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terça-feira, março 31, 2009

Barulhos do fim


Morri suave, aqui do décimo oitavo andar

Um inseto que morre sem querer

Sem que a morte toque seu ombro esquerdo

Janela fechada na cara

Com as asas intactas

Braços cruzados no peito

E a esquadrilha da fumaça a resgatar

Nossas curvas de pensamento.

Morri distante e impreciso

Curitiba sorrindo no canto

Do olho de um vira-latas sarnento

Majestosamente alterado por

Surras mentais e remédios vencidos

Morri engasgado,

Vaidade rasgando o estômago

Fazendo do ódio performance

Teatro para o povo

Uma multidão de ninguéns

A aplaudir meu último salto.

Morri como se deve morrer

Um planeta

Definhando em minha terra estéril

A espera do messias

A espera de Deus

A espera da recepcionista

Telefonista, balconista, caixa de supermercado

A espera de uma explicação do gerente

Do político, do coronel, da mãe, do pai, dos irmãos, dos amigos

A espera do telefonema

Na hora exata.

Ninguém comentou o fato.

Morri no instante da pausa

Sem que nenhum vizinho saísse

Incomodado de casa.

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