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domingo, outubro 21, 2007

uma lembrancinha de "um idiota de presente"

Para quem não assistiu a temporada no Guaíra, o trecho inicial da peça "Um Idiota de Presente". Lembrando sempre que a opinião da personagem "Maria" não reflete a minha opinião (isto mesmo, senhores "o filme Tropa de Elite é facista"). Bons tempos. Quem sabe um dia eu volte com esta peça, enfim...

Maria – Olhem para esta figura fraca, patética e impotente. Sem dúvida isto é fruto de anos de história voltada para a inserção da compaixão na cabeça do ser humano. Esta mulher tem compaixão por mim, pelo tal João e claro, como todos que não tem vontade própria, por si mesma. Olhem o exemplo de anulação da vontade, sintam o cheiro de claustro e sacristia que as palavras fúteis e bregas desta mulher exalam. Eu pergunto a todos vocês qual seria o remédio para esta doença degenerativa chamada esperança? Qual o remédio para esta ilusão cultivada há séculos por pequenos usurpadores dos desejos humanos. Eu digo e repito: a morte. A morte dela ou de outro. Nós todos temos o direito de escolher quem irá morrer: ou eu ou você. A escolha está implícita na nossa natureza. Basta consultar a si mesmo e você verá: temos este poder de matar. Olhem como ela se resigna ao nada e como sente prazer em inventar desculpas. Olhem como ela sente prazer em cultivar uma culpa que não existe. Dá onde vem isto tudo? O que a torna “melhor” do que eu? Vocês acham que estou enganada e que o matar não faz parte da nossa natureza? Quem sussurra agora mesmo em nossas cabeças a sentença de que Sônia é boa e eu sou má? Sempre quis o melhor para ela.. Eu sei que matar faz parte da luz que move todo o ser humano e que esta luz nos fará pessoas melhores. Ter o poder de julgar quem deve morrer ou não e consumir o ato é para os mais elevados, eu tenho certeza disto...mas preciso de uma prova, de um fato, de um ritual. Preciso que Sônia. Mas como? O cristianismo já tomou conta do corpo de Sônia e agora me parece algo impossível provar para ela que o paraíso é mera literatura. Como fazer com que Sônia siga a sua própria natureza? Esta é uma experiência definitiva. É preciso que as pessoas dominem o poder destrutivo existente em sua natureza para que elas possam lidar com o matar. A minha irmã não será mais uma idiota.

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