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terça-feira, novembro 14, 2006

Texto do Leprevost que estará no meu site

Numa bosta de luau promovido por garotinhos cagões

Não é que ele só queira escrever umas canções tristes. O fato é que ele só consegue fazer dessa maneira, com tristeza. Sei que ele era a fim de dar porrada num bando de play-boys babacas que freqüentavam o cursinho pré-vestibular do Colégio Positivo. Sei do desprezo dele pelas patys que circulam ali pelo Shopping Cristal. Então é por isso que ele derruba a munheca naquele violão. Por isso e porque ele adora a noite curitibana com toda sua neblina característica, com todas aquelas pessoas vestidas com sobretudo preto bebendo vinho Campo Largo e fazendo merda no calçadão do Largo da Ordem. Só que o cara não é tosco, ele estudou música clássica, ele estudou violão com o maestro Waltel Branco, caralho, não foi qualquer um que teve esse privilégio. Só que mesmo assim ele prefere enfiar a porrada naquele violão, o mesmo que presenciei uma vez voar e passar raspando por uma fogueira igualmente nervosa numa bosta de luau promovido por garotinhos cagões lá na praia do Condomínio Atami. Naquele dia o maluco vomitou sangue, literalmente, e a partir de então minha má influência havia tomado conta da sua vida. Quer saber? Foda-se. Com toda areia e outras tantas sujeiras ele continuou tocando aquele violão desesperado. Meses depois o violão continuava comprometido, saía areia de tudo que é lugar. Acho que aquele violão nunca mais foi limpo, acho que ninguém teve a manha de passar um paninho nele. Porra, tô querendo dizer o seguinte: Que bom que o violão do França foi sujo por muito tempo. Que bom que a voz dele é uma voz meio estragada já naturalmente e piorada com maços de Malboro e garrafas de conhaque. Foi você, Bróder, que me ensinou que a solidão não mata, só dá a idéia. Isso bem antes do teu disco existir. O que posso dizer? Teu álbum é belo e triste, belo porque triste. E quem quiser degustá-lo tem que saber que por trás duma estudada docilidade virá o veneno sinistro corroendo a garganta, incendiando a traquéia, revirando o estômago. E como resultado final, inevitavelmente sentirá os olhos nublarem.


Luiz Felipe Leprevost

Rio de Janeiro - Baixo Leblon

07/11/2006 - 00:28 horas

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