Música nova na área.
O Thadeu me disse que o Walmor fez uma música do caralho em cima dessa nossa letra. Não vejo a hora de conhecer a canção pronta e de conhecer o Walmor também.
Mártir Luther King
eu tive um sonho
que só me deu pesadelo
armas de fogo
me mataram de medo
o húmus sapiens
é bem pior que esterco
aquele que já fui
é hoje meu cerco
pensei ser o último dos mártires
mas a onda de sangue me reflui
(thadeu, sérgio viralobos e alexandre frança)
.
Blues Curitibano
quinta-feira, março 02, 2006
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Noitada furiosa
Ontem de noite o Nick Farewell, um camarada gente boníssima aqui de Sampa me surpreendeu com alguns textos de alto calibre. Para o deleite de vocês aí vai um.
Todos dançam lentamente
Dão seus passos tímidos para o lado
E esperam que a música os arremate
Mas todos dançam sozinhos
Mesmo acompanhados
Ninguém pode escutar ou sintonizar
A música que toca em cada íntimo
A vida sempre promove um baile cego
Todos dançam com todos
Mas na verdade, ninguém dança com ninguém
Tente assobiar
E saberá que a felicidade é somente sua
Imperfeito, solitário e trágico
Mas o amor também dança em passo lento
Ele dita, mastiga e cospe
A partitura que você rege
Para tocar
A miserável sinfonia de cada um de nós
Nick Farewell
Ontem de noite o Nick Farewell, um camarada gente boníssima aqui de Sampa me surpreendeu com alguns textos de alto calibre. Para o deleite de vocês aí vai um.
Todos dançam lentamente
Dão seus passos tímidos para o lado
E esperam que a música os arremate
Mas todos dançam sozinhos
Mesmo acompanhados
Ninguém pode escutar ou sintonizar
A música que toca em cada íntimo
A vida sempre promove um baile cego
Todos dançam com todos
Mas na verdade, ninguém dança com ninguém
Tente assobiar
E saberá que a felicidade é somente sua
Imperfeito, solitário e trágico
Mas o amor também dança em passo lento
Ele dita, mastiga e cospe
A partitura que você rege
Para tocar
A miserável sinfonia de cada um de nós
Nick Farewell
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Sampa
Gente fina do meu coração, esta semana estarei em Sampa junto com o parceiro de iconoclastia Leprevost (que inclusive, numa atitude totalmente "iconoclastinha" não pára de visitar os banheiros das lanchonetes sujas da av. paulista... tudo bem, em São Paulo todo turista fica meio cagão mesmo). Semana que vem eu voltarei com algumas histórias pra contar. Abraços.
PS: Thadeu, vamos combinar aquela cerveja no final de semana! E não vale dar pra trás!
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Iconoclastinhas na área (Luiz Felipe, o poema abaixo é para ser continuado)
O perfume da vodka expulsava os bons espíritos
e até as bolachas submetidas aos copos de cerveja
ressecavam e carcomiam.
A madeira, ainda podre, cuspia chicletes velhos
e a platéia sorria com os dentes partidos do bêbado
adormecido no último sofá da sala vago
um pivô ainda escorava o limite
entre o sono e a noite banguela
eu era aquele bêbado
e decidi dormir.
O perfume da vodka expulsava os bons espíritos
e até as bolachas submetidas aos copos de cerveja
ressecavam e carcomiam.
A madeira, ainda podre, cuspia chicletes velhos
e a platéia sorria com os dentes partidos do bêbado
adormecido no último sofá da sala vago
um pivô ainda escorava o limite
entre o sono e a noite banguela
eu era aquele bêbado
e decidi dormir.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Poetas do Batel (nova versão com a participação de Luiz Felipe Leprevost)
Ponto Final, 4:30 da manhã. O ventilador de teto nos dizia "façam o mundo girar." E nós capotávamos o carro em toda fossa que encontrávamos no caminho. E gritávamos a nossa sacada genial de dentro do táxi para as gurias espremidas nas janelas dos ônibus Circular-Centro. Era um tempo em que passávamos três meses em Guaratuba ou Caiobá, de frente pra praia, sem fazer nada, achando que fazíamos o necessário. Não pegávamos o Interbairros I, apenas admirávamos aquele amontoado de estudantes do CEFET a suportar o frio no intervalo entre as aulas do curso de edificações e os próximos goles de cerveja na praça de alimentação do Estação Plaza. Comíamos no falecido Maionese Dogs, que morreu num racha de carro justamente quanto estava ficando rico e podia investir na sua paixão. Sim, nós éramos uns desses irresponsáveis que ficavam jogando truco nas mesas das panificadoras ao redor do Colégio Positivo no ano do Vestibular quando todos nossos conhecidos estudavam mais de cinco horas por dia pra passar em medicina na Federal. Não frequentávamos sem nossos irmãos mais velhos casas de show como o AeroAnta e o Coração Melão, nem bares sofisticados. No máximo conseguíamos nos transformar em habitues de zoninhas de família, tomando chá com a Dona Olga ou dividindo o cigarro Godan Garan com a Tia Fátima. Fora isso eram aquelas festinhas nos salões dos prédios em que meninas levavam doce ou salgados e meninos refrigerante, mas alguns traziam uma ou outra cerveja mocada na jaqueta e bebíamos e achávamos que aquilo que provocávamos podia ser considerado porrada e voltávamos pra casa à pé por três quarteirões com um puta cagaço de ter os bonés de times americanos roubados. Pobres alminhas sequer imaginávamos que em breve só frenquentaríamos, por opção, bares podres como o Gato Preto e o Kappelle, pra depois voltar à limpeza de querosene dos nossos quartos pintados de azul com posters da Disneylândia exatamente como fazíamos na época das festinhas. Era o lugar onde ficávamos sabendo das últimas fofocas da política do Lerner durante o almoço. Era onde nos chegavam os convites pros bailes de debutantes. E a gente trocou tudo isso pela vodka e pela certeza de que podemos voltar a qualquer momento tanto pra um lugar quanto pro outro, mas acontece que um deles já não nos reconhece mais. O ventilador de teto nos mandava "joguem merda e façam tudo girar." E então nós aprendemos a tomar uísque 12 anos com Red Bull na beira da piscina de asfalto da Avenida Batel congestionada feito um nariz nos domingos de tarde ao lado de caras inacreditáveis como o Tadeu e o Tatára. Eles eram típicos polacos da Barreirinha, caras que conheciam bem a Curitiba de antes da "Era Lerner". Foram malucos como esses que nos mostraram que continuando pela Av. Batel se chega num restaurante Bar Palácio. Foram malucos como esses que nos fizeram preferir o Bar Stuart aos escritórios bem decorados do Centro Cívico. Nós éramos os poetas do bairro dos prédios caros e fazíamos as coisas ficarem tontas no verão a passos de Sandálias Havaianas brancas que, pouco a pouco, entrariam na moda. No inverno era protegidos por pantufas, bom-bons e estufas que cometíamos nossos poemas de revolta. Talvez uma revolta fácil, na opinião de alguns, que achavam que víamos as coisas de um lugar privilegiado. Quem sabe a crítica seja fundamentada, mas acontece que nunca negamos nada, e entendemos desde cedo que a nossa poesia estaria próxima da vida. E a vida que nos interessava estava tanto nas putas viciadas da Saldanha Marinho quanto nas putas viciadas dos salões do Graciosa Country Club, estava tanto nas histórias dos polacos do Abranches quanto nos "manos" do Sítio Cercado. Tínhamos voracidade em conhecer a Colônia Rebouças e a Ilha do Mel. Queríamos conhecer tanto o vanerão em algum CTG em Campo Largo quanto beber champanhe na Muzik de Riad Omairi ou ainda pular as marchinhas da turma do Conservatório de MPB no pré-carnaval do Largo da Ordem. Porém sempre voltávamos ao Ponto Final, onde aprendíamos ser tristes com canções de Lupicínio Rodrigues. 7:30 AM. Eram manhãs vazias, e nós compreendíamos o quanto éramos amplos e angustiados. De volta pra casa escutávamos a Rádio Educativa como se a qualquer momento estivéssemos prestes a sofrer um acidente de carrro. Alguém roncava no banco traseiro, e ali estava nossa tão comentada vocação para o rock and roll. Mesmo assim a gente ouvia um som qualquer tradicional como Cartola ou Nelson Cavaquinho e pensava "putz, porque não conseguimos gostar do que é feito aqui, porque os de Curitiba a gente ouve uma só vez por curiosidade e enche o saco?" Acontece que isso era verdade só quando os caras tentavam imitar os cariocas, aí era uma merda mesmo. Estávamos cheios dessas referencias de compositores e poetas, que até admirávamos, mas que não nos diziam nada há muito tempo. No entanto, quando era música feita por caras como o Like, aí a gente ouvia sem parar e entendia que é possível ser curitibano pra caralho mesmo usando elementos da careta e batida musica brasileira. De repente a Avenida Sete de Setembro se iluminava com catarradas e bitucas de cigarro. Muitos dos geniais roqueiros da cidade foram criados em apartamentos de bairros como o Cabral, o Água Verde, o Champagnat e até mesmo o Batel, prédios com garagem coletiva, prédios onde as famosas bandinhas de garagem não tinham espaço pra nascer. Tudo começava a rodopiar com mais velocidade, como se estivéssemos eternamente saindo e entrando e voltando a sair e entrar na porta giratória do Banco Itaú. Agora existia uma nova cidade. A tradicional família Curitibana se desmantelava. Poderíamos abrir guerra: Nós, os curitibocas, contra os novíssimos curitibanos, aqueles que vieram junto com as Universidades, com as empresas de marketing, com a Cidade Industrial e as montadoras de carros. Agora éramos parte de uma cidade violenta e grande. Nos apegávamos cada vez mais em Dalton Trevisan pra não perder a memória, mas tudo o que conseguíamos era sentir aquela velha ardência no estômago. Agora não víamos mais o Batista de Pilar nem a Bia de Luna circulando pelos bares. Agora não havia mais bares. Tudo era muito funcional, dividido em subúrbios residenciais e zona central, onde tudo é limpo e rápido, onde se trabalha. E a gente? Talvez só quiséssemos que as coisas girassem na contramão. Por isso o nosso QG no Batel, por isso essa vontade de desparafusar um pouco esse lugar, apartamento por apartamento, com nosso jeito bonachão enquanto comíamos pizza aos domingos nas salas bem decoradas de nossas tias-avós. E claro que nunca saberíamos quem foi que ligou o exaustor. Ventilador de merda... O inverno éramos nós agora. No fundo só não queríamos passar calor.
Alexandre França e Luiz Felipe Leprevost
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Poetas do Batel
Ponto Final, 4:30 da manhã. O ventilador de teto dizia-nos: façam o mundo girar! E nós capotávamos o carro em toda fossa que encontrávamos no caminho. E gritávamos em ônibus circular-centro a nossa sacada: em guaratuba ou em caiobá, de frente para praia, sem fazer nada e achando que se fazia o necessário. Não pegávamos o interbairros I, apenas admirávamos aquele amontoado de estudantes do cefet a suportar o frio intervalo entre a aula e o próximo gole. Comíamos no falecido maionese dogs e jogávamos truco nas mesas do colégio Positivo. Não frequentávamos casas de show, no máximo uma zoninha de família. Não frenquentaríamos mais bares podres, gato preto e espetinhos, mas sim a podre limpeza de querosene dos nossos quartos. Não saberíamos das últimas fofocas da política judia de Curitiba. O ventilador de teto mandava-nos: façam o mundo girar! E nós tomávamos guaraná light na beira da piscina de asfalto da avenida Batel. Nós éramos os poetas do Batel e fazíamos o mundo girar a passos de sandálias havaianas brancas, que passo à passo entrava na moda. Ponto Final, 7:30 da manhã, vazio. De volta pra casa um acidente de carrro. Alguém ronca no banco traseiro. A gente ouve um som bem maneiro do Rio de Janeiro (os de Curitiba a gente ouve uma só vez, por curiosidade). A gente ilumina a avenida 7 de setembro com catarradas e bitucas de cigarro. O mundo começa a girar. Uma só ardência no estômago. A gente não queria que o mundo girasse, ventilador de merda...a gente só não queria era passar calor.
sábado, janeiro 21, 2006
Natasha
Eis que depois de uma luta entre pesos pesados lá na praia (estômagos versus peças de alcatra), nada melhor para relaxar do que as irmãs Natashas...as albinas Natashas...as pau d'água Natashas...as fogosas Natashas...as escandalosas Natashas...as "da-boca-pra-fora" Natashas...as maravilhosas, vitaminadas e (por que não) nutritivas NATASHAS!!! Eu, Leprevost, Koproski e Troy fizemos essa:
Natasha
você acha que há um racha
entre o peito e o coração.
Mas Nati
meu sangue é um mangue
movendo-se na velocidade da canção
(...)
(daí vem mais uma parte tipo esta que eu esqueci...acho que o Troy gravou)
(...)
Natasha você cospe o concreto do osso na destilação
E daeh Felipinho, gostou da parte nova?
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Mais uma do Chico
Impressionante como há músicas que surgem no dia e na hora exata...como essa do Grande Circo Místico (edu lobo e chico buarque). Curiosamente eu chorei na tarde de domingo passado.
"em toda canção
o palhaço é um charlatão
que esparrama tanta gargalhada da boca pra fora
dizem que o seu coração pintado
toda tarde de domingo chora"
sábado, dezembro 17, 2005
Mais uma do Cazuza.
Não estou (mais) no clima do poema, mas que é bom pra caralho, é. Sintam o aroma da perpétua.
Brigitte Bardot
Deus é amor sem segredo
Nos olhos do cachorro
E a todo animal que ele quis que visse
Sua obra já pronta.
Morro de medo dos teus olhos sem palavras
Bigorrilhos, duques e xerifes
Porque me viciei em sons codificados
Porque eu sei que amar é abanar o rabo
Lamber, latir e dar a pata.
Cazuza
Não estou (mais) no clima do poema, mas que é bom pra caralho, é. Sintam o aroma da perpétua.
Brigitte Bardot
Deus é amor sem segredo
Nos olhos do cachorro
E a todo animal que ele quis que visse
Sua obra já pronta.
Morro de medo dos teus olhos sem palavras
Bigorrilhos, duques e xerifes
Porque me viciei em sons codificados
Porque eu sei que amar é abanar o rabo
Lamber, latir e dar a pata.
Cazuza
sexta-feira, dezembro 16, 2005
minutos antes
enquanto você suava o olhar
cansado de deter o espírito
eu deitava o rosto em seu peito
e com os dedos secava o que derretia de amor
minutos antes estávamos inquietos
eu sobre o seu corpo
você sobre o meu
encaixados, moucos como descargas elétricas
como bestas a procura de sanar a sede da alma
minutos antes experimentávamos
na escuridão das pálpebras
os nossos gemidos, como doces escondidos
em armários secretos.
Eu, com a língua,
roubava as pintas de sua pele.
você, com as unhas
abria caminhos em minhas costas
minutos antes não sabíamos
o que era este ardor
e agora dormimos abraçados
como o caule e a casca
alimentando no sonho a idéia de amar
em todos os minutos deste andor
e em todos os espaços desta casa.
enquanto você suava o olhar
cansado de deter o espírito
eu deitava o rosto em seu peito
e com os dedos secava o que derretia de amor
minutos antes estávamos inquietos
eu sobre o seu corpo
você sobre o meu
encaixados, moucos como descargas elétricas
como bestas a procura de sanar a sede da alma
minutos antes experimentávamos
na escuridão das pálpebras
os nossos gemidos, como doces escondidos
em armários secretos.
Eu, com a língua,
roubava as pintas de sua pele.
você, com as unhas
abria caminhos em minhas costas
minutos antes não sabíamos
o que era este ardor
e agora dormimos abraçados
como o caule e a casca
alimentando no sonho a idéia de amar
em todos os minutos deste andor
e em todos os espaços desta casa.
terça-feira, dezembro 06, 2005
Harvey Pekar
Descobri agora pouco que o criador da revista American Splendor, (que no começo era ilustrada pelo Robert Crumb) Harvey Pekar, possui um blog. Muito louco saber disto, já que a revista do cara sempre o expôs de forma crua durante estes anos todos. Para quem se interessar, eu coloquei um link logo ao lado.
245 - 244 = 1
Rasguei as fotocópias da faculdade, as traças que acumulei no armário.
rasguei as partituras de violão erudito,
rasguei o poema não compreendido,
rasguei o que em mim era lixo,
agora que tenho certeza.
Rasguei as rosas que eram de papel,
rasguei o tempo de aluguel, o espaço de aluguel, a musa de aluguel,
o vento de inverno, o vento de ar-condicionado, a renite alérgica,
agora que tenho certeza.
Rasguei o chão nojento que eu pisava,
rasguei aquilo que me possuía sem me pedir licença,
rasguei os travesseiros desnivelados,
as notas baixas do colégio,
o padrão estético e moral,
agora que tenho certeza.
Rasguei principalmente o meu ar de ironia,
a minha cama fria,
a luz acesa para dormir,
o escuro para chorar,
a platéia para sorrir
a certeza de tudo,
agora que tenho certeza.
Rasguei como um animal
aquilo que uivava triste no estômago
e ainda soluça ao amanhecer,
pois rasgar
foi a única maneira de voltar
a minha velha certeza de nada
e ainda não te esquecer.
Rasguei as fotocópias da faculdade, as traças que acumulei no armário.
rasguei as partituras de violão erudito,
rasguei o poema não compreendido,
rasguei o que em mim era lixo,
agora que tenho certeza.
Rasguei as rosas que eram de papel,
rasguei o tempo de aluguel, o espaço de aluguel, a musa de aluguel,
o vento de inverno, o vento de ar-condicionado, a renite alérgica,
agora que tenho certeza.
Rasguei o chão nojento que eu pisava,
rasguei aquilo que me possuía sem me pedir licença,
rasguei os travesseiros desnivelados,
as notas baixas do colégio,
o padrão estético e moral,
agora que tenho certeza.
Rasguei principalmente o meu ar de ironia,
a minha cama fria,
a luz acesa para dormir,
o escuro para chorar,
a platéia para sorrir
a certeza de tudo,
agora que tenho certeza.
Rasguei como um animal
aquilo que uivava triste no estômago
e ainda soluça ao amanhecer,
pois rasgar
foi a única maneira de voltar
a minha velha certeza de nada
e ainda não te esquecer.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
terça-feira, novembro 29, 2005
terça-feira, novembro 22, 2005
Mulheres
Há uns quatro meses, mais ou menos, eu reclamava da falta que me fazia o ato de me apaixonar por alguém. Acontece é que nestes dois últimos, apareceram umas duzentas e quarenta e cinco paixões, uma atrás da outra (sem sacanagem nenhuma na frase). Não que eu tenha tido um caso com todas elas, mas, como já é do meu feitio, me apaixonei por estas mulheres. Isto é inédito (levando em conta a quantidade), e eu só posso concluir é que no fundo eu sou um apaixonado pela mulher (apesar de ainda concordar com aquele verso do Vinicius que diz que beleza é fundamental, sendo que sou apaixonado pela mulher que possui um nível superior de beleza física - o restante, fatalmente, é amizade). Ok, depois de uma semana imerso num mar de belas pequenas, eu só poderia escrever muita poesia, certo? Lá vai então:
Todas elas
Seus seios choveram carne em meus dentes.
Seu umbigo desaparecia ao poente das pernas.
Você esquecia de você lentamente, e eu
nas termas da sua saliva me perdia
como se perde, sem querer, todas as guerras
A sua pele era a pele de todas
que amadureceram o sumo em minhas artérias,
hora era a cor da alvorada curitiboca,
hora um rubi doce nas trevas da minha boca.
Ao voltar para casa, em minhas costas
elas, rubras, me abraçavam nuas
pelo expresso vermelho, pelas ruas sem cor,
e pelos muros pichados, ironicamente
piscava a declaração otária de um amor.
Seu gosto representava o gosto de todas.
De todas que deitaram na cama de meus versos.
Na boca maldita eu lembrei seu nome,
mas aqui...
...não era o mesmo da semana passada?
terça-feira, novembro 08, 2005
Pantufas, chocolates e Bach (muito Bach).
Chega de bares esfumaçados, clima pesado, papos mórbidos e ácidos...pelo menos hoje a tarde eu descanso a alma um pouco.
Obs: hoje, as 20:00 terá o espetáculo da Melina Mulazani "Risco", no Wonka bar (que fica na Trajano Reis, perto do retrô, onde era o antigo Birinites) com texto meu, do Luiz Felipe Leprevost, entre outros...depois dos chocolates e das viagens Bachianescas, eu estarei lá (eu não consigo me controlar)!
segunda-feira, outubro 24, 2005
Ontem eu não dormi direito
Há uma goteira em minha mente,
(Olheira de ontem, de hoje e sempre)
Muito embora a cabeça não sinta
Este pente de balas usadas,
Há palavras suas em minha carne:
São linhas ocupadas,
Um constante "ligue mais tarde",
Beijos sem o abrigo de uma boca
Boca sem o preciso atalho dos dentes.
Há uma falta de fome em meu estômago,
Como se o ar fosse um tipo de sangue
Que só eu consigo devorar.
Há suor em minhas paredes cansadas de me olhar,
Há saliva nas fechaduras,
Gozo nas torneiras,
Chuva nos tapetes,
Há uma febre doente em mim
Que precisa, urgentemente,
Contagiar.
Há uma goteira em minha mente,
(Olheira de ontem, de hoje e sempre)
Muito embora a cabeça não sinta
Este pente de balas usadas,
Há palavras suas em minha carne:
São linhas ocupadas,
Um constante "ligue mais tarde",
Beijos sem o abrigo de uma boca
Boca sem o preciso atalho dos dentes.
Há uma falta de fome em meu estômago,
Como se o ar fosse um tipo de sangue
Que só eu consigo devorar.
Há suor em minhas paredes cansadas de me olhar,
Há saliva nas fechaduras,
Gozo nas torneiras,
Chuva nos tapetes,
Há uma febre doente em mim
Que precisa, urgentemente,
Contagiar.
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