
Lygia Clark, Escada, 1951
Ando cansado de falar
Da depressão dos dias
Do dilatar das ruas
Frente aos passos murchos
Da multidão insone.
O silêncio das estações
De ônibus as três da matina,
O silêncio dos prédios
Abandonados aos fantasmas
Suicidas não me metem
Mais medo.
Nem ao menos ouso
Sentir medo de mim.
Ando cansado disto:
Da carícia dada por dentro
De dentro das ondas de ego
Que abalam meu estômago.
As coisas que me cercam
As coisas que me cercam desmancharam
Meu espírito.
O que será de mim
Esta mancha desbotada
No escuro do quarto?
Não me importo mais com a morte
Em meus poemas baratos
Não me importo mais com a morte
Em noites de temporal
Em dias de escuridão
Em noites de agonia e dor
A minha morte não interessa
Para a literatura.
1 comentários:
desculpe o palavrão e a falta de simpatia neste primeiro contato. Lendo o blog do Otávio Linhares me deparei com esta poesia sua. Puta que pariu, que perfeição é esta de encontrar um texto que seja todo pra você numa manhã calorenta?
Parabéns pela sensibilidade.
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