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terça-feira, julho 08, 2008

E na Gazeta do Povo...


Canções sob baixas temperaturas

Músicos curitibanos apresentam suas composições durante o mês de julho do Wonka Bar. Alexandre França e Bárbara Kirchner são os primeiros

Publicado em 08/07/2008 | Luciana Romagnolli

Há quem diga que as baixas temperaturas curitibanas criam um ambiente distinto – se comparado ao restante do país que vive acima do Trópico de Capricórnio – a ponto de imprimir uma marca na produção cultural local.

Esse impacto seria perceptível na música produzida aqui, por exemplo, e, se é que ele acontece de fato, sua conseqüência seria distanciar a identidade sonora da capital paranaense dos ritmos quentes mais comumente associados à “brasilidade”.

Divulgação

Divulgação / Alexandre França canta faixas do disco A Solidão Não Mata, Dá a Idéia, além de inéditas
Ampliar imagem
Essa é mais ou menos a idéia por trás do Composições de Inverno, evento musical que pode ser prestigiado todas as terças-feiras do mês de julho no Wonka Bar. A programação aposta na personalidade dos compositores curitibanos, que se destacariam no cenário musical brasileiro por características diferenciadas, como a ambientação urbana e um pessimismo que, no fundo, ocultaria um desejo de redenção.

Sarcasmo

A primeira noite do evento, que começa hoje, promove o encontro do poeta, músico e dramaturgo Alexandre França com a cantora e compositora Bárbara Kirchner, ex-vocalista das bandas Zaius e Nefelibatas. “A poética daqui é diferente, a gente é mais sarcástico”, diz França, para quem a sonoridade local “é menos brasileira do que poderia ser”. “Isso não é bom ou ruim, é uma característica da música do sul”, explica.

Os dois artistas cantam 15 músicas, separadamente e em duo. Ao repertório, trazem composições que fizeram em parceria um com o outro, como “Admiravelmente em Forma”; canções do primeiro disco de França, A Solidão Não Mata, Dá a Idéia; cinco inéditas do poeta, que devem integrar seu segundo disco, previsto para ser lançado no ano que vem; além de criações de Bárbara Kirchner em dobradinhas com Octavio Camargo e Thadeu Wojciechowski, com quem ela gravou os discos independentes Língua Madura, Ciúmes de Horror e Nabuto Almada.

Na fila

Na próxima terça-feira (15), é a vez de Luiz Felipe Leprevost subir ao palco do Wonka Bar, acompanhado por Uyara Torrente, Diogo Zavadzki, Denis Mariano e Léo Fressato, em um espetáculo dirigido por Nina Rosa Sá (da companhia teatral Provisória). Nas semanas seguintes, o espaço recebe Carlito Birolli, Cauê Menandro e Troy Rossilho, entre outros músicos (leia mais no quadro).

Serviço

Composições de Inverno, com Alexandre França e Bárbara Kirchner. Wonka Bar (R. Trajano Reis, 326), (41) 3026-6272. R$ 5.

Escalação

O Wonka Bar promove o encontro de compositores curitibanos todas às terças-feiras de julho, no evento Composições de Inverno, que apresenta um panorama da música escrita na capital paranaense. Confira a programação:

Dia 8 – Alexandre França e Bárbara Kirchner

Dia 15 – Luiz Felipe Leprevost acompanhado por Uyara Torrente, Diogo Zavadzki, Denis Mariano e Léo Fressato. Direção de Nina Rosa Sá.

Dia 22 – Carlito Birolli e Cauê Menandro acompanhados por Iria Braga e Luana Godinho.

Dia 29 – Troy Rossilho acompanhado por Mazzar e Davi Sartori.

segunda-feira, julho 07, 2008

Composições de Inverno - começa amanhã


Dia 08, terça-feira,
Alexandre França e Bárbara Kirchner
Entrada: R$ 5,00
Das 21h às 22h
O bar vai servir vinho de cortesia para acender as turbinas do show.
Local: Wonka Bar - Rua Trajano Reis, 326

Só uma coisa para dizer: APAREÇAM!

domingo, julho 06, 2008

Al Green

Cansado da existência
A gente acorda de ressaca
Liga na sessão da tarde
E espera por mais um final feliz
Acompanhado de uma coca dois litros
E um saco de batatas.
Crucificação e martírio.
Uma mandíbula de imagens
Fodendo o nosso cérebro
Eis que de repente
Alguns segundos de redenção:
O diretor do filme
Teve o bom senso
De colocar Al Green
Para tocar durante os créditos.
E eu acabo
Concordando
Com aquele patético final.
E talvez aquele seja
O único final possível
Para aquele patético filme.
Penso, entre um copo de refrigerante
E outro, entre uma batata
E outra,
Em colocar Al Green
Para tocar à noite
No meu quarto
Antes de dormir.


quinta-feira, julho 03, 2008

Comercial

Você me enfurnou numa novela da globo
E agora eu espero uma brecha
A hora do comercial para sumir
E me redimir frente ao nosso universo
De trágicas futilidades e trágicos
Epitáfios de pára-choques de caminhão
Estou no limite entre a sonda estelar
E a molécula do chão
Prestes a explodir o próximo capitulo
O próximo final feliz
Ou a dormir acordado
Em todos os nossos
Episódios.

sábado, junho 28, 2008

Itamar Assumpção


terça-feira, junho 24, 2008

Habitués vence o primeiro concurso de dramaturgia do teatro lala schneider


Olha, é a primeira vez que eu ganho primeiro lugar em algum concurso de literatura. Confesso que nessas horas a vaidade sobe um pouco a cabeça. Como diria a Reka "não me julguem". Enfim, mais informações é só clicar no link abaixo.
www.teatrolala.com



sábado, junho 21, 2008

Inseticídio - texto da Reka (do blog "muito azeite, pouco sal")

Cá estava eu: pacífica, tranqüila e sem objeções na vida. Eis que de repente surge um besouro do tamanho da minha orelha e começa a me perseguir loucamente pelo quarto. Sim, querido, per-se-guir. Eu me jogava no chão e o filha-da-puta dava rasantes assustadoras, agulha-negra mesmo. Muahahaha, eu podia ouvir as malditas asas batendo, ver cada uma daquelas patinhas nojentas, a cara sanguinária do inseto. Foram segundos de desespero. Se não fosse a sacola da renner que prontamente enfiei em um dos meus braços para capturá-lo, provavelmente eu não estaria mais entre nós, Não matei o infeliz, por óbvio. Sou toda a favor dos direitos humanos dos insetos, portanto só estou mantendo ele refém na sacola renner-guantânamo com um nózinho para averiguar melhor a situação. Sério, foi apavorante. eu realmente me joguei no chão duas vezes.

Muahahaha eu definiria como um riso maléfico, normalmente resultado de enormes bules de café acompanhados de flashbacks coloridões-faber-castell-edição-luxo (resultado de uma adolescência de pH menor que sete, por assim dizer)

Não é minha culpa se moro no meio do mato e continuo lutando contra os insetos. Possuímos um tratado de paz com as aranhas, é verdade, mas como todo tratado, não é imune aos rebeldes e extremistas. Insetos são como Palestinos, entende? Digo, adoro os palestinos, sou a favor da criação de um Estado Palestino, até namorei um no colegial. Passávamos a tarde vendo filmes... Claro, era meio chato alugar fitas – aparentemente toda locadora nessa cidade exige comprovante de residência. Bem, isso não vem ao caso.

Enfim, era um besouro marrom mas, fique bem claro, em hipótese alguma se tratava de uma barata. Do alto dos meus (cof, cof) anos eu jamais ousaria ficar a somente uma sacola renner tamanho padrão (daquelas em que geralmente cabem duas camisas, uma calça e a nota fiscal) de distância de uma barata nojenta. Talvez o besouro fosse repugnante, entretanto, encaremos os fatos: talvez se tratasse de um besouro repugnante com uma família inteira de besouros repugnantes para alimentar. Sim, meu caro, imaginemos 3 filhos adolescentes repugnantes, uma esposa na menopausa repugnante e, por que não, um pulgãozinho marrento de estimação – sem mencionar a hipoteca do arbusto na praia.

No fim da contas não agüentei o peso de 3 besouros adolescentes repugnantes crescendo sem pai (um fazendo teatro, o outro morrendo num racha e a besoura-arquiteta casando com um besouro-empresário do batel), uma besoura na menopausa viciada em toda sorte de ervas “medicinais”... Sem mencionar o totó pulgãozinho abandonado por falta de recursos, que antes de virar sabão arrancaria sabe-lá-deus quantas cabeças de louva-deus inofensivos.

Não poderia dormir, jamais teria uma noite de sono tranqüila. Já me basta agüentar todas as noites a viúva chorona daquele cigarra que resolveu tirar um cochilo na dobradiça acobreada da minha venesiana. Olha, eu juro que estava escuro, eu tinha bebido um pouco além da conta, meus óculos estavam longe, o escorpião-fornecedor da besoura-menopausa havia passado aqui mais cedo... Eu juro não vi o seu marido ali! Quando ouvi o crocante-de-dar-água-na-boca do exoesqueleto dele já era tarde demais...

Sonoplastas, dica do dia: cigarras esmagadas em dobradiças acobreadas soam melhor do que seja lá o que vocês andam usando para fazer crocs nas propagandas de batata-chips.

Células-tronco, dona cigarra? Terapias alternativas? A senhora realmente acha que houve alguma espécie de negligência da minha parte? Acupuntura? Musicoterapia? Quanto tempo a senhora agüentaria trabalhar para manter um boêmio em estado vegetativo? Indenização? Aposentadoria por invalidez? Faça-me o favor! O advogado da senhora vai entrar em contato, é? Não perca seu tempo, aquele pernilongo charlatão não passa nem através das telas das minhas janelas, quem dera na Oab!

Alto lá! Desde quando insetos homópteros possuem células-tronco?

Não senhora, eu jamais... eu... eu jamais insinuei que seu falecido marido... eu jamais insinuei sobre a orientação sexual... Homóptero, sim. Homossexual, não.
Veja bem, já ouvi suas canções sobre os tempos de ninfa... tenho pleno conhecimento de que ele era o amor da sua vid... estéril? Bem, pelo que entendo isso lhe garantiu longevidade – compreendo que as fêmeas morrem após botarem os ovos (é, eu não sei conjugar “poer”)...

Bem, agora que me informei que somente cigarras macho emitem sons, e tendo em vista que Libras não é a minha praia, creio que devo parar de falar com a dona cigarra ou sobre a dona cigarra.

Dona besoura, essa erva que me recomendou é diurética?

Obrigada mestre La Fontaine por mais uma fábula-trauma.

O Ministério da Saúde deveria colocar avisos nas fábulas como faz nos cigarros.
O Ministério da Saúde adverte: crianças expostas a Jean de La Fontaine desenvolvem asma e problemas respiratórios.

O resultado de todas essas lindas fábulas contadas noite-após-noite-após-noite pelas nossas avós normalmente é um lindo garotinho rosáceo tomado pelas formigas assassinas no quintal daquela velha inconseqüente.

Avós são secularmente reconhecidas pela sua única função e objetivo de estragar o trabalho dos pais. Absolutamente natural e louvável, desde que a deseducação se dê na forma de miojo no café da manhã, estilingue, crueldade com animais, leite-com-manga, não obrigatoriedade de usar fio dental, canal pay-per-view sexy-hot-playboy-amateur-japanese-lesbian-gang-bang-anal liberado no quarto de visitas... o de sempre. Só, por favor, parem com as fábulas! Não se contentam em roubar nossos lugares no ônibus, no cinema, nas filas, nas filas do ônibus, nas filas de cinema, nas filas de filas? Precisam mesmo acabar com o bom-senso enfiado à pauladas na molecada por pais que, como eu, entendem a natureza sanguinária dos insetos?

O Ministério da Saúde deveria colocar avisos nas avós como faz nos cigarros.
O Ministério da Saúde adverte: esta avó possui mais de 4700 histórinhas tóxicas. Não existem níveis seguros para o consumo destas.

Isso me lembra que a minha cozinha está com um foco de formigas. Elas andam revoltadinhas desde que sacrifiquei algumas pelo bem maior carbonizando-as na boca de fritura do fogão com o intuito de observar as extremidades daquelas delicadas patinhas atingindo um sensacional tom rubro.

-Adoraria ter sapatos daquela cor. Scarpins 36-37, por favor, moço.

Pouca gente sabe, mas formigas são tão sujas quanto as baratas e alpinistas muito mais competentes. (Aviso aos navegantes: elas não se lambem como gatos, tampouco arrancam piolhos umas das outras à exemplo dos fellas primatas)

-Perfeito. Vou levá-los.

Ah, as baratas.

-Aceita Amex?

---Filho, pare de brincar no gramado da Teffé com os tatu-bola e venha aqui comigo.

Se deus quiser, baratas jamais cruzarão com piolhos.

-Ahn, tem como fazer em duas vezes? Ando meio apertada esse mês.

---Olha, filho, você está com lêndeas!

-Pois é, a dedetização não estava em meus planos financeiros. Dedetizou foi a minha conta bancária.

Oh, não! Eu achei que eram os amigáveis e simpatissíssimos piolhos sorvedores de sangue, mas são lêndeas de barata! Pente fino! Scarbin! Sauna! Máquina Zero!
Oh, não! Nada funciona! O que será aquilo? Um pássaro com uma bomba atômica? Um avião com uma bomba atômica? Céus! É o Mister-M com uma bomba atômica! Mas que diabos?!

(Cid Moreira:)
_E agora Mister M? Principe negro de todos os sortilégios.

Filho? Filho?

(Cid Moreira:)
E agora Paladino Mascarado, como é que você vai sair dessa?

Droga! Elas ainda estão vivas!

(Cid Moreira:)
_ Isto é um espanto!

Veja só, que belezinha, aquela ali perdeu a cabeça mas, ao contrário do meu garoto-piolhento-e-ranhento, sobreviverá mais onze dias sem ela – o que fazer com crianças humanas e sua incapacitante dependência de cabeças?

Bem, quem não tem mais filho, abraça a barata.

Vem cá com a mamãe, minha baratinha gosmenta... Você tem as minhas antenas mesmo, minha trufa... Dê um beijinho aqui, dê. Ah, entendo. Seus amigos estão olhando... Você tem vergonha de mim? Ok. Tudo bem. Sem problemas. Aliás, você já é um mocinho, já enfrentou as agruras de uma bomba atômica, tem a sobrevida limitada pelo que comeu antes da explosão pois perdeu a cabeça... Querido, você é adotado.

Como assim já sabia? Pediu para aquele viciadinho em pico do seu amigo mosquito roubar um pouco do meu sangue? Testou é? Eu não tenho sangue de barata?! Voa daqui, garoto insolente.

Ele só pode ter perdido a cabeça. Ah, as baratas. Nada é tão ingrato quanto filhos e baratas. Você os alimenta, enche de calor e umidade, e o que recebe em troca? Será que alguém se lembrou de averiguar como se sentiam os pais de Kafka?

Não. Não e não. Tudo errado. O quão cansativo é mencionar Kakfa e baratas?!

Falemos de kafta, prato típico árabe, delicioso. Um primor culinário que, curiosamente, quando esquecido dentro da cômoda do quarto pelo animal do meu filho, atrai baratas.

Vai um careta aí, mosquito? São lights sim. Ah, não quer aquele com as imagens horrendas dos seus amigos tailandeses ao lado daqueles ratos mafiosos? Ok. Acho que tenho outra carteira aqui. Fuma daquele com rolmops de criancinha?

Sabia que na Tailândia as pessoas comem toda sorte de insetos? Você acha justo? Achei que ficaria indignado... Como pode ser justo? Como assim, lá eles também comem toda sorte de criancinhas? Pois bem: é justo. Elas são saborosas? A culinária é mais desenvolvida que a humana? Im-pos-sí-vel, meu amigo.

Ferran Adriá e sua sofisticação babaca tri-estrelada em hipótese alguma será superado por invertebrados como vocês. Duvido que saibam fazer espuminha de peixe, azeitonas de gelatina, infusão assim e assado.

O que você quer dizer com isso? Que todas aquelas asinhas na nossa comida, todo aquele controle de insetos no que comemos, aquela porcaria de partes por milhão, é na verdade a triste realidade da segurança no trabalho? Milhares de mosquitinhos como você (bem, os de família... até onde sei exige-se exame toxicológio praquelas bandas) perdem asas, patinhas, cabeças e sabe-lá o que mais em subempregos nas nossas fábricas? Há uma máfia análoga à das pastelarias no brasil? Aqueles ratos! Você é uma mosquitinha? Mosquitinhos comem apenas frutinhas? É, minha querida, se eu fosse você, também me picaria.

Teria Noé coletado dois exemplares de cada inseto? Teriam os insetos invadido a arca com tochas nas mãos, exigindo seu lugar ao sol (ou chuva, que seja)? Posso imaginar os problemas causados pelos inconvenientes cupins naquele barcão de madeira. (Já repararam como madeira de demolição anda mais bem cotada que madeira da cruz?) Teria deus enviado junto de sua mensagem ao bom velhinho (ah, bons tempos sem fábulas) um grande balde para tratamento cupinicida na madeira? Os tamanduás ganhavam um quarto maior e o direito de repetir a sobremesa pelos seus préstimos como seguranças patrimoniais?


Uma questão que sempre me intrigou é a escolha, recrutamento ou puro seqüestro dos animais da arca. A meu ver, há uma considerável possibilidade de que certos animais não estivessem acreditando naquele cidadãozinho descompensado pregando por aí que o mundo viraria uma versão ainda mais acessível e popular do piscinão de ramos. Digo, se eu fosse uma taturana, e estivesse tranqüila no meu apê no 3º galho, bloco b do meu condomínio de árvores de luxo, ficaria no mínimo em dúvida na hora de comprar a causa de um humanozinho maltrapilho metido a agente turístico. Por que motivo eu largaria minha boa vida de solteira bem-sucedida ? Haveria uma razão plausível para simplesmente abandonar meus 41 dias de trabalho árduo na empresa de outdoors que fundei porque a senhora Noé colocou os cogumelos indicados pela dona besoura, sem querer, na espuminha de peixe dele? Pensando bem... tenho saúde, sou empreendedora, haverá uma carência de mercado na minha área no novo mundo. Tantas oportunidades para meu futuro império da poluição visual nas grandes cidades... E se, eu ajudasse o velhinho tãn-tãn? Posso colar cartazes por aí com um desenho dele, botar um chapéu nele, terninho... mas ele não pode parecer antiquado, devemos atrair os jovens, descolados e acima de tudo sexualmente ativos...preciso investir no figurino... estou imaginando listras, listras e cores... listras vermelhas, azuis, brancas e , estrelas (mulheres adoram estrelas). É isso aí, milhares de indivíduos de todas as espécies duelarão pelo primeiro pacote de viagens CVC da história! Tudo que preciso agora é de uma frase de impacto, malinhas-brinde amarelas-e-azuis com nosso símbolo e um slogan, algo que transmita a idéia de que os queremos, mas ao mesmo não transpareça nosso desespero e ânsia por recrutá-los. Eles não devem se sentir usados por deus para perpetuar a espécie quando ele poderia simplesmente tirar a bunda do sofá e trabalhar mais um dia para melhorar as coisas... Algo mais ou menos como: I want you!

Reka

sexta-feira, junho 20, 2008

Hoje - apareçam.

Poemas de
Fernando Koproski
Luiz Felipe Leprevost
Edson Falcão e
Alexandre França
Interpretados por Antônio Sérgio
Onde?
no espaço Pé no Palco, Rua Conselheiro Dantas, 20 - rebouças (próximo à churrascaria paiol)
Quando? Hoje às 20h30

Apareçam.

quinta-feira, junho 19, 2008

Movimentos da praça Oswaldo Cruz

Uma sirene, que na verdade é um toque de celular
Acorda um grupo de pombos na praça Oswaldo cruz
Com o pretexto de chamar alguém para a conversa
Num canto de praça, ou na canaleta do expresso.
Nove da manhã e velhinhos esperam
Ser atropelados por estes expressos que
Voam como jatos de quinta categoria
Em busca de algum sentido para sua existência
Que não seja entulhar pessoas
Num espaço restrito de humor e
Humanidade.
Um prédio espera aquela esfera de demolição
(sim, aquela que a gente assiste nos filmes onde
alguma cena de ação se passa em
alguma construção ou demolição de
alguma construção
onde bandidos se escondem).
Dez da manhã, um jovem de uns
Vinte e pouco anos morre engolido por uma esteira elétrica
Depois de quatro horas ininterruptas de caminhada
Na esperança de perder numa só tacada
Vinte quilos de uma vida regrada a hamburgueres do Mc’ Donalds
E bolachas passatempo recheadas.
Dez e dez da manhã este mesmo jovem é encontrado
Ensanguentado e morto logo atrás daquela esteira elétrica
Pelos seus pais que desesperados gritam histéricos um “por que?”
Estranhamente gutural para os seus padrões vocais
Que sem querer e por um puro e simples movimento do vento
Acordam as pombas da praça Oswaldo cruz
Que comiam migalhas do pão francês de um velhinho
Destes que se matam em canaletas do expresso
Mas que hoje, magicamente, vislumbrou um futuro melhor
Ao dar de cara com um expresso que parou a sua jornada na velocidade da luz
Para dar passagem a este velho homem que prosaicamente catava
um pão francês do chão da canaleta do expresso
para dar de presente ao pombos do asfalto
que finalmente sumiram logo após este mesmo senhor
levantar seu olhar, do chão ao céu
com um pedaço de pão francês
em uma das mãos
e um celular nokia em outra.

domingo, junho 15, 2008


Osmo

sexta-feira, junho 13, 2008

Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

O teclado dorme dentro da sua turva tinta alfabética

Enfurnado em almofadas e calmantes

Incensos e códigos html

Coisas dormem nestes espaços

Decodificados

Murmúrios cuspidos, líquidos negros que existem

Em sons de

sonolência

Amocsp

Fsalml

Fmskafl

Asmçlf

Çsafsfslafm

Csjrjpo

As´foqeln fçc

@@@gcnçld

c,w´pdvm

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Um ronco estridente como o desfalecer de um trator movido a ar e falta de ar

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apnéia alfabética. O teclado rosna um passado incompreensível

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quinta-feira, junho 12, 2008

Clique na imagem
APAREÇAM!

mais info no www.iliadahomero.wordpress.com

quarta-feira, junho 11, 2008

Noturno

Crises noturnas
São explosões ao fechar dos olhos e
Seguem nuas pelas praias asfaltadas do
Pensamento aquoso de uma crise
Noturna, são diabos escondidos nos armários
Dos quartos que não são mais de dormir

Crises noturnas são tão inevitáveis
Quanto o estranho desejo de parar de beber
Quanto o estranho desejo de parar de fumar
Quanto o estranho desejo de desaparecer
Quanto o hábito de chorar
Em comédias românticas

Chorar é como batizar
A dor invisível
Desta noite

terça-feira, junho 10, 2008

Gilson Camargo e Luiz Felipe Leprevost

Simplesmente genial a parceria "foto e texto" promovida pelo fotógrafo Gilson Camargo e pelo (entre outras coisas) poeta L.F Leprevost. Aqui, um pouco do resultado desta nova empreitada "foto x texto" dos dois. Para mais informações é só entrar no blog do Gil que é esse daqui http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/



Claudete Pereira Jorge e Helena Portela na peça "final do mês"


9 de Junho de 2008 - por gil

De: “gilson camargo” gilson@gilsoncamargo.com.br
Para: felipeleprevost@terra.com.br
Data: Mon, 2 Jun 2008 14:30:20 -0300 (GMT+3)
Assunto: fim do mes 1
Olas.
Pra quem viu varias vezes o espetáculo certamente faltarão cenas e imagens incríveis.
Aí vão algumas das que consegui captar de primeira.
A medida em que as for “descobrindo”, vou enviando.
Aguardo o texto. O post inclusive pode ir sendo modificado depois de editado, portanto podemos construí-lo em processo.
Manda aí!
Abraço.
Gil.
www.gilsoncamargo.com.br/blog

Certo, Gil, belezinha tudo ali, já me interessei por uma dúzia delas, dá caldo sim, vou precisar uns dois dias pra produzir alguns textos, pensei coisas já, por exemplo, na foto em que a Clau segura o pepino, poderia ter a seguinte frase: todos nós estamos segurando o rojão… ou ainda, no momento em que ela beija o pepino, algo assim: no dos outros é refresco…

…slogans, misturados a textos mais longos… tentarei algo difícil, alguma análise mais profunda sobre a dramaturgia do França…


…alguma outra análise que destaque o brilhante trabalho de atriz que a Heleninha e a Clau fizeram, detalhes de ações e composição de personagens, tudo muito verdadeiro…


…mas vamos conversando… vá guardando os mails, por ventura, eles compõe o corpo do estudo no futuro breve… abraços… Leprevost.


Aí, velho… vai o texto… pode mexer, reparti-lo, colocar debaixo de cada foto… edite aí como quiser… grande abraço… L.

Cenas domésticas que somos incapazes de domesticar.
Vicissitudes, parece-me uma palavra adequada para a ocasião.
O que dá pra pensar é se a nossa atuação - dos fazedores de teatro - está vinculada ao teatro municipal, ou se é do teatro municipal, ou se o município ser este aqui é infame destino.
Claro que alguém pode chegar pra você e dizer: - Eu já trabalhei de graça naquele teu projeto.
Claro que você pode chegar assim manso no ouvido dessa pessoa e dizer: - E eu já paguei o teu salário quantas vezes?
Ambos também podem se xingar simultaneamente: - Você é um babaca.
- Não, você é que é um babaca.
A questão é que nunca é de graça, a paga não é dinheiro, isto é uma coisa, a outra é que sem dinheiro tambor não vai, são as complexidades e contradições do ofício.
A peça Final do Mês é sobre isso, mas esta não é a sinopse, quem quiser a sinopse que vá assistir a próxima montagem em agosto no Teatro Municipal, na menor sala dele.
Sim, é texto perfeito o do França, a interpretação sem igual de Claudete e Helena.
Mas a peça é sobre outra coisa além da peça, é sobre um processo nascido da convivência, ninguém ali foi contratado, comprado, ninguém ali inventou um projeto, ninguém ali enganou ninguém fazendo bem feitinha a burocracia, apenas tiveram o desejo de fazer teatro, o França ficou indo lá no Clube Claudete durante meses, bebendo vodca com ela, é o que a gente diz: Quer dirigir a Claudete? Tem que beber vodca com ela. Isso é o mesmo que dizer: - Quer fazer teatro? Tem que se comprometer com uns Exus.
Tá provado, não precisa de frescurada pra fazer teatro, a trupe França, Claudete, Helena e Reka (a iluminadora) pegaram uma sala qualquer no centro da cidade, num hotel antigo e promoveram um belo encontro semanal de pessoas que iam lá ouvir a contundência, não de uma ideologia, pois teatro não é sobre ideologias, mas a de uma estória, já que teatro é sobre estórias.
Hein Claudete?!, pareceu-me sempre que estômagos falam mais alto e reto que pepinos, embora tagarelem e muito a pepinada toda.
Devo avisar: eu sou um dissidente paralisado, assim como a personagem da filha, quem só enxergou uma garotinha mimada e fútil na personagem da filha, então não enxergou nada, não enxergou a sua falta de escolha diante da máquina moedora de esforço humano que está aí fora, contra a qual a garota se insurge sobremaneira, ou você acha que é uma mera piadinha o momento em que ela retorna dizendo ter assaltado um banco? Caralho! Ela assaltou um banco e foi aplaudida, e não poderia ser diferente, ou você está do lado dos banqueiros? Eu não.
Veja o que acabo de ler num ensaio do crítico teatral Kenneth Tynan sobre o trabalho de Bertolt Brecht: Ele “buscava um método pelo qual os processos econômicos pudessem ser efetivamente dramatizados; ele esperava que dinheiro e comida substituíssem um dia o poder e o sexo como temas principais do teatro. Na maioria dos escritores burgueses, disse ele, ‘o fato de o ato de ganhar dinheiro jamais ser objeto de suas obras faz com que suspeitemos que [...] esse seja na verdade o objetivo deles.” Há, evidentemente, certo fatalismo na criação de França, porém não se pode desconsiderar que a conjuntura social e política contemporânea, aliada a observação e reflexão, trouxeram Brecht até nós graças a sensibilidade desse dramaturgo e suas parceiras Claudete e Helena.
Parecia que pra alguns aquelas palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro.
Se é um grande negócio a peça Final do Mês? É.
A sua competência pra ser popular, qualidade rara no dias de tantos gênios contemporâneos, seus diálogos ligeiros, dando saltos velozes do naturalismo para o nonsense.
Não admito que alguém que esteja na frente de um mestre não o reconheça. Então alguém dirá: - Mas um mestre não precisa ser reconhecido. Claro que não, direi eu.
A peça Final do Mês afinal de contas é sobre uma ponte sobre a água, ou um apartamento na palma da mão, ou um navio de carga trazendo maços de cigarros.
O teatro de Alexandre França tem aquela ousadia dos grandes caras do teatro, faz a gente rir de nós mesmos, mostra que as escolhas que nos restam talvez não sejam suficientes, e assim como, sei lá, um Pirandello, que quase nos faz rasgar de tanta gargalhada, Alexandre França não é uma piada, embora colocar uma maçã em cena falando “você quer me comer, você quer me comer!” seja nos restituir o pecado original, de um tempo em que as maçãs, pobres maçãs, nos proibiam o Paraíso. Agora a gente come dinheiro e o Paraíso sempre está um passo em nossa frente, mas nunca o alcançaremos.

Luiz Felipe Leprevost

Ficha técnica
Texto e Direção: Alexandre França
Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela
Trilha: Carlito Birolli e Cauê Menandro - participação especial de Odacir Mazzarolo

segunda-feira, junho 09, 2008

Diálogo no fim da tarde

Ela - Você vai pedir outra garrafa de vinho?!

Ele - O que você esperava? Outra garrafa de água?

(pausa)

Ela - É que você nunca bebeu tanto assim...

Ele - ...é que você sempre foi embora mais cedo.

(pausa)

Ela - o céu não está lindo hoje...

Ele - igual ao de ontem...

(pausa)

Ela - Desde quando você se tornou tão rabugento...

Ele - Tome a sua água que eu tomo o meu vinho...

(pausa)

Ela - A bebida está te fazendo mal...

Ele - Nossa! Você falando parece até que estou bebendo todos os dias da semana...

Ela - Você já esqueceu o que fez ontem?

sábado, junho 07, 2008

Confundindo Patrick Marber com David Mamet

Edmond (2005)


Não sei por que eu tinha esta mania de dizer que o filme "Closer" (escrito por Patrick Marber) era de David Mamet, usando isto como ponte para falar sobre o filme "Edmond" escrito por David Mamet (o título que deram para a versão brasileira é "Submundo"). Aqui, Mamet fala novamente sobre a capacidade do ser humano anular o próximo em benefício próprio e como forma de sobrevivência. Edmond Burke, cansado de sua vidinha medíocre, decide entrar numa incursão pelo submundo de Nova Iorque em busca de algum sentido para sua existência vazia e comum. Acontece que Burke não vive no submundo e agora terá que se adaptar as suas regras. Como em "Sucesso a qualquer preço" ("Glengarry Glen Ross", filme de 1992 com Jack Lemmon e Al Pacino), Mamet coloca Edmond no limite para expôr a sua essência. Diálogos intensos e agressivos dão o tom do filme. A todo momento, como uma metralhadora desenfreada, Edmond esbraveja e vocifera contra a existência numa espécie de discurso apocalíptico. Com uma atuação mais do que foda de William H Macy, Edmond surpreende tanto pela história, quanto pelas atuações. Um cinema voltado para os atores e para o texto. Assim como Closer.
Blog da Dezoito Zero Um - Cia de Teatro.

Para quem curtiu as peças "Um Idiota de Presente" e "Final do Mês", agora a Dezoito Zero Um - Cia de Teatro tem um blog, onde serão atualizadas as notícias da Cia. Apareçam de vez em quando para conferir as novidades. www.dezoitozeroum.blogspot.com

sexta-feira, junho 06, 2008

Organismo

Um organismo entulhado de gordura
E coca-cola em suas veias e artérias
Seu bafo de pasta de dente
Borrifa o bom ar do dia a dia
Seus braços são marretas de amaciar
Carne
Seus dentes, um triturador truculento de triturar
Carne
Seus olhos apontam para mim
Como numa descarga fatal
De analgésicos e sedativos
Estou com uma pizza no estômago
Esperando o próximo gole de refrigerante
Estou entre paredes adoçadas com Zero Cal
E cimento
Estou pronto para beber um muro de concreto
Estou na encruzilhada
Entre o caminho do inferno
Ou de um número um
Um organismo inteiro
Se alimenta do meu fluxo de consciência
Ele me domina
Um organismo
Ordenando que eu enfim
Pare.

quinta-feira, junho 05, 2008

desejo de matar

Pingüim de geladeira num armário rococó

Estou neste exato momento assistindo ao Canal Brasil e eu preciso desabafar. As horas passam atualmente como numa insistente apresentação de “Oh, Calcutá”: enfurnadas de gente mostrando uma avidez sexual tão tremenda, onde o único refúgio de uma possível delicadeza esteja no brega, no cafona, na pieguice – eu estou querendo dizer que, pelo menos pra mim, não há refúgio. Digo isto pelo fato das pessoas acharem (ingenuamente) que uma música, só por ser interpretada pelo Caetano Veloso (ou pela Maria Bethânia), se torna isenta do fato de ser brega por ter uma interpretação de algum medalhão da MPB. Ela continua sendo brega! Ela vai ser brega para sempre. E o Caetano deve saber disto (até por que ele não enxerga a música brega como sendo uma música pior ou melhor...”ou não”, enfim). Digo isto também pelo fenômeno de aceitação pedante provocado pelo Canal Brasil, que vem me causando um certo ódio (o que não é bom para a minha pressão, diga-se de passagem).O Canal Brasil é um canal legal (dubiedades à parte). Há bons programas no Canal Brasil. O que ocorre é que neste oba-oba do “tudo é lindo”, filmes ruins acabam passando como um monstro travestido de opiniões e mais opiniões de profissionais abalizados (e por que não dizer, mitológicos) bem rente à platina do nosso nariz. Estes “profissionais abalizados” falam que o “cinema brasileiro é maravilhoso e genial e etc e tal” antes e depois de uma pornochanchada chechelenta. Sem chamar ninguém de idiota, mas qual é a conclusão do espectador? Não, Jorge Dória: a pornochanchada não foi e nunca será a revelação cinematográfica brasileira do século passado. A pornochachada é pornochanchada e ponto (apesar de você ser uma figuraça, Jorge Dória). Não achem que estou dando uma de moralista. Só queria que as pessoas assumissem o que elas fizeram no passado, não vejo nada de ruim em uma pornochanchada ser uma pornochanchada, agora uma pornochanchada precisar da avaliação de especialistas para que ela se torne "genial", aí é golpe baixo. Pra falar a bem da verdade, não sou um profundo conhecedor do cinema brasileiro. Mas dizer que tudo o que passa no Canal Brasil é genial, daí não dá, né, cumpadi. Vamos botar a cachola pra funcionar, senhores “crítico de cinema”.

quarta-feira, junho 04, 2008

Ela não é psicóloga.

Alguns amigos que assistiram a peça "final do mês" questionaram o perfil da mãe dizendo que ela não poderia ser uma psicóloga por um monte de motivos. Eu gostaria de deixar claro que ela não é uma psicóloga (como diz a reportagem da gazeta que eu postei logo abaixo) e na verdade o texto da peça não deixa claro o que ela faz realmente. Em nenhum momento da peça há algum vestígio de que a mãe seria uma psicóloga. Aliás, não sei por que a gazeta divulgou desta forma. Enfim, queria agradecer as observações construtivas da minha amiga Ana e dizer que já estou trabalhando para melhorar o papel da filha. Até agosto muita coisa pode ser feita e acredito que a peça irá ganhar uma cara melhor com uma iluminação mais profissional e um cenário novo. Queria agradecer a todos que compareceram lá no Hotel Del Rey para dar uma força pra gente. A peça reestréia em agosto no Mini Guaíra.

Ah, este vazio que existe entre uma temporada e outra vai ser foda pra mim. Paciência é um ingrediente fundamental para a alquimia do artista. Mas eu nunca tive paciência. A angústia sempre invadiu meu quarto às 3 da madrugada me perguntado onde eu iria continuar o restante da noite. E ela nunca me abandonou. Bom, de qualquer forma, acho que pelo menos eu irei atualizar mais este blog.

sábado, maio 31, 2008

...e saiu na Gazeta do Povo!

Divulgação / Claudete Pereira Jorge e Helena Portela: parentes também na vida real Claudete Pereira Jorge e Helena Portela: parentes também na vida real
Teatro

Dívidas entre mãe e filha

Espetáculo Final do Mês, escrito e dirigido pelo curitibano Alexandre França, cumpre último fim de semana em cartaz no Hotel del Rey

Publicado em 30/05/2008 | Luciana Romagnolli

A mãe é uma psicóloga de classe média. Criou a filha de acordo com as diretrizes de sua profissão, com bastante liberdade de escolha. A garota, porém, agora se sente perdida. E a crise financeira com a qual as duas se deparam não ajuda em nada essa relação: A dívida no banco já ultrapassa R$ 6 mil e parece impossível conter os gastos da mais nova.

A trama de Final do Mês – espetáculo em cartaz no Hotel Del Rey apenas até este domingo – repete ligações familiares da vida real: a atriz Claudete Pereira Jorge, dona de uma sólida carreira no teatro curitibano, interpreta a mãe da personagem de Helena Portela, atriz que é sua filha também na realidade.

“Somos mãe e filha completamente diferentes das da peça. A gente está experimentando uma nova forma de relação que não me agrada absolutamente, mas é muito interessante”, comenta Claudete. Ainda que diferentes, porém, a relação real contribui para a ficcional com uma “química” maior e “semelhanças de gestos” que intensificam o texto, na opinião da mãe.

A peça inédita foi escrita pelo jovem dramaturgo curitibano Alexandre França, que também dirige o espetáculo, “quase por encomenda”. “O França, nas discussões com a mãe dele, começou a escrever frases soltas e dizia que um dia colocaria isso no teatro. Quando eu pedi um texto para mim e a Helena, ele partiu dessa primeira idéia”, conta Claudete, entre elogios: “ele escreve muito bem”.

Mínimo

A montagem estreou na sala de convenções do Hotel Del Rey, com o mínimo de elementos cênicos (um cenário reduzido a duas cadeiras e uma mesa) e o foco nas atuações e no texto. Foi um teste para ver como a montagem funcionaria “nua e crua”. O resultado agradou Claudete, mas ela não descarta mudanças futuras. Final do Mês deve voltar ao cartaz no Mini-Guaíra em agosto, com a possibilidade de alterações na luz, cenário e figurino.

Mais informações, no roteiro.

ÚLTIMO FINAL DE SEMANA DA PEÇA "FINAL DO MÊS"! APAREÇAM!


A peça “Final do Mês” conta a história de uma mãe e uma filha de classe média que estão prestes a entrar em falência, no sentido financeiro e no sentido moral. Devendo mais de R$ 6.000,00 no banco, a mãe, que ainda sustenta a filha começa a enlouquecer quando percebe que é impossível controlar os gastos dela. As duas não encontram saída para o problema que se impõe e apresentam ao público algumas atitudes absurdas como solução para suas vidas.

Ficha técnica

Final do Mês

Texto e Direção: Alexandre França

Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela

Trilha: Carlito Birolli e Cauê Menandro (part. especial - Mazzarolo)

Duração: 1h15min


Quando?
De 9/5 a 1/06 de 2008
sexta e sábado às 21h00
e domingo às 19h00

Onde?
Hoteel Del Rey
Rua ermelino de leão, 18
Centro
(Próximo à Boca Maldita)

Quanto?
Ingressos: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia

segunda-feira, maio 19, 2008

APAREÇAM!

Leitura Dramática de Árvores Abatidas

O monólogo, baseado na obra do austríaco Thomas Bernhard, uma das figuras mais sarcásticas da literatura do século XX, é narrado por uma mulher, que, convidada a participar de um “jantar artístico”, em homenagem ao famoso ator do Teatro Nacional e que faz até telenovela, percebe que está, na verdade, em uma reunião de talentos medíocres. Arrependida de ter aceitado o convite, reflete sobre sua vida e o meio que a cerca, sob a lembrança de uma amiga de todos enterrada naquele mesmo dia.

As apresentações contam com direção de Marcos Damaceno e interpretação de Rosana Stavis, em um texto que retrata as pessoas do meio artístico de uma cidade fria, úmida, hostil e destrutiva como Viena.

A leitura será realizada nesta terça e quarta (20 e 21), às 20h30, na Casa do Damaceno e faz parte do ciclo de leituras “Nova Dramaturgia Curitibana”, cuja proposta é promover a nova geração da dramaturgia feita em Curitiba e incentivar o debate e as discussões acerca do tema. A entrada é franca.

Árvores Abatidas

Texto e direção de Marcos Damaceno

Baseado na obra de Thomas Bernhard

Com Rosana Stavis

Terça e Quarta, às 20h30

Casa do Damaceno

Rua 13 de Maio, 991 - tel. 3223-3809

Entrada Franca.

quarta-feira, maio 07, 2008


Estréia nesta sexta!

Mãe e filha no palco e na vida real

Uma mãe + uma filha que depende desta mãe + uma dívida de R$ 6.000,00, esta é a fórmula utilizada na nova produção da Dezoito Zero Um – Cia de teatro, que vem, no mês das mães (maio), apresentar um novo olhar sobre a relação de pais e filhos na peça “Final do Mês”.

No elenco, a premiada atriz paranaense Claudete Pereira Jorge contracena com sua filha na vida real Helena Portela. Aqui, mais do que nunca, a interpretação alça vôos de uma realidade marcante. Numa montagem que reúne elementos tanto do teatro do absurdo, quanto do naturalismo típico em comédias de costume, “Final do Mês” quer, de uma forma bem humorada, dialogar o valor do dinheiro nas relações afetivas do mundo contemporâneo.

A peça conta a história de uma mãe e uma filha de classe média que estão prestes a entrar em falência, no sentido financeiro e no sentido moral. Devendo mais de R$ 6.000,00 no banco, a mãe que sustenta a filha começa a enlouquecer quando percebe que é impossível controlar os gastos dela. As duas não encontram saída para o problema que se impõe e apresentam ao público algumas atitudes absurdas como solução para suas vidas.


terça-feira, maio 06, 2008

Final do Mês - ESTRÉIA NESTA SEXTA - APAREÇAM!

(CLIQUE NA IMAGEM)


A peça “Final do Mês” conta a história de uma mãe e uma filha de classe média que estão prestes a entrar em falência, no sentido financeiro e no sentido moral. Devendo mais de R$ 6.000,00 no banco, a mãe, que ainda sustenta a filha começa a enlouquecer quando percebe que é impossível controlar os gastos dela. As duas não encontram saída para o problema que se impõe e apresentam ao público algumas atitudes absurdas como solução para suas vidas.

Ficha técnica

Final do Mês

Texto e Direção: Alexandre França

Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela

Trilha: Carlito Birolli e Cauê Menandro (part. especial - Mazzarolo)

Duração: 1h15min


Quando?
De 9/5 a 1/06 de 2008
sexta e sábado às 21h00
e domingo às 19h00

Onde?
Hoteel Del Rey
Rua ermelino de leão, 18
Centro
(Próximo à Boca Maldita)

Quanto?
Ingressos: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia

segunda-feira, maio 05, 2008

entrevista para o blog "auto falante" do site hagah

clique neste link

http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&uf=3&local=7743&regionId=15&template=4062.dwt&section=Blogs&tp=&blog=384&tipo=1&coldir=1
Porão Loquax - é amanhã! APAREÇAM!

Neuza Pinheiro, Alexandre França & Guile Dias

21:00 coquetel de abertura da exposição "Os Invisíveis" de Guile Dias, que na definição do autor são “profissionais invisíveis em Curitiba por seguirem seus guias interiores”;

22:30 apresentação de fragmento da peça "Final do Mês", texto e direção de Alexandre França, com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela.

23:00 A grande cantora, compositora e poeta Neuza Pinheiro, primeiro lugar de literatura poeta Lúcio Lins com Pele & Osso (2007), apresentará seus poemas e algumas canções. Interpretou músicas de Arrigo Barnabé em Festivais da Cultura e Tupi, integrou a banda Isca de Polícia de Itamar Assunção, lançou o CD Olodango (2007), escreveu para Um poeta - Folha de São Paulo e Nicolau entre outros.
Wonka Bar : Trajano Reis, 326
fones 3026 6272 : 9142 0810

entrada R$1,99

sexta-feira, abril 18, 2008

Genial!

MIRABOLANDO
Música Malabarizada

participação especial de André Abujamra
e palestra (música independente em Curitiba) após o show

27/04 domingo - 18hs
SESC DA ESQUINA

R$ 5 comerciários , estudantes e pessoas acima de 60 anos
R$ 10 não comerciários


Da amizade entre o malabarista Marcelo de Lima e os músicos Cauê Menandro e Carlito Birolli, todos com muitas idéias na cabeça, surge um trio com uma proposta um tanto quanto MIRABOLANTE. Integrar música, circo, malabares e batuques é o desafio a que esse grupo se lançou.
Da união das experiências individuais dos integrantes, nasce um espetáculo inusitado que busca mesclar diversas formas de expressões artísticas num trabalho com números, encenações e canções próprias criados na simples arte de se divertir.

segunda-feira, abril 14, 2008

Padrões

Um sistema claro de manutenção dos ossos e da pele: sol, vitamina D e cálcio.

Um sistema claro de manutenção da depressão necessária para criação: insônia, cigarro, cerveja e imobilidade física.

Temos um padrão observando xícaras e vapores num café do centro: o movimento preciso da boca ao tragar a fumaça de cigarro, muito parecido com o movimento da boca ao dar um beijo no rosto de uma criança, muito parecido com chupar a espuma do suco de laranja que ficou no final, muito parecido com o assovio de um velhinho perdido no centro.

Temos um padrão: o centro. O centro com suas pichações “carne é crime”, o centro com suas pichações sobre o presidente bush, o centro com suas pichações “políticas”, o centro entulhado de intervenções artísticas, de malabarismos transeúnticos, de derrotas estateladas no meio da calçada.

Um padrão para uma fala neurótica coerente: começou a entrar vírus no meu computador bem quando eu instalei um anti-vírus gratuito nele.

Temos um padrão: o anti-vírus. O anti-vírus e seus cavalos de tróia, o anti-vírus e seus spywares, malwares, rootkit e o escambau.

Temos um padrão: computadores apagando os seus dados no 3, 2...

quinta-feira, abril 10, 2008

Homem-bomba e seus pecados

Multas, blocos de estar,
Contas feito pontas de flechas
Cartões bloqueados e uma tocatta menor
De buzinas e instrumentos de demolição,
Tudo isto será irrelevante
Frente a explosão de carne do
Escolhido homem-bomba
Dentre todos os homens-bomba
O mais gordo e pecaminoso homem-bomba
Perdido no xadrez de azar
Das vaidades humanas.
O nosso sono, a nossa preguiça
Será eliminada e
Provavelmente seriamos
Arremessados num oceano preguiçoso
De preguiças constituídas de preguiças
Preguiçosas e sonolentas.
O trânsito, as ruas engarrafadas
Toda a poluição que constitui
O sujo out-door dos nossos dias
Vai explodir
Numa tacada de golf do
Homem-bomba
Dentre todos os homens-bomba
O mais rico e sorridente
Homem-bomba
Perdido na canastra imunda
Da luxuria humana.
O nosso sexo será apenas
Sexo e as nossas camas
Nunca mais serão bem arrumadas
Limpas e engomadas
É provável que todos os amantes
Se amem pela eternidade proporcionada
Pela explosão bomba de um homem
Bomba.
O único arrependimento dele
Depois de mergulhar em seu poço
De pecados
Em seu copo de refrigerante
Em sua caixa lotada
De M&M’s coloridos e brilhantes:
O amor teria explodido
Abraçado a este homem
Na fria explosão calculada
Do mais triste e mudo
Homem-
bomba.

sábado, março 29, 2008

Claudete Pereira Jorge na leitura de "Final do Mês"


Mãe
- Tem gente que passa anos sem ser reconhecida, levando o passado estampado na cara, levando todos os dias a roupa suja dos filhos e do marido na lavanderia do bom senso. Tem gente que mata o tempo na beirada da varanda, brincando com o salto, brincando com a iminência, brincando com a precariedade. Tem também os que fumam a vida inteira escondidos da família (acende um cigarro), na esperança de que aquela gente tão próxima não descubra o poço de fragilidades e recalques a sufocar o cérebro. Tem gente que não suporta os seus próprios recalques. Tem gente que quebra todos os espelhos da casa antes de sair. Tem homem que bebe escondido da mulher, para que ela não perceba que aquela desenvoltura, aquela sensível violência é fruto de algo engarrafado numa industria onde milhares de garrafas como aquela são engarrafadas. Tem gente que prefere o tédio a uma fotografia feliz. Tem gente que prefere dormir no colo silencioso da solidão. Tem gente que prefere esquecer as contas para pagar no final do mês. Tem gente que prefere esquecer o filho na saída da escola. Tem gente que prefere fugir para qualquer lugar onde não existam pessoas queridas, entes queridos, indivíduos pelos quais você morreria. Tem gente que prefere nunca mais encontrar estas pessoas, para se livrar do restinho de responsabilidade que ainda existe. Tem gente que prefere cães a gatos. Tem gente que se vê num cão sem uma das pernas. Tem gente que vê a sua dependência na dependência deste cão. O ser humano é um animal altamente dependente. É na dependência que se encontra o desespero humano, é na dependência que se encontra a maior concentração de carne humana, é na dependência que se percebe que as coisas são mais fáceis do que se imagina. Tem gente que prefere dar um tiro na boca, a atravessar o centro de carro com o intuito de finalmente voltar para a casa.

terça-feira, março 25, 2008

Assunto Terminado no Festival de Curitiba

Do blog "palavras todas palavras"

luis-felipe-leprevost-foto-assunto_terminado.jpg

Em uma sociedade controlada, o jovem Ivan - funcionário do “Sistema” - passa a questionar a ordem estabelecida e por isso recebe a visita de um inspetor. A partir desse encontro, abordando conteúdos do homem contemporâneo, cria-se um habilidoso jogo de sedução psicológica e de poder.
Para poder interpretar o personagem o jovem poeta, escritor, compositor e ator LUIZ FELIPE LEPREVOST, raspou a cabeça como todo ator profissional o faria. sucesso LEPRE!!


onde:
ACT - Ateliê de Criação Teatral- Rua Paulo Graesser Sobrinho, 305
21/03/2008 - 21:00 -
22/03/2008 - 21:00 -
23/03/2008 - 21:00 -
24/03/2008 - 21:00 -
25/03/2008 - 21:00 -
26/03/2008 - 21:00 -
27/03/2008 - 21:00 -
28/03/2008 - 21:00 -
29/03/2008 - 21:00 -
30/03/2008 - 21:00 -

ingresso: 20,00 e 10,00

Porão Loquax no Festival de Teatro - APAREÇAM

Poetas invadem o festival de curitiba no fringe.

Poetas e poemas de hoje
Projeto idealizado por Mário Domingues e realizado em parceria com
Ieda Godoi no Wonka Bar, o Porão Loquax existe desde 2005 e é
um dos eventos mais importantes de poesia do estado.
Divulgou a produção de poetas locais e permitiu o intercâmbio entre
escritores de várias partes do país, além de ter sido palco para o lançamento
de diversas obras.

Porão Loquax no Uninter: , Hamilton de Lócco, Lindsey Rocha, Bárbara Lia
Luciana Cañete, Ricardo Pozzo e muito mais.
PORÃO LOQUAX - 25 e 26/03, partir das 20h30
END: TEATRO Uninter. RUA DR. MURICY, 1088
INFORMAÇÕES: teatro@grupouninter.com.br

quarta-feira, março 19, 2008

Sarah Kane



- Você fez algum plano?

- Tomar uma overdose, cortar os meus pulsos, depois me enforcar.

- Tudo isso de uma vez?

- De modo que não poderia ser interpretado como um grito de ajuda.

(Silêncio.)

- Não daria certo.

- Claro que daria.

- Não daria certo. Você se sentiria sonolenta por causa da overdose e não teria forças para cortar os pulsos.

(Silêncio.)

- Eu estaria em pé em cima de uma cadeira com uma corda enrolada no pescoço.

(Silêncio.)

- E se você ficasse sozinha acha que poderia fazer mal a você mesma?

- Acho que sim e isso me assusta.

- Pode ser uma espécie de proteção?

- Sim. É o medo que me mantém longe dos trilhos dos trens. Só espero, pelo amor de Deus, que a morte seja a porra do fim. Me sinto com oitenta anos. Estou cansada da vida e a minha mente quer morrer.

- Isso é uma metáfora, não é realidade.

- É como se fosse.

- Isso não é realidade.

- Não é uma metáfora, é como se fosse, mas ainda que fosse uma metáfora, aquilo que define uma metáfora é ela ser real.

(Um longo silêncio.)

- Você não tem oitenta anos.

(Silêncio.)

Tem?

(Silêncio.)

Tem?

(Silêncio.)

Ou tem?

(Um longo silêncio.)

- Você despreza todas as pessoas infelizes ou só especificamente a mim?

- Eu não desprezo você. A culpa não é sua. Você está doente.

- Eu não acho.

- Não?

- Não. Estou deprimida. Depressão é ódio. É o que você fez, você que estava lá e você que é está se culpando.

- E você está culpando a quem?

- A mim mesma.


Sarah Kane - Psicose 4h48

Trad. Marcos Damaceno

segunda-feira, março 17, 2008

Claudete e Helena

Ontem, no último dia do meu ciclo de leituras, me emocionei do começo ao fim com o “Final do Mês” lido pelas minhas queridas amigas Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Eu não imaginava que a coisa fosse funcionar daquela forma. Algo muito louco aconteceu. Apesar da Claudete e da Helena serem mãe e filha na vida real, elas interpretaram uma mãe e uma filha totalmente diferente do que elas realmente são, mas também uma mãe e uma filha totalmente convincente para o meu gosto. E para mim muito mais, já que este texto, que fala sobre a crise financeira de uma mãe que ainda sustenta a sua filha maior de idade, é quase que inteiramente autobiográfico. Eu me vi na filha que a Helena interpretou e vi a minha mãe na mãe que a Claudete deu forma, não só por conta dos diálogos que eu escrevi, mas também pelo talento que esta duplinha dinâmica tem em construir personagens. O mais fácil e óbvio era que as duas interpretassem elas mesmas no teatro (mãe e filha). Mas não. As duas, em pouquíssimo tempo, diga-se de passagem, construíram uma mãe e uma filha únicas e ao mesmo tempo “de todos”. Foi ótimo perceber que a platéia também se comoveu com a peça. Desta vez eu tenho que agradecer as duas pelo ótimo trabalho realizado e pela amizade, que acima de tudo, nos leva sempre à luz.

quinta-feira, março 13, 2008

COMEÇA AMANHÃ!!! APAREÇAM!!!


Depois de uma série de leituras de textos teatrais do escritor Luiz Felipe Leprevost, agora é a vez de Alexandre França mostrar a sua dramaturgia para o público interessado na Casa do Damaceno. O espaço está sendo usado para um ciclo de leituras batizado como "Nova Dramaturgia Curitibana", cuja proposta é promover a nova geração da dramaturgia feita em Curitiba e incentivar o debate e as discussões acerca do tema.

Vários artistas de peso já participaram do ciclo, tais como Regina Bastos, Luthero de Almeida, Márcio Mattana, Michelle Pucci e o próprio Leprevost. Para as leituras dos textos de França, três diretores irão revezar na direção. A primeira leitura, "As Noivas", ficará a encargo de Cleber Braga. A segunda, "O Homem que Conhecia Todo Mundo", com Marcos Damaceno e a última, "Final do Mês", com o próprio dramaturgo
Alexandre França.

Segundo Claudete Pereira Jorge, uma das atrizes que participarão das leituras de um dos textos de França, "esta é uma iniciativa que deveria acontecer mais em Curitiba. A nova geração está aí e precisa ser mostrada". O grupo está aberto a novas propostas de leituras, já que ainda este semestre pretende organizar novas mostras como esta.

As leituras dos três textos de Alexandre França acontecem na Casa do Damaceno
(Rua 13 de Maio, 991 - Tel.: 3223-3809) nos dias 14, 15 e 16 de março, sexta e sábado às 21h00 e domingo às 20h00. Entrada R$ 5,00.
De 14 a 16 de março de 2008, sexta e sábado, às 21h00 e domingo, às 20h00, na Casa do Damaceno - Rua Treze de Maio, 991 - Entrada de cada leitura: R$ 5,00

PROGRAMAÇÃO
Dia 14 de março
"As noivas"Com Helena Portela - Direção da leitura: Cleber Braga
Dia 15 de março "O homem que conhecia todo mundo", Com Márcio Mattana, Michelle Pucci, Alexandre França e Paulo Ugolini. Direção da leitura: Marcos Damaceno
Dia 16 de março "Final do mês", Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela - Direção da leitura: Alexandre França

quinta-feira, março 06, 2008

Ela

Ela

(alexandre frança)


O asfalto reconhece o olhar
e deixa Ela passar
armada e atenta a algum otário
e se Ela reparar
no meu sorriso teatral
fará da minha vida um caos
pois sei que Ela é de cobrar
pela felicidade
no braço um peso de tocar
há horas violão
e se na melodia Ela pedir
eu viro chão e deixo Ela me pisar
o dia inteiro, sem parar
mas sei que o que Ela mais quer
é que eu escreva
escrevo um livro, falo sobre o sol se pôr
esqueço a estética atual e falo sobre o amor
eu monto a arquitetura da cidade
faço história, invento um enredo de novela
e mudo a vida dela pra melhor

Violão e voz - Alexandre França
Piano - Davi Sartori
Clarinete - Sergio Albach
Percussão - Luciano Madalozzo


domingo, março 02, 2008

Billie Holiday

É um patético alívio o que eu sinto pela sua voz.
Finalmente a compreendo
quando durmo e peço a Deus
um sussurro para dormir lentamente
sobre o véu de tristeza que não é mais tristeza,
que já é outra coisa que eu nunca soube explicar,
mas que agora me veio,
como o céu invadindo pela manhã
o seio dos olhos de quem dormiu na rua,
encarcerado
numa prisão de estrelas e nuvens acinzentadas.
É um patético alívio o que eu sinto pela sua voz.
Você percorrendo minha vida,
mesmo em momentos tediosos de tv
e comida congelada,
mesmo em momentos deprimentes
de resignação e culpa,
você percorrendo minha vida,
como um parasita a se alimentar de sangue,
de pureza,
da mais fina e pura tristeza,
pois eu também dôo a minha alma,
nas tardes de domingo,
onde novamente não acho saída
para a minha mediocridade
e recorro ao seu colo de voz,
no clima quente e gelado
que a sua voz consegue atingir,
em suas interpretações de inverno.
É um patético alívio o que eu sinto pela sua voz.
Você que mastiga a pulsação
da minha aflição a cada canção de derrota,
que já não é mais derrota,
mas suavidade,
redenção
e paz,
num pranto único,
que no fundo é aquilo que acredito ser
a trilha sonora da sala de espera
de qualquer paraíso.
Sua voz é o sentido que o apaixonado encontra
no olhar caído de um cão vira-latas,
depois de uma noite de rompimento
entre lágrimas e cigarros.
É alívio o que eu sinto
quando você me põe para dormir.
Quando sonho um sonho em branco
preenchido pela sua voz.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Casa da Claudete II


quarta-feira, fevereiro 20, 2008

APAREÇAM!



Três textos de Alexandre França na Casa do Damasceno
(leituras públicas)

de 14 à 16 de março de 2008
sexta e sábado às 21h00
e domingo às 20h00
na Casa do Damasceno -
Rua Treze de Maio, 991
(em frente ao colégio
Anjo da Guarda)
Entrada de cada leitura: R$ 5,00

Dia 14 de março, sexta-feira
às 21h00
"As noivas"
Com Helena Portela
Direção da leitura:
Alexandre França

Dia 15 de março, sábado
às 21h00
"O homem que conhecia todo mundo"
Com Márcio Mattana, Michelle Pucci,
Alexandre França e Paulo Ugolini.
Direção da leitura:
Marcos Damaceno.

Dia 16 de março, domingo
às 20h00
"Final do mês"
Com Claudete Pereira Jorge
e Helena Portela
Direção da leitura:
Cleber Braga
Casa da Claudete I

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fuga do tempo

Parem o tempo!
Ele não pode escapar!
Sigam aquele tempo, ali
Com circulação vermelha
Pelo corpo
Barrem o tempo
Na alfândega, com suas muambas
De espaço, deixe ele cair
Com seus quilos de substância
Ilegal,
Seus quilos de números
Meios e medidas.
Barrem o tempo na porta giratória
Do banco de todo dia
Barrem o tempo com o tédio
Da fila de banco
De praticamente
Todos os dias.
Barrem o tempo nas corridas,
Nos horários marcados,
Nos horários desmarcados.
Não deixemos que o tempo
Tome conta do nosso tempo.
Não deixemos que o tempo
O tempo todo
Nos faça de otário.

domingo, fevereiro 17, 2008

Sombra

Um quadro bordado à mão, um vaso desenhado por algum polaco curitibano, um armário de grades rococós do século 19, um tapete persa, chazinho, bolinho de chuva, tempestades em copos d’água, mas alguém morreu na esquina de baixo.

Sangue misturado com leite, como naquele poema do Drumonnd, luzes e sirenes estridentes, gritos de horror, pessoas fugindo de si mesmas e eu daqui de cima, fumando um cigarro, com medo de ser descoberto pelos meus ou pelo departamento americano de álcool, tabaco e armas de fogo. Alguém morreu aqui em cima.

Templos, procissões, fábulas, mitos e o sussurro de Deus que é um tornado, uma avalanche de ódio e raiva disfarçadas. Deus a descansar em sua poltrona de veludo azul. Alguém se jogou lá de cima.

Rastros de morte, crânios e carniças por sobre um lixão de idéias prontas. Tudo matando a todos, num suicídio coletivo.

Sem sombra de dúvidas
Alguém morreu em algum lugar.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Cesar Rossilho

Tato de Ossos

Quando eu morrer
Dêem as cinzas
Aos astronautas
Joguem-nas
Onde nunca pousem
Flutuem por séculos luz
Atrás dessa cruz
Atrás de Jesus
E se não encontrá-la
Com o tempo
Que o vento me leve
Ao menos atrás de um dos nossos
Num tato de ossos
Senão qualquer luz
Que ouse
Que pouse
E vá se misturar nua
Nas areias da lua
Com "Fly me to the moon
And let me sing among the stars"


Cesar Rossilho

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Apareçam

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