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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

cansaço


Lygia Clark, Escada, 1951

Ando cansado de falar
Da depressão dos dias
Do dilatar das ruas
Frente aos passos murchos
Da multidão insone.

O silêncio das estações
De ônibus as três da matina,
O silêncio dos prédios
Abandonados aos fantasmas
Suicidas não me metem
Mais medo.

Nem ao menos ouso
Sentir medo de mim.
Ando cansado disto:
Da carícia dada por dentro
De dentro das ondas de ego
Que abalam meu estômago.

As coisas que me cercam
As coisas que me cercam desmancharam
Meu espírito.
O que será de mim
Esta mancha desbotada
No escuro do quarto?

Não me importo mais com a morte
Em meus poemas baratos

Não me importo mais com a morte
Em noites de temporal
Em dias de escuridão
Em noites de agonia e dor

A minha morte não interessa
Para a literatura.

1 comentários:

Rodrigo Gava disse...

desculpe o palavrão e a falta de simpatia neste primeiro contato. Lendo o blog do Otávio Linhares me deparei com esta poesia sua. Puta que pariu, que perfeição é esta de encontrar um texto que seja todo pra você numa manhã calorenta?
Parabéns pela sensibilidade.

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