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domingo, outubro 14, 2007

garoa

O suor das xícaras de café
No peso da minha digitação
O choro das calhas das casas
Abandonadas
O líquido frouxo das bocas
Úmidas dos cães de guarda
Latindo
As latrinas, as pias, as toalhas
Os chuveiros chovendo
A assepsia das donzelas do batel
O mundo
Lacrimejando o tempo todo
Por todos os poros
A fala descompassada de alguém
Que soluça e chora
O gesto de adeus de alguém
Que soluça e chora
A boca seca de alguém
Que soluça e chora
O suspiro final de alguém
Que soluça e chora
A minha voz presa
No conta-gotas da lógica
Que soluça e chora

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