bem o gosto das damas da noite na boate Gato Preto, sentindo um sabor ácido de bateria usada na ponta da língua. Ele que fala sobre um amor que nunca ouvirá as suas palavras, mas que ainda sim subsiste “no fundo do peito, no canto da razão, no canteiro de pêlos”. Digo isto sem exagero nenhum e mais: o ritmo cortado e denso dos poemas parece sussurrar significados em minha cabeça, como se aqueles versos fossem as últimas palavras de um doente terminal, de alguma tarde fria da nossa tímida terra “e muitos de vós nunca se abriram, dominicais, em programas de auditório”. Há poemas ainda que provocam uma espécie de “ressaca moral”, um soco no estômago rompendo artérias de realidade, como no poema “favela”: “cedinho, três cadáveres assistem à televisão”.É por estas e por muitas outras (que o leitor terá o prazer de conferir) que o tempo é mesmo um sacana: no final do livro, Rodrigo ainda dá uma lição aos muitos candidatos a gênio da literatura, que infestam o intestino da nossa cultura: “eu não escrevo para ficar, meu amor, escrevo para ir embora”. O tempo, Rodrigo, que agora ri da nossa cara, sem dúvida o entende.

sábado, fevereiro 03, 2007

água de beber

O alcoólatra é uma máquina
De desiludir a si mesmo
E toda droga mais ou menos
Que atravessa a sua vida
É uma luz de brilho negro
Que ofusca a sua mania
De beber e chorar pra dentro
De olhar e acompanhar o óbvio
De dormir e sonhar com medo
Da sobriedade, este feto
Encolhido no peito
Entupido de não-me-toques

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