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terça-feira, dezembro 22, 2009

Lendo Bukowski no ônibus.


"A chamada continuava. Eu achava bacana que houvesse tantas vagas de trabalho, embora isso também me preocupasse - provavelmente seríamos lançados uns contra os outros de alguma maneira. A lei do mais forte. Sempre havia homens à procura de empregos na América, sempre essa oferta de corpos exploráveis. E eu queria ser um escritor. Quase todos eram escritores. Nem todos acreditavam que podiam ser dentistas ou mecânicos de automóvel, mas todos tinham a impressão de que podiam ser escritores. Daqueles cinquenta caras ali na sala, provavelmente quinze consideravam-se escritores. Quase todos usavam palavras e sabiam escrevê-las, isto é, quase todos podiam ser escritores. Mas a grande maioria dos homens, afortunadamente, não é composta de escritores, ou mesmo de taxistas, e alguns homens - muitos homens - , infelizmente, não são nada".

do romance Factótum de Charles Bukowski
tradução: Pedro Gonzaga.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

terça-feira, dezembro 15, 2009

sexta-feira, dezembro 11, 2009

11 de dezembro no ACT - Espaço Cênico

(R. Paulo Graeser Sobrinho, 305), (41) 3338-0450.

A Lingua Cortada
De Alexandre França
Direção: Edson Bueno
Com Rosana Stavis e Pagu Leal

às 21h - Entrada Franca

Sinopse de "A Língua Cortada"
Duas mulheres começam uma discussão depois de jogar o jogo da verdade. Pouco se sabe sobre suas vidas, apenas que podem estar mentindo ou falando a verdade sobre determinados assuntos, que não sabemos ao certo o que são. “A Língua Cortada” fala sobre a tênue linha que separa o verdadeiro do falso. A peça pouco a pouco nos mostra o absurdo de se falar “verdades”, ao por em cheque a lógica de um discurso puro, sem preconceitos, ideologias ou “segundas intenções”.
Destaques na programação do fim de semana

Publicado em 11/12/2009

Leituras


No Espaço Cênico, dois dos principais diretores da cidade comandam leituras. Edson Bueno dirige A Lingua Cortada, do dramaturgo curitibano Alexandre França, com as atrizes Rosana Stavis e Pagu Leal, nesta sexta. No domingo, Felipe Hirsch colocar a Sutil Companhia diante de escritos de J. D. Salinger (O Apanhador no Campo de Centeio).

Apareçam!

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Genial



A Banda Mais Bonita da Cidade
cantando Leo Fressato

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Outras Leituras no Caderno G

Elenize Dezgeniski / Ranieri González, dirido por Nena Inoue, lê três contos de Dalton
Ranieri González, dirido por Nena Inoue, lê três contos de Dalton

Teatro

Trevisan e Salinger no Espaço Cênico

Publicado em 09/12/2009 | Luciana Romagnolli

O Espaço Cênico sedia até domingo leituras diárias de diferentes textos literários empreendidas por diretores e atores locais. Hoje, às 21 horas, a companhia Iconoclastinhas experimenta em cena escritos inéditos de Luiz Felipe Leprevost: O Butô do Mick Jagger, com Uyara Torrente e Martina Gallarza.

Na quinta-feira (10), também às 21 horas, um Dalton Trevisan lírico que ganha voz no solo do ator Ranieri González, dirigido por Nena Inoue. São três contos curtos: “Firififi”, “O Grande Circo de Cavalinhos” e “O Fim da Fifi”, os mesmos apresentados no Teatro da Caixa em setembro de 2008.

A programação, batizada de Outras Leituras, foi pensada para aproximar profissionais da cena curitibana que, segundo Nena, compartilham um olhar específico, fundado no gosto pela literatura, a força da palavra e a concisão. Por seu caráter mais livre, ainda em processo, a leitura cênica é para a diretora um espaço de experimentação maior e de inclusão do público.

As atividades seguem du­­rante o fim de semana com A Língua Cortada, na sexta-feira (11), às 21 horas. O texto de Alexandre França, que Edson Bueno dirige, tem Rosana Stavis e Pagu Leal como porta-vozes de duas personagens que se embrenham em uma discussão depois de participarem de um jogo da verdade.

Sábado (12), no mesmo horário, em vez de leitura está marcada a apresentação do violonista Octavio Camargo e suas canções com parceiros como Thadeu Wojciechowski, Odacir Mazzarolo e Chiris Gomes.

O Outras Leituras termina no domingo (13), às 19 horas, quando o diretor da Sutil Companhia, Felipe Hirsch, e jovens atores escolhidos por ele em uma audição se ocupam de textos do norte-americano J. D. Salinger (de O Apanhador no Campo de Centeio). Na semana seguinte, o Espaço Cênico realiza uma oficina livre de teatro coordenada por Nena Inoue, entre 18 e 20 de dezembro.

Serviço

Outras Leituras. Espaço Cênico (R. Paulo Graeser Sobrinho, 305), (41) 3338-0450. 2ª a sáb. às 21 horas e dom. às 19 horas. Entrada franca. Até 13 de dezembro.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

OUTRAS LEITURAS NO ESPAÇO CÊNICO

Integrando o Corrente Cultural, o Espaço Cênico apresenta a cada dia, uma leitura de texto, reunindo artistas de destaque em distintas áreas da cena curitibana. Os diretores participantes, Paulo Biscaia, Marcio Abreu, Nena Inoue, Edson Bueno e Felipe Hirsch convidaram distintos atores para esta programação que traz à cena uma dramaturgia original, com textos de teatro e literatura. Integram a programação ainda, o espetáculo musical de Octavio Camargo e seus convidados e a Oficina Livre de Teatro, sob coordenação de Nena Inoue, aberta a atores e não atores.

Esta programação com cara e alma curitibana, pretende mesclar distintos artistas, públicos e olhares.

O projeto Corrente Cultural é uma iniciativa da Fundação Cultural de Curitiba, viabilizada através do Fundo Municipal de Cultura, realizada pelo Espaço Cênico, sob coordenação de Nena Inoue.


PROGRAMAÇÃO

7 de dezembro
Graphic Novel “Folheteen”
Desenhos e texto: José Aguiar
Direção: Paulo Biscaia
Com Michelle Pucci, Leandro Daniel Colombo e Rafaella Marques
Iluminação: Wagner Correa
Sonoplastia: Marco Novack
Realização: Vigor Mortis
Folheteen é de tiras semanais que foi publicada em jornais de Curitiba, como jornal Gazeta do Povo, sendo publicada também no Jornal do Estado, e num especial de O Globo. Vencedora do I COncurso Internacional de Quadrinhos deo Senac-SP em 2005, folheteen fpi publicada em livro peal editora Devir.
O autor José Aguiar define assim o álbum "lembra-se dos melhores anos de sua vida? Eles não foram sua adolescência. Ela é um momento onde tudo é um grande desencontro. Folheteen fala da incapacidade das pessoas de se comunicarem, autoconfiança, tédio, sexo e várias outras coisas que nos atormentam a partir da adolescência. Uma miscelânea de coisas que vivi com outras que vi ou ouvi."


8 de dezembro
Descartes com lentes
De Paulo Leminiski
Direção: Marcio Abreu
Com Nadja Naira
Realização: Companhia Brasileira
Leminski imagina uma hipotética vinda do filósofo francês René Descartes ao Brasil, a convite do conde Maurício de Nassau. Junto com sua comitiva, repleta de cientistas, naturalistas, desenhistas e pintores, Descartes tenta desvendar e descrever as excentricidades e belezas do país tropical, ou seja, procura filosofar sobre o Brasil e o modo de vida do seu povo.
Escrito em meados da década de 60, o texto é considerado o embrião gerador de Catatau, a obra mítica do poeta curitibano.
O exercício cênico é interpretado da Companhia Brasileira faz parte de uma série de estudos que vem sendo realizados desde agosto de 2008, sobre a obra do poeta curitibano, e que fazem parte do projeto VIDA, patrocinado pela Petrobrás.

9 de dezembro
O butô do Mick Jagger
Texto e direção: Luiz Felipe Leprevost.
Com Uyara Torrente e Martina Gallarza
Realização: Iconoclastinhas cia. de teatro

Elas perderam o chão. Perderam a coragem. Perderam o amor. Estão na Tumba, a velha garagem onde ensaiavam sua banda. Mas elas perderam também a capacidade de tocar, de se divertir. Elas foram até o final da fama e agora só se perguntam. Foram fundo na selva dos paraísos artificiais e hoje têm monstrinhos residindo no estômago, acordes estridentes bicando o cérebro, produzindo pesadelos. Elas foram longe demais e por isso não tem mais pra onde ir. É que é mesmo muito difícil voltar ileso depois de se dançar o butô do Mick Jagger.

10 de dezembro
Firififi / O Grande Circo de Cavalinhos / O fim da Fifi
De Dalton Trevisan
Direção: Nena Inoue
Com Ranieri Gonzalez
Realização: Espaço Cênico
Delicada leitura de um Dalton lírico. Em cena, um único ator - menina - velha - homem.


11 de dezembro

A Lingua Cortada
De Alexandre França
Direção: Edson Bueno
Com Rosana Stavis e Pagu Leal


Duas mulheres começam uma discussão depois de jogar o jogo da verdade. Pouco se sabe sobre suas vidas, apenas que podem estar mentindo ou falando a verdade sobre determinados assuntos, que não sabemos ao certo o que são. “A Língua Cortada” fala sobre a tênue linha que separa o verdadeiro do falso. A peça pouco a pouco nos mostra o absurdo de se falar “verdades”, ao por em cheque a lógica de um discurso puro, sem preconceitos, ideologias ou “segundas intenções”.


12 de dezembro
Octavio Camargo e convidados
Apresentação de canções compostas entre 2006 e 2009 em parcerias musicais e poéticas com Thadeu Wojciechowski, Bárbara Kirchner, Luiz Leprevost, Odacir Mazzarolo, Alexandre França, Chiris Gomes e Troy Rossilho.


13 de dezembro
Outras Leituras
Direção de Felipe Hirsch
Realização: Sutil Companhia de Teatro
Profissionais da Sutil Companhia de Teatro juntamente com jovens atores selecionados em audição, à partir de textos de J. D Sallinger.

Dias 18, 19 e 20 de Dezembro.
Oficina Livre de Teatro
Coordenação: Nena Inoue.


SERVIÇO: CORRENTE CULTURAL
Outras Leituras: De 07 a 13 de Dezembro. De segunda a Sábado: 21h. Domingo 19h.
Local: Espaço Cênico. Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305.
Oficina Livre de Teatro: Dias 18, 19 e 20 de Dezembro.
Coordenação: Nena Inoue. Inscrições antecipadas. Vagas Limitadas
Entrada Franca. Informações: 3338 0450 www.espacocenico.art.br


Contatos
Nena Inoue – 41 9236 9466 / 3338 0450 – nenainoue@hotmail.com
Paulo Biscaia – 8814 4625 - biscaia@mac.com
Marcio Abreu – 9965 8098 - marcioabr@gmail.com
Luiz Felipe Leprevost – 9186 3527 / 9624 4333 felipeleprevost@terra.com.br
Edson Bueno – 8406 8187 - efranbueno@uol.com.br
Octavio Camargo – 9699 3851 - octaviocamargo.novoemail@gmail.com
Felipe Hirsch – 11 9229 8888 – felipehirsch@gmail.com

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Grande Thadeu!

Poema para Primeiro de Dezembro

A rataiada miúda já sonha o natal
e um ano novo cheio de felicidades.
Dessa raça, mais da metade foi pro pau
E o resto quer um mundo de facilidades.

Eu escuto o CD do França e está bom.
A vida já é meio caminho andado
e a poesia desse rapaz tem o dom.
O curitibano está bem acompanhado.

Dois mil e nove falta pouco pra acabar
e eu fiquei aqui pensando com meus culhões:
Quantos janeiros ainda até alguém me matar?
Mais quantos fevereiros entre os foliões?

De que tamanho é a sombra que me assombra?
Por que quanto mais estudo mais me faz falta
A inocência pura e besta em festas de arromba?
Não, não é queixa e nem dor o que me assalta…

Apenas acordei com saudades de mim,
mais nada. Vou em frente. E o sol solto lá fora
é aviso de que as coisas não são bem assim.
O mundo é belo e a vida só se for agora!

Antonio Thadeu Wojciechowski
...e na adolescência logo ao lado:

segunda-feira, novembro 30, 2009

Angélica Rodrigues

A melhor

Uma vez eu queria ser a melhor
Nenhum vento ou cachoeira poderia me deter
E depois veio a agitação de uma inundação
estrelas da noite se tornaram um pó profundo
Uma vez eu queria ser a melhor
Dois punhos de uma pedra sólida
Com cérebros que poderiam explicar
Qualquer sentimento

Angélica Rodrigues

Quer mais? Clique aqui www.easuamaetambem.blogspot.com

sexta-feira, novembro 27, 2009

Grande Alexandre Nero!

Amor não é algo que cai na sua cabeça quando vc menos espera. Isso é avião. Amor é outra coisa

Amor não é uma queimação no estômago. Isso é a empadinha estragada que vc comeu ontem. Amor é outra coisa

Vc viver grudada com ele, não é amor. Isso é uma anomalia entre gêmeos univitelinos q nomeamos "gêmeos siameses". Amor é outra coisa!

O amor não é cego....o nome disso é Steve Wonder


Depois de soltar essas piadinhas no Twitter (que sempre é bom, gostoso e me divirto bastante com a galhofice) me perguntaram (ainda em clima de brincadeira) "O que é o amor afinal?", e eu no alto dos meus, muito próximos, 40 anos achei que deveria falar mais sério e me veio:

“A mim, ninguém disse o que é o amor. Eu nem sequer estou certo da necessidade de sabê-lo. Mas se vc quer uma descrição que seja completa, cabal, poderá encontrá-la na Bíblia. Foi lá que Paulo explicou o que era amor.A única coisa errada com a sua definição é que ela nos arrasa. Se amor é isso como Paulo disse que é, então se trata de uma coisa tão rara que dificilmente alguém já a viveu. Mas como texto de leitura em casamentos e outras ocasiões solenes, esse capítulo faz bastante efeito. Por mim, acho que basta uma pessoa ser boa para quem vive com ela. Carinho também faz bem. Bom humor, companheirismo e tolerância. Ambições razoáveis a respeito do outro. Se pudermos servir todos esses ingredientes assim...então já não terá tanta importância o amor.” Ingmar Bergman

Do blog do Alexandre Nero

segunda-feira, novembro 23, 2009

Do Blog da Mostra Cena Breve

Coração de congelador - Súbita Companhia de Teatro

Trecho da crítica sobre a cena "coração de congelador"

(...)

"Na última cena, o grupo parece, num primeiro momento, ter se distanciado ainda mais da proposta temática, da relação entre o amor e a dor, mas, por outro lado, fica a impressão de que entra em cena um novo componente que se relaciona diretamente com a dor de amor: o tempo. O tempo parece ser o protagonista dessa última cena. Nela, os sujeitos são praticamente atropelados pelo cotidiano, pela velocidade em que a vida corre. Uma música dá a dinâmica da cena: a letra descreve situações, mencionando objetos. Os objetos vão entrando em cena, passando de mão em mão. Apesar da dinâmica da cena investir radicalmente na repetição e correr o risco de se esgotar logo, o conjunto da realização é tão singelo que a cena ganha sentido.

A repetição não é, nesta cena, uma exposição de um procedimento interno ou uma formalização postiça. Ela tem significado, oferece ao espectador algumas possibilidades de fruição. É possível pensar que os objetos, apesar de nomeados e reapresentados visualmente, exercem uma ação sobre os sujeitos, a ação do tempo. E, na preocupação de dar conta de lidar com tantas ações físicas concretas num ritmo imposto pela música, os atores param de fazer força para estar em cena e, quase por acidente, a presença de cada um acontece. É neste momento que aparecem os primeiros traços da autenticidade do grupo e, ao mesmo tempo, se estabelece uma distância radical das premissas que estavam em jogo na cena inicial."

Por Daniele Avila
Foto: Elenize Dezgeniski

Maíra, temos que continuar a parceria.

Para ler na íntegra, clique aqui

domingo, novembro 22, 2009

Moradia

Há uma cidade
No meu travesseiro
Um Estado
Embaixo da cama
Um pais
Entre a janela e a veneziana
Um mundo
Num porta-retratos.
E você
Onde mora
Aqui dentro
De casa?

terça-feira, novembro 17, 2009

alexandre nero e leprevost, terça-feira, dia 17, no wonka

Clique no desenho pra ver maior
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O Nero (http://www.alexandrenero.com.br/) divulgou assim lá no blog dele (virou nosso release, hehe), veja aí que legal:
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O Wonka Bar (local que gosto muito aqui em Curitiba) me convidou para participar do projeto Terças Experimentais, composições de primavera. Onde cada terça-feira do mês de novembro apresentam-se dois compositores.
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Nessa terça, dia 17, estarei eu e meu compadre-parceiro-e amigo bom de briga LF Leprevost.
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Será uma apresentação íntima, pequenininha... apenas nós dois, só dois violões. Desarmados (e perigosos), mostrando canções inéditas, parcerias, poemas e algumas gracinhas (porque ninguém é de ferro).
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Eu irei cantar algumas músicas que estarão no novo Cd. É pra sentar, beber e ouvir. Nem se animem muito, pois não será um show com balanço e pra dançar. É show pra gente boa da cabeça e doente do pé.
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A apresentação começa por volta das 21:00 (22:00 pra ser mais exato, eheheh).

Alexandre Nero

quarta-feira, novembro 11, 2009

Revista Lama na FNAC


Apareçam!

segunda-feira, novembro 09, 2009

Troy no Caderno G

(amanhã ele estará no Wonka junto com Octávio Camargo)


Segunda-feira, 09/11/2009

Albari Rosa/Gazeta do Povo

Albari Rosa/Gazeta do Povo / “Às vezes, a vida ‘afunila’, e só mesmo o violão para salvar e apontar novos horizontes”, diz Troy Rossilho
“Às
vezes, a vida ‘afunila’, e só mesmo o violão para salvar e apontar novos horizontes”, diz Troy Rossilho

Perfil

Odisseia Musical

Músico e compositor nascido em Paranavaí e radicado em Curitiba, Troy Rossilho já gravou cinco álbuns e pretende migrar dos bares para a produção em estúdio

Publicado em 09/11/2009 | Marcio Renato dos Santos

A trajetória de Troy Rossilho, 27 anos, é um daqueles casos em que parece que cada passo, pelo menos até aqui, já estava escrito. O destino dele, de certa forma, aparenta estar ligado ao próprio nome. O pai, Cesar, gostava da Guerra de Troia e, por esse motivo, batizou o filho com a versão em inglês (Troy) do nome da cidade.

Cesar, um desses sujeitos que faz o Brasil seguir em frente, um empreendedor, desde muito cedo incentivou o pequeno Troy a ler. Um dia, o filho disse para o pai que queria ser médico. O pai, sem hesitar, rebateu: “Mas por quê? Já tem tanto médico por aí. Por que você não vai ser artista?”. O menino, dia e noite com o violão nos braços, sem guerrear consigo mesmo, seguiu o conselho paterno.

Passa o tempo, talvez 1998, no máximo 1999, e um tio pergunta: “Cadê a tua Helena?”. Troy ainda não conhecia em profundidade os assuntos gregos, mas já sabia que a personagem Helena foi o pivô da Guerra de Troia. Ele fez uma canção chamada “Helena”, a décima faixa de seu álbum Cru, gravado no ano 2000.

Se é acaso ou não, difícil afirmar, mas há quatro anos Troy vive uma relação estável com uma mulher chamada Helena. Trata-se da atriz Helena Portela.

A coincidência é maior ainda. Helena é filha da atriz Claudete Pereira Jorge, que há dois anos viajou para Salônica, cidade grega, para declamar o “Canto 1” da Ilíada, de Homero: nada menos que 700 versos, em meio a uma bienal de artes.

Quando Claudete contou aos gregos que tinha uma filha chamada Helena, poucos acreditaram. Em seguida, ela disse que o namorado da filha se chama Troy. “Pensaram que eu estava contando piada. É realmente muita coincidência esse encontro de uma Helena com um Troy”, diz Claudete.

O que o palco ensina

Há dez anos Troy vai dormir por volta das 6 horas e acorda às 15. Durante essa última década, ele fez história tocando em bares curitibanos. Nem lembra o nome de todos onde se apresentou. Passou pelos palcos do Ciccarino, do Bar Brasil e do Ponto Final. Há poucas semanas, deixou de ser a atração fixa de todas as sextas-feiras do Era Só O Que Faltava. Atualmente, toca todos os sábados no Bar Doce Lar, acompanhado de Marcos Saldanha (bateria), Guaraná (baixo) e Mazzar (guitarra).

De Ataulfo Alves a Chico Buarque. De Nelson Cavaquinho a João Bosco. Troy costuma apresentar canções desses e de outros compositores brasileiros, geralmente músicas não-óbvias. Entre um e outro clássico, ele mostra alguma composição autoral. Já gravou cinco álbuns. Ele faz parcerias com letristas curitibanos, mas as canções mais bem resolvidas de seu repertório pessoal são as que ele compõe ao lado de seu pai. Cesar Rossilho, um profissional liberal, é na realidade um poeta: ele tem um olhar inusitado sobre o cotidiano, o amor e os impasses do ser humano.

Troy aprendeu, “muito”, sobre o comportamento observando o público nos bares onde se apresentou. Ele conta que as noites das sextas-feiras são únicas. É o final da jornada da semana, todos querem alegria e há uma onda de entusiasmo diante da perspectiva dos dois dias de folga que antecedem a próxima segunda-feira e o retorno ao trabalho. “Já vi de tudo. Dos sentimentos sublimes aos mais violentos.” A troca de energia, entre palco e plateia, é uma surpresa a cada nova apresentação.

Além de observar, e entender, as contradições humanas, ele também exercitou e evoluiu como instrumentista e cantor nos bares.

Mudança de estação

Troy inicia um processo que parece irreversível: dos bares rumo ao estúdio. Recebeu o convite do diretor de teatro Marcelo Marchioro para fazer a direção musical da peça Medeia, com previsão de ser encenada no primeiro semestre de 2010, no Teatro Guaíra. Ele já fez trilha sonora para as peças O Longo Caminho, de Edson Bueno, e Um Idiota de Presente (Alexandre França), e ficou muito satisfeito com a experiência.

Há três anos, Troy comprou uma casa de três pisos e no último andar construiu um estúdio profissional, onde já gravou álbuns de artistas locais. Atualmente, as quintas-feiras são reservadas para ensaiar o repertório de seu próximo disco, que será finalizado antes do próximo carnaval. Já tem propostas para gravar jingles para a campanha política do ano que vem.

Amanhã, às 21 horas, ele desce ao porão do Wonka Bar (Trajano Reis, 326), (41) 3026-6272, para, ao lado do maestro, amigo e virtuose do violão Octávio Camargo, apresentar repertório autoral.

Troy segue a sua travessia, e diz, cantando: “Nada mais sincero que o amor em busca de atenção.”


domingo, novembro 08, 2009

A desenhista


Myriam Muniz e Guta Stresser no filme "Nina" de Heitor Dhalia

Sentada na calçada ela
Espera um ônibus que
Nunca chega.
Masca seu chicletes com
A imprecisão da britadeira.
Procura em sua mochila
Caderno, lápis, borracha:
Desenhando o tempo passa
Como o sono passa a hora
De acordar.

No papel
As nuvens chovem,
Os olhos choram,
A tempestade
A tempestade grita
E os prédios ao redor derretem
Braços de concreto, pessoas sonolentas
Caem pouco a pouco pelas
Frestas, bocas e narizes
Da gigante moradia.

As cores agora
Em preto e branco.
O ponto de espera
Vira sua festa de gala.
Ela entra e sai do salão
Como a mãe que diariamente
Busca seu filho na escola.

Seu mundo é um mundo que acaba
Entre um ônibus e outro;
A espera é seu esteio

Anoitece e ela
Prefere dormir
Ali mesmo

Usando o caderno
Como travesseiro

sexta-feira, novembro 06, 2009

Clássicos do youtube
Tom Jobim e Edu Lobo em estúdio cantando "vento bravo"

quinta-feira, novembro 05, 2009

Barão Vemelho - Down em mim


acordei com ressaca
como um mar de manhã
depois do temporal

ainda não me afoguei
como no sonho que tive

estou só esperando
a praia esvaziar.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Jorge Barbosa Filho


Clique na imagem para amplia-la.

domingo, novembro 01, 2009

Alexandre França e Leo Fressato juntos no Wonka Bar


Composições de Primavera 2009

03 de novembro
Alexandre França e Leo Fressato.
No Wonka Bar
Trajano Reis,326
Mais informações (41)3026-6272 / (41)9142-0810

Apareça!

sexta-feira, outubro 30, 2009

cansaço


Lygia Clark, Escada, 1951

Ando cansado de falar
Da depressão dos dias
Do dilatar das ruas
Frente aos passos murchos
Da multidão insone.

O silêncio das estações
De ônibus as três da matina,
O silêncio dos prédios
Abandonados aos fantasmas
Suicidas não me metem
Mais medo.

Nem ao menos ouso
Sentir medo de mim.
Ando cansado disto:
Da carícia dada por dentro
De dentro das ondas de ego
Que abalam meu estômago.

As coisas que me cercam
As coisas que me cercam desmancharam
Meu espírito.
O que será de mim
Esta mancha desbotada
No escuro do quarto?

Não me importo mais com a morte
Em meus poemas baratos

Não me importo mais com a morte
Em noites de temporal
Em dias de escuridão
Em noites de agonia e dor

A minha morte não interessa
Para a literatura.

terça-feira, outubro 27, 2009

"Música de Apartamento" rumo à Londrina - amanhã no bar Valentino


Alonso Figueroa, eu, Vina Lacerda e Davi Sartori em Antonina
Foto: Albert Nane

segunda-feira, outubro 26, 2009

Artaud + Von Trier = O Anticristo

"O Anticristo" é um filme arriscado que resvala em questões controversas acerca da religião, da psicologia cognitiva e da sexualidade em tempos hedonistas. Com um foco claro e preciso – o processo da perda, do luto ao desespero – o filme do diretor Lars Von Trier de “Dançando no Escuro” nos coloca, como diriam os mais afoitos, “dentro do olho do furacão”. Uma mulher, que pesquisa a chacina de mulheres no decorrer da história (os motivo, as consequências) acaba de perder o filho num trágico acidente. O marido, um psicólogo que estuda métodos de terapia a partir da teoria cognitiva, resolve que a esposa não deverá mais passar pelo tratamento médico tradicional para enfrentar a perda do filho e seu luto exacerbado.

Aqui, Von Trier zomba da psicologia ao mostrar um marido arrogante e até certo ponto pedante ao utilizar, muitas vezes sem explicações coerentes, métodos e exercícios mentais para o enfrentamento da dor de sua parceira. Claro que para entender o porquê da utilização de tais exercícios, é recomendado ao expectador uma pesquisa sobre Jean Piaget e suas teorias. Para entender o filme, não. A mulher, interpretada pela excelente Charlotte Gaisnbourg, finge (sem estragar a surpresa para ninguém, já que fica claro este fingimento na tela) estar curada para o espanto do marido, que não entende muito bem aquele resultado. Ela grita “você é um GÊNIO! Veja: estou curada!”. O filme, então, parece nos dizer que nenhum tipo de racionalidade é capaz de dar conta da natureza. E é neste exato momento que um alçapão se abre sob as poltronas da sala de cinema nos levando diretamente para o inferno. Quando eu digo “inferno”, você pode lembrar de tudo: “Divina Comédia”, “120 dias em Sodoma”, “Irreversível”, etc, etc, etc.

Aliás, o filme vai mais longe ao nos dizer de maneira indireta: nenhuma racionalidade é capaz de dar conta da natureza e da mulher. Há todo momento, compara-se a natureza e seu caos incompreensível à mulher. Ir contra a sua natureza é ser o Anticristo, parece nos dizer o diretor. O percurso trágico para onde a história nos leva vai além de personagens e suas intenções. “A natureza é a igreja de satã” nos diz a mãe do garoto morto. Signos religiosos nos abrem possibilidades de interpretações a cada minuto. O que seriam aqueles animais que aparecem há todo momento? Os três mendigos? Os três reis magos? As bestas do apocalipse? Alguém vai morrer? Estes são os sinais? Fica a dúvida e a tensão da incerteza.

A dúvida do que está sendo dito, em algumas partes, parece ser a mesma dúvida do marido. Nos identificamos com a personagem de Willem Dafoe: com sua prepotência e também com o seu temor frente ao desconhecido. O longa parece ser um alerta a arrogância da ciência: a natureza é mãe e deve ser respeitada. Não lute contra ela. Não brinque com a possibilidade do caos. Não brinque de Deus, nos diz o filme. Uma névoa de horror invade nossos olhos a cada ofensiva da natureza frente aos pobres mortais. "O Anticristo", neste sentido, é apocalíptico. Nada poderá escapar da ira maior. A “igreja de satã” é também o que nos engole, dia após dia. “O caos reina” diz a raposa, um dos mais misteriosos símbolos deste trabalho.

Com interpretações nada cinematográficas, lembrando investidas de um teatro orgânico, voltado aos estudos do artista maldito Antonin Artaud, “O Anticristo” inova, tanto por levar, de uma maneira tão crua, uma linguagem já consagrada em moldes teatrais, quanto por brincar metalinguisticamente com isto, ao contrastar o falido discurso do marido com a ação visceral que nos é imposta a cada trecho desta trágica fábula “natural”. Enfim, um filme “ritualístico” para ver e entender quantas vezes for necessário.

Assista o Trailer do Filme

quinta-feira, outubro 22, 2009

Lançamento em Londrina

quarta-feira, outubro 07, 2009

Gina no Caderno G

Quarta-feira, 07/10/2009

Reka Ross Kloss/Divulgação

Reka Ross Kloss/Divulgação / Maia Piva: aos 33 anos, a atriz protagoniza seu primerio monólogo
Maia Piva: aos 33 anos, a atriz protagoniza seu primerio monólogo

Os amores platônicos de Gina

Uma cinquentona solitária se apaixona por homens mais jovens na nova peça de Alexandre França, que estreia hoje no Mini-Guaíra

Publicado em 07/10/2009 Luciana Romagnolli

Relações românticas duráveis não são o forte da filha de Gina. A moça troca de namorado a toda hora. E a mãe cinquentona, de certa forma, a acompanha: se apaixona por cada um deles. Os amores platônicos nos quais a sonhadora senhora acredita piamente são partilhados por ela com a plateia, em tom confessional, no monólogo Gina, que estreia nesta quarta-feira, no Mini-Guaíra, uma breve temporada de duas semanas.

Escrita e dirigida pelo curitibano Alexandre França, a peça ficou guardada por mais ou me­­nos três anos na gaveta do jovem autor, cujos textos ultimamente têm sido bastante vistos nos palcos da cidade em montagens como Habituès – O Longo Caminho de Dois Frequentadores de Boteco, Um Idiota de Presente e Final do Mês. Nesta última, contracenavam a veterana Claudete Pereira Jorge e sua filha Helena Portela.

Alexandre não encontrou facilmente uma intérprete que pudesse enxergar no papel de Gina. “É um texto que expõe bastante a atriz. É uma mulher completamente maluca”, justifica, rindo. Durante os ensaios de outro espetáculo seu, o malogrado Mentira – que estrearia no Festival de Curitiba do ano passado, mas acabou cancelado –, o criador enfim encontrou uma intérprete para sua criatura. “Maia Piva estava no elenco. Vendo a ação dela nos ensaios, achei que poderia dar conta de fazer o texto”, conta França.


Para a atriz, o desafio é duplo – ou até mesmo triplo. Maia é uma profissional estreante, formada há pouco pela Faculdade de Artes do Paraná. Mas já enfrenta a responsabilidade de sustentar um monólogo, em que as atenções recaem todas sobre ela. Além disso, aos 33 anos, ainda está longe das cinco décadas acumuladas por sua personagem. Sua maior preocupação declarada é, portanto, alcançar a profundidade de uma mulher com uma história de vida mais longa que a sua.

Atento a isso, o diretor e ela se dedicaram ao trabalho corporal, adequando seu modo de andar e falar à idade pretendida. De­­ta­­lhes ainda mais importantes, uma vez que França conduziu a encenação por uma estética mais naturalista. O figurino e o cenário (um puf e um manequim) ajudam a compor o universo da personagem, que trabalha em uma loja de ternos. “Dão esse ar mais de senhora do centro de Curitiba”, define o autor. A cidade aparece em referências a lugares emblemáticos para os curitibanos, como a Reitoria.

Gina ocupa sua solidão com fantasias e usa o manequim que lhe faz companhia para re­­presentar seus amados. Ale­­xandre França, ao imaginar a personagem, pretendia falar de amor, mas pensava, principalmente, em como o romantismo foi se desgastando com o tempo. Quis então contrastar passado e presente.

“Gina glamouriza tudo. Tem essa visão mais antiga do amor. Ela acredita que está certa e que o objeto do seu desejo a ama ao extremo”, conta. A graça da situação evolui para um clima de tensão, a medida que seus amores ilusórios não se concretizam.

Serviço: Gina. Mini-Guaíra (R. Amintas de Barros, s/n.º), (41) 3315-0979. Texto e direção de Alexandre França. Com Maia Piva. Estreia hoje. Quarta-feira a sábado, às 21 horas; e domingo, às 19 horas. R$ 10. Desconto de 50% para portadores do Cartão Teatro Guaíra. Classificação indicativa: 18 anos. Até 18 de outubro.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Cartaz "Gina"


quinta-feira, outubro 01, 2009

Trecho da peça "Gina" que estréia semana que vem, dia 7 de outubro, quarta-feira, no Mini Auditório do Teatro Guaira


Maia Piva
foto: Reka Ross Kloss


"(...) Nunca tive o privilégio de ter um amado. Durante os meus cinqüenta anos de janela, a vida nunca me proporcionou esta cena: dois amantes no jardim, a tarde azul e calma, a grama, uma renda deste quadro terno de delicadezas. As bocas selando um compromisso, as mãos acariciando a minha barriga de leve. Nada disto. A minha realidade era lavar roupa suja de um marmanjo que nunca me deu bola, que nunca me quis. E o que é “o querer” em minha vida se não a resignação? Quer dizer, quando chegava aos cacos aqui em casa, o infeliz, depois de uma farra perdida, sem nenhuma destas putinhas para passar o resto da noite, vinha me pedir um punhado de carícias, que eu, a imbecil, cedia inefável: Gina – a resignada. Foi assim que nasceram os meus filhos, três no total. Hoje sempre quando passo pra comprar o pãozinho francês ali no mercado, de mãos dadas com a solidão que eu não entendo, eu penso se o melhor não seria cair na vida de uma vez por todas, sabe, aproveitar mesmo, mas eu não gosto de homens da minha idade, o que para uma mulher como eu com cinquenta anos de janela o mundo se torna uma porta trancada para qualquer tipo de paraíso. Não, os homens mais velhos não servem para mim, muito menos estes que ficam por aí feito moscas varejeiras de boteco. (...)"

segunda-feira, setembro 28, 2009

Gina - a nova peça da Dezoito Zero Um



Alexandre França e Maia Piva
Foto: Reka Ross Kloss


Amor e ódio contemporâneos

A peça “Gina”, que estréia dia 7 de outubro no Mini Auditório do Teatro Guaira, tem como ponto de partida a obsessão da personagem título por homens mais jovens, para falar sobre as relações amorosas na contemporaneidade.

No monólogo, interpretado pela atriz Maia Piva, Gina, uma senhora no auge de seus cinqüenta anos, se apaixona pelos namorados da filha de vinte, e, através deste sentimento, acaba construindo universos imaginários, onde as relações humanas acabam adquirindo um aspecto distorcido.

Segundo Maia Piva, a jovem atriz de trinta e três anos, o maior desafio para execução de “Gina” é o fato da personagem ser mais velha, “minha maior preocupação era atingir a profundidade necessária para dar vida a uma mulher de cinquenta anos”.

Alexandre França, autor e diretor da peça, conta que “Gina” partiu da idéia de falar sobre amor de uma maneira inusitada, “Gina é o símbolo do desgaste que o romantismo sofreu com o passar dos anos. A personagem luta para sobreviver ao tédio da vida contemporânea através de relação platônicas que nunca são consumadas”.

A trilha, assinada pelo pianista Davi Sartori, pontua o tom retrô do espetáculo, ao retomar temas antes interpretados por cantoras como Edith Piaf e Maysa. A peça, que utiliza poucos elementos em cena, é focada no texto e na atriz, “não utilizamos outros recursos que não estejam intimamente ligados à atriz e ao texto. Para falar de amor, nada melhor do que uma peça que se aproxime do público da forma mais humana possível”, conta Alexandre França.


Serviço

Gina

Com Maia Piva
Texto e direção: Alexandre França

De 7 à 18 de outubro de 2009

Quarta à sábado às 21 horas
e domingo às 19 horas.

Local: Mini Auditório do Teatro Guaira

Ingressos: R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia

segunda-feira, setembro 21, 2009

Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Daniel Castellano/Gazeta do Povo / “Gosto de escrever textos de teatro pela possibilidade de utilizar várias vozes, e também para inserir ruídos. Ver um texto encenado é como presenciar um mundo novo, um mundo que você criou. É indescritível”, afirma Alexandre França
“Gosto de escrever textos de teatro pela possibilidade de utilizar várias vozes, e também para inserir ruídos. Ver um texto encenado é como presenciar um mundo novo, um mundo que você criou. É indescritível”, afirma Alexandre França

O mal escondido nos corações dos homens

Aos 27 anos, o curitibano Alexandre França já publicou dois livros de poesia, gravou dois álbuns e conseguiu encenar três dos dez textos de teatro que escreveu

Publicado em 21/09/2009 | Marcio Renato dos Santos

Ainda era lua cheia de setembro, portanto, antes do dia 11, quando Alexandre França foi, sem ter provocado, agredido verbalmente por uma mulher em um bar curitibano. Ele sorriu, permaneceu em silêncio e, acompanhado da namorada, saiu do estabelecimento comercial. Foi, em seguida, para dentro do quarto do apartamento onde vive, no 18º andar de um prédio, no Batel. Fez uma canção, com letra e música, ainda sem título, sobre o acontecimento. Aos 27 anos, costuma traduzir as “marcas da maldade” em alguma forma de arte.

França, durante a entrevista, bebe uma dose de café a cada 14 minutos. Conta que é mais produtivo durante as madrugadas. No silêncio, sem interrupção, nem ligações telefônicas, já escreveu dez textos para teatro. Três deles foram encenados. Afirma que pode fazer esboços até mesmo pela manhã. Acorda, geralmente, depois das 10 horas. Não costuma demonstrar mau humor, nem se tiver o sono interrompido. Não fala mal de ninguém. “Do inimigo, a gente não pronuncia o nome.” Gosta, como ele mesmo diz, de manter um clima agradável ao redor de uma mesa, com os vários interlocutores com quem dialoga.

O lado sombrio da existência, a tristeza e temas não agradáveis ganham espaço em sua produção ficcional. A peça Final do Mês, de 2007, fala do drama brasileiro, sobretudo da classe média, que não consegue chegar ao dia 30, nem mesmo ao dia 23, com dinheiro no bolso ou na conta bancária. Já elaborou reflexões sobre as impossibilidades amorosas, o que se evidencia em meio às 15 faixas do álbum A Solidão Não Mata, Dá a Ideia, de 2006. Problematizou, mesmo que indiretamente, as transformações recentes de Curitiba, resultado do crescimento populacional, no CD recém-lançado Música de Apartamento. “O encontro dos temas se dá na minha vida, no que sinto, em como vejo e percebo o mundo.”

Caminha em cima de uma esteira escutando o álbum Five Leaves Left, de Nick Drake; fato inusitado, uma vez que a sonoridade do compositor inglês remete à introspecção, algo radicalmente diferente das músicas alegres que, em geral, estão associadas à prática de exercícios físicos. Na realidade, França gosta, e precisa, de estímulo musical. “Me faz bem.” Durante a alfabetização, já gostava mais da aula de música do que a de educação física.

Quando tinha 7 anos, a sua mãe; Maria Inês; o matriculou em um curso preparatório para a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). França formou-se em Publicidade, mas nunca atuou na área. Fez aulas de violão com Waltel Branco e Mário da Silva. As unhas de sua mão direita são compridas, como as de quem costumeiramente dedilha cordas de aço e nylon.

França tem um sorriso quase contínuo no rosto, mas a expressão não é sinônimo de alegria permanente. Ri, por exemplo, ao não entender por que o repórter da Gazeta do Povo pergunta a respeito de seu prato predileto. “Massa e carne”, responde, entre uma gargalhada e um franzir de cenho. Ri, também, diante de perguntas aparentemente sem objetivo, por exemplo: Qual a sua altura? “1,78 metro.” Qual o seu peso? “75 quilos.” Pretende sair do apartamento dos pais e morar sozinho? “Mas eu me dou bem com eles”, diz, com alguma convicção.

Ele acredita em karma, em lei de causa e efeito. “Tudo o que você faz, um dia volta pra você.”

Estranha que o repórter não tenha anotado nada no primeiro encontro, que aconteceu no Lucca Café, no Batel. E fica curioso ao ver as muitas anotações em bloco de papel durante o segundo encontro, dias depois, no Paço da Liberdade, no Centro.

O artista curitibano, também autor de dois livros de poesia, conta que amadureceu muito a partir do momento em que começou a conviver com profissionais mais experientes, como a atriz Claudete Pereira Jorge, de 55 anos, e o maestro e diretor de teatro Octávio Camargo, de 42. “Aprendi, mesmo de maneira indireta, que não preciso dar ‘carteirada’ e me exibir, exageradamente (como artista). Também passei a escutar e a respeitar mais o próximo.”

França cofia a barba com a mão esquerda, sorri e pede mais um café. “Gosto de temperatura amena, nem frio, nem calor. A temperatura de Curitiba está incrível, não é mesmo?”, pergunta, antes de se despedir. Sorri, com a boca; e com os olhos.

Trajetória

Saiba quais são as obras de Alexandre França

Livros de poesia

Mata-Borrão, Batom (2003) e Toda Mulher Merece Ser Despida (2005).

CDs

A Solidão Não Mata, Dá a Ideia (2006) e Música de Apartamento (2009).

Textos de teatro já encenados

Um Idiota de Presente (2006), Final do Mês (2007) e Habitués (2008).

Internet

Ele mantém o site alexandrefranca.com.br e o blog alexandrefranca.blogspot.com.

Para o Blog do Caderno G, França apresentou uma definição sobre a capital paranaense:

“Curitiba é uma rinite que tentamos, a todo custo, curar entre edredons e livros do Dostoiévski.”


sexta-feira, setembro 18, 2009

Otávio Linhares



Cena escrita para o Núcleo de Dramaturgia - Sesi - PR

Cena 3

Alguém sentado em frente à TV. Entra 1.

1 – Não acho que se você ficar sentado aí o dia inteiro as coisas vão melhorar.
De fato, não vão melhorar.
Tenho certeza que não.

(silêncio)

1 – Já pensou em dar uma olhada nos classificados?
Hoje é domingo.

(silêncio)
(1 sai / pausa / 1 volta)

1 – Parou de chover.

(1 pára olhando Alguém)
(1 sai)
(entra 2)

2 – Eu acho que se você ficar sentado aí o dia inteiro as coisas vão melhorar.
De fato, vão melhorar.
Tenho certeza que sim.

(silêncio)

2 – Já pensou em dar uma olhada no canal 12?
Hoje é domingo.

(silêncio)
(2 sai / pausa / 2 volta)

2 – Ainda está chovendo.

(2 pára olhando Alguém)
(2 senta)
(1 volta)

1 – Não acho que se vocês ficarem sentados aí o dia inteiro as coisas vão melhorar.
De fato, não vão melhorar.
Tenho certeza que não.

(silêncio)

1 – Já pensaram em dar uma olhada nos classificados?
Hoje é domingo.

(silêncio)
(1 sai / pausa / 1 volta)

1 – Parou de chover.

(1 pára olhando Alguém)
(1 sai)
(entra 3)

3 – Eu não acho que se vocês...
Alguém e 2 – Pshhhhh!!!!

(silêncio)
(3 senta)
(1 entra)

1 – Não acho que as coisas vão melhorar.
Tenho certeza que não.

(silêncio)

1 – Já pensaram?

(pausa)

1 – Hoje é domingo.

(silêncio)
(1 sai / pausa / 1 volta dentro da TV)

1 – Parou de chover.

(Alguém, 2 e 3 se olham / Alguém muda de canal)

1 – Conheci Flávia no baile. Dancei a noite inteira. Guardei a fotografia no bolso e fui pra casa a pé.

(Alguém muda de canal)

1 – A minha primeira bicicleta eu ganhei quando eu tinha cinco anos. A minha primeira ladeira, quinze minutos depois. O primeiro machucado, vinte e cinco minutos depois da minha primeira ladeira. O meu primeiro namorado não lembra meu nome.

(2 levanta e bate na TV)

1 – Sarah levantou e foi passar o café. Abriu o armário e separou duas xícaras. Janela aberta, cheiro de pão fresco, toalha de cetim e torradas com manteiga. No rádio, Gardel rasga um coração sozinho.

(2 bate na TV violentamente)

1 – Dentro do táxi, Osvaldo lê mensagens em seu celular. Pensando que nesse momento estava atualizando seus sentimentos, ficou cabisbaixo e não viu o que realmente se passava pelo mundo.

(3 sai / 2 continua batendo na TV / Alguém briga com o controle / A TV muda de canal freneticamente fazendo barulhos industriais e atordoantes por um tempo bem longo)
(silêncio / pausa)
(barulho de serra elétrica / sangue e vísceras jorram para fora da TV)
(um apresentador de programa de auditório sai da TV empunhando uma serra elétrica e corre atrás de todos / decapita-os / as cabeças ficam caídas no sofá)

(1 entra limpando a sujeira)

1 – Não acho que se vocês ficarem sentados aí o dia inteiro as coisas vão melhorar.
De fato, não vão melhorar.
Tenho certeza que não.

(silêncio)

BLACKOUT

Linhares

terça-feira, setembro 15, 2009

Turbulência

Perdão, amigo
Te levei para um abismo
Um inferno particular
Onde os vampiros dão
Boas vindas
As mulheres não são
Tão lindas
E a memória
Que apaga os dias, as horas
Nos esquece só
No fundo de um bar.

Por que agora é tão triste
Não ver o sol?

A escuridão nos cegou, amigo
E as sombras que rodam rodam
Fritam nossas idéias
Que não são mais nossas
Que não são mais
De ninguém.

Que fundo falso,
Blefe ou mágica
Nos faz acreditar
No amor que não existe?

Qual rumo tomar
Depois da casa de aço
Que construímos
Em cima de tudo?

terça-feira, setembro 08, 2009

Nick Drake
André Mehmari e Ná Ozzetti
Ego

O sol está caindo
Sobre nossas cabeças.
Irritado,
Ele mirou o astro maior
Em minha cara.

E aja protetor solar,
Suor, calor, moleza, depressão,
Depressão, depressão, depressão.

Era o que Ele queria:
A minha solidão
Mesmo que a humanidade
Falecesse comigo
Perdida



sábado, agosto 29, 2009

Davi Sartori e Alexandre França - Porta-retratos
Lançamento do CD "Música de Apartamento" no teatro Paiol



Porta-retratos
(Octávio Camargo, Alexandre França e Thadeu Wojciechowski)


Fósforo aceso na madrugada
Uma carta de adeus queimada
Calada mais de uma vez por dia
Flores perdendo o tempo
De serem dadas envelhecendo
Nas cinzas que a tarde fez
Da vida
Pétala a pétala, conto todas as pétalas
Arrancadas da rosa que eu guardei
No armário
Uma lembrança do mar de espinhos
Que chuva tempestuosa da despedida
Detém num raio
O apartamento que abandonei
Toda a mobília que eu não usei
Como sumir do porta-retratos
Que você guarda na sua mesa
Mas o dia amanheceu
O dia amanheceu
Amanhecer o dia me faz muito bem
Faz muito bem.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Os colecionadores



Olha, tem gente querendo foder o mundo
E você fazendo teatrinho pra boi dormir
Brincando com as últimas tendências da moda
Junto com os seus amigos colecionadores
De comandos em ação

As palavras não se esgotaram
Você está falando agora
Mas de alguma forma eles te querem mudo
Os colecionadores
De alguma forma eles te querem
À imagem e semelhança
De um fracasso do passado

O que os move a escrever?
Ter mais bonequinhos
Que os seus colegas de sala?
A possibilidade de falar
Sobre o nada
E sair ileso do teatro?
A carência, a solidão
A falta de assunto?

Quem mandou
Apagar as luzes
Da minha casa?

Quem mandou
Apertar o mute
Do que acontece
Lá fora?

segunda-feira, agosto 24, 2009

Abrigo anti bombas


Bette Davis e Joan Crawford em "Whatever happened to baby jane"


Nestes bombardeios aéreos
de gente mal amada e carente
geralmente eu a mantenho trancada
em meu depósito de ilusões.
Um quarto abandonado da casa
de um filho que nunca nasceu.

Eu poderia te ensinar as coisas
que um cachorro ensina a uma criança,
mas já abandonei o circo,
estou há mais de um mês na jaula
jogando cartas com os elefantes.

Acho que deveríamos assistir mais filmes
Matar um pouco a saudade
Do que acontece lá fora.
O mundo em sua sala de visitas
só aceita a solidão.
Colaram um aviso na porta:
“é proibida a entrada de casais apaixonados”
é como em Paris o fumo
em locais fechados
eles não toleram mais a presença
destes desgraçados
que tanto fazem mal à saúde.

domingo, agosto 23, 2009

A culpa


Quem nos ameaça?

O que nos atingiu?

O nosso medo mata?

O que nos torna frios?

Calculando a morte

Nas ruas do Brasil

A arma faz da sorte

Um tiro no vazio

Qual cristo morrerá por nós?

Qual cristo morrerá em cena?

A tv ainda acha

Que valemos tanto a pena

E nos protege

De toda a culpa do mundo

Quem poderia admitir

Qual coragem nos faria admitir

A culpa toda do mundo?


_____________________________


Canção nova. Nova fase. Novo assunto.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Música de Apartamento - fotos de Albert Nane


Octávio Camargo me ajudando com o prelúdio do Villa-lobos.


momento "mercadoramama"


Com André Abujamra, cantando "ninguém ouve ninguém". Ao fundo, Davi Sartori.



Davi Sartori, Alonso Figueroa e Vina Lacerda


Com os amigos Octávio Camargo, Alexandre Nero, Gilson Fukushima e Luiz Felipe Leprevost
(esta última foto é do meu irmão Phillip França)

Para quem não foi no show
"mercadoramama" com a participação do Phillip na voz de fundo

terça-feira, agosto 18, 2009

quinta-feira, agosto 13, 2009

Do Caderno G da Gazeta do Povo

Alexandre França apresenta sua Música de Apartamento

Divulgação / Alexandre França: no novo disco, explora “o sentido burguês do apartamento”
foto: Albert Nane

Publicado em 13/08/2009 | Pedro de Castro, especial para a Gazeta do Povo

Seguindo a linha de temas tristes e intimistas iniciada com “A solidão não mata, dá a idéia”, o novo disco do músico curitibano Alexandre França toma um espaço de clausura das cidades como metáfora para falar de um personagem ordinário, o chefe de uma família de classe média. Música de Apartamento transforma a previsibilidade deste cenário numa sequência de tragédias teatrais, acompanhada de uma instrumentação pouco carregada. França lança o novo disco hoje e amanhã, no Teatro Paiol, às 21 horas.

O apartamento é o espaço onde se desenvolvem as histórias das letras das canções, que mantêm uma tênue linha narrativa, pouco evidente de propósito. Dentro dele, o homem experimenta decepção, traição e morte. Porém a continuidade não é mais importante que os episódios isolados. O espaço delimita a ação, é a clausura do personagem, e acumula outro significado. “Exploramos o sentido burguês do apartamento, símbolo desta camada, que não só contém como está ligado ao percurso do sujeito de classe média”, explica França. A presença do tema do isolamento remete ao disco anterior, que o músico faz questão de diferenciar. “Bus­ca­mos outro sentido além da solidão do apartamento, e este disco tem um tom mais intimista”, esclarece.

A visão voltada para si próprio é reforçada por um arranjo de poucos instrumentos, que tam­­bém abre espaço ao viés cênico das canções. Sons encontrados no ambiente de um apartamento, como o barulho de água fervendo na chaleira até o ranger de portas ou o choro de um bebê, interferem na melodia das canções, pautadas pela estética da MPB. Um exemplo é a faixa que abre o trabalho, “Valsa de Apartamento”, onde o som de escovar de dentes dita o ritmo da canção. “A intenção é que o ouvinte fique absorvido na atmosfera do lugar através do disco e a instrumentação contribui com isso”, conta o músico.

França espera que o trabalho tenha uma boa recepção. “O outro disco já tinha recebido boas críticas”, lembra. O CD foi produzido dentro do âmbito do projeto Pixinguinha, da Funarte, que visa difundir a música popular brasileira.

* * *

Serviço

Música de Apartamento – Alexandre França. Teatro Paiol (Lgo. Guido Viaro, s/nº – Prado Velho), (41) 3213-1340. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingresso: R$ 15 (com CD), R$ 10 e R$ 7 (estudantes).

quarta-feira, agosto 12, 2009

É amanhã! Não percam!

terça-feira, agosto 04, 2009

Tumulto

O que acontece lá fora?
O tumulto ainda não nos atingiu.
Cadê minha dor?
Fugiu de casa

Quem nos conhece lá fora?
Lá no fundo, bem no fundo, alguém sentiu
A dor desta dor
Que eu cultivava.

O mundo está mudo, não sente, não chora
Não fala o que passa aqui dentro
Eu sei, você dirá que isto não importa
Estamos sozinhos na sala

E agora que o tempo parou, meu amor
É hora de nos abraçar
Até o dia passar
Sem querer
Por nós.
_______________________

canção nova daquelas que a gente não esquece tão fácil.

domingo, agosto 02, 2009

Choro suicida


Música do meu amigo Octávio Camargo. Letra deste que vos fala. Uma das muitas parcerias "cancionísticas" com o Octávio. Ganhou versão nova no cd "Música de Apartamento". No vídeo, a minha querida amiga Bárbara Kirchner canta junto comigo (apresentação do Thadeu, do Octávio e da Bárbara na Casa Gomm)

Choro Suicida

(Octávio Camargo e Alexandre França)


Nem toda história de amor acaba em morte, mas

Em Curitiba estes números assustam, pois

Quando o inverno chega por aqui

Os suicidas de amor se multiplicam por dois


Mais um poeta da dor se joga fora do bar

Onde a garoa cai guardando suas palavras

No piso de pedra do Alto da Glória para

Toda a boemia abraçada rir cantando


Nem toda história de amor acaba em morte, mas

Em Curitiba estes números assustam, pois

Quando o inverno chega por aqui

Os suicidas de amor se multiplicam por dois


Esta doença de amor não tem remédio, porém

Em Curitiba no inverno os bares enchem mais

De gente fria esquentando com cachaça

Um desejo que no fundo só faz bem de mais


eu mesmo largo mão de tanta hipocrisia

dançando com as mocinhas da cidade

que eu não dava valor

em cada esquina mais um santo se agita

ao ler a missa que Dionísio saberia de cor


na rua o tom de cinza tenta dar um clima

avermelhado pro curitibano se despir do pudor

e a chuva deixa dentro um fogo um cataclisma

pulsando um outro sentimento que nos dá calor


é a polaca do Batel deixando a boca sorrir

falando alto, sem vergonha, pro comboio ouvir

que o esporro vai continuar na sua casa

outra casa cabisbaixa para farra enfeitar

com cores novas a fachada desbotada

cheia de lambrequins

um vinho campo largo pinta os dentes de um infeliz

que agora fala pelos cotovelos que não doem tanto

quanto antes numa época em que o amor doía como

aneurisma ou pontadas na barriga, o amor era uma briga

que batia um coração desajustado, tão cansado de sofrer

por opção


Nem toda história de amor acaba em morte, mas

Em Curitiba estes números assustam, pois

Quando o inverno chega por aqui

Os suicidas de amor se multiplicam por dois


Mas toda noite do mundo que se preze também

Possui no fundo da gaveta um suicida bem do tipo

Que não liga tanto para a vida, mas

Que para morte nunca deu a mínima.


quarta-feira, julho 29, 2009

Música de Apartamento - 13 e 14 no Teatro Paiol

quarta-feira, julho 22, 2009

Hoje vou assistir mais uma vez "Sinédoque, Nova York"



Depois, quem sabe, eu escreva alguma coisa sobre. Não sei se vou dar conta da complexidade do assunto.

segunda-feira, julho 20, 2009

Albert Nane



O que se passa nas nuvens de seus olhos?
Que luz rabisca o céu de sua mente?

A pomba rapta a ventania do assombro
E tal rasgo é belo em sua lente.

Suas pálpebras ao abrirem/ ao fecharem
São acenos, abraços em desenhos
Órfãos de significados.

Que som o acorda para este mundo?
O que tanto eu aprendo
Com todos estes auto-retratos?

http://www.flickr.com/photos/curitiba/

terça-feira, julho 14, 2009

Capa do meu novo cd "música de apartamento" e três novas canções no Myspace



Lançamento dias 13 e 14 de agosto no teatro paiol.

Entre no myspace.com/alexandrefranca e ouça três canções deste novo trabalho.

sexta-feira, junho 19, 2009

Manhã

Sol muito sol
Manhã de muito sol
Me despedindo das manhãs
Voltarei para a noite pesada
Coisa para poucos notívagos.
Amizades reatadas, corações reconstruídos.
A cadela aqui de casa
Já foi operada e passa bem
(inflamação no útero, coisa séria)
A minha imaginação também
Já foi operada e passa bem
(inflamação no ego, coisa chata)
A nova peça começa a ganhar corpo.
Os livros se multiplicando
Novos amigos na área
Enfim
Boas condições climáticas
Para o uso
Do solo.

segunda-feira, junho 15, 2009

Tom Jobim, Edu Lobo e Chico Burque

Eu ainda viajo neste som. Sempre vou viajar.

sábado, junho 13, 2009

Portishead

sexta-feira, junho 12, 2009

Fúria


Pollock

Peguei minha fúria nos braços
E com uma neurose afiada, protegi
Seus frágeis tentáculos de toda
E qualquer conciliação, de toda
E qualquer boa vontade, da azeda
Filantropia que nos alimenta o espírito
Da falta de delírio, de toda falta de delírio
Amei minha fúria com a garganta corroída
De tédio, apatia e esperança
Abracei e beijei minha fúria
Com a mesma docilidade que tem
A criança ao abraçar um cão feroz
Me atirei novamente em sua sinfonia
De gritos e rasgos e traumas e cicatrizes
Me atirei no abismo de pânico que vive
Dentro da gente, como o mofo
Que mora nos pálidos cantos do nosso quarto
Eu fui este abismo um dia
Eu sou a fúria que agora tenho em meus braços
Como tenho a respiração enquanto durmo
Como tenho o tempo parado a um palmo de distancia
Enquanto amo e beijo e fodo a minha fúria
Hoje sei, quebrando o bar que existe aqui dentro
Quebrando os porta-retratos que existem aqui dentro
Quebrando os pratos, rasgando as roupas, mijando pela janela
Estourando as placas, as lâmpadas, os postes, os carros das ruas
Que existem aqui dentro,
Hoje eu sei
Minha fúria não tem limites
Quando a tomo nos braços.

sábado, junho 06, 2009

Sobre o amor

Marcel Duchamp - Nu descendo uma escada


O percurso dos prédios em minha mente faz revelar a circulação sanguínea do seu mundo. Sua manhã, sua tarde, sua noite. O seu assombro diante do abismo que somos nós e que são todos que estão ao nosso redor. O seu corpo entre a dobra do tempo e o risco do espaço, este objeto amorfo se desfazendo em pequenos acidentes vasculares no meu cérebro. O que dizer das seqüelas que a nossa relação nos causa, um apego impenetrável, um andar sem juízo, um cuidado excessivo com tudo o que não nos abrace, com tudo o que nos causa perigo imediato: comentários, insinuações, venenos e ferrões sociais. Quanto mais sinto a facilidade em te amar, mais sinto a dificuldade em me manter vivo a carregar esta dádiva. O que a torna inescapável? Por que o amor nos cobra o preço? Por que eu sinto que o nosso abraço mesmo desesperado nos salva do desespero que é a vida,


que é sentir esta angústia de suicídio e salvamento, de troca e solidão?

sexta-feira, junho 05, 2009

Janis Joplin


a única com um overdrive nas cordas vocais!

quinta-feira, junho 04, 2009

Vinicius de Moraes


Vinicius e Tom

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."


Texto extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.

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