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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

As Noivas


(Uma mulher vestida de noiva sentada no meio do palco)

Voz in off de um desconhecido Esta não é uma peça machista. Bom espetáculo.

(passa-se algum tempo. De repente a atriz levanta uma placa na qual estará escrito o seguinte: “imaginem que estou vestida de noiva”. E depois levanta outra escrito “pronto?”. E finalmente uma última escrito “posso começar?”)

1 - Quero um marido!

2 - Quero um marido!

3 - Quero um marido!

4 - Quero um amante!

1 - Eu sou a louca que pensa 24 horas em ter um marido.

2 - Eu sou a obsessiva por homens elegantes, bonitos e principalmente sensuais.

3 – Eu fujo. Sempre. Eu sou obsessiva por fugir dos maridos e apesar de reconhecer que isto já foi usado em algum filme ou em algum livro de sucesso (por, sem dúvida, possuir um final feliz depois de todas as fugas), eu fujo sempre do meu marido ideal no dia do meu casamento

4 - Eu não sou obsessiva por maridos...apenas gosto de me vestir de noiva

1 - Nos últimos anos andei pensando...

2 – É...estes dias mesmo eu pensei...

3 – pensei muito...

4 – pensei pra caralho!

1 - Em todos os remédios que eu tomo por eles. Todas as pílulas vermelhas, azuis, brancas, amarelas...

2 - no quanto é bonito os pêlos do nariz de um homem, saltando para fora das narinas como traças passeando pelas frestas de um belo banheiro de rodoviária...

3 – Fujo assim de repente, como quem muda de assunto e mais ainda, fujo a cavalo, de charrete, pegando carona com um caminhoneiro gentil que provavelmente foi escolhido a dedo para tal cena...

4 – (voz sexy e relativamente grossa) gosto de dar para caminhoneiros...adoro aquele filme “a dama do lotação”...”vestido de noiva” é a minha peça preferida

1 – vamos refletir a respeito da complexidade de se ter um marido...

2 – vamos refletir

3 – até desaparecer

4 – até explodir...

1 – era tudo o que eu queria: uma torta com recheio de remédios e uma vida inteira dopada com um marido igualmente dopado...

2 – era tudo o que eu mais queria: passar horas a fio arrancando os deliciosos pêlos do nariz de um homem gordo e flácido...

3 – vamos refletir a respeito de fugir da pessoa que você mais ama

4 – vamos refletir a respeito de dar para o primeiro que aparecer no bar...

1 – não é uma loucura? Me apaixonar

2 – perdidamente

3 – loucamente...

4 – arregaçadamente...

1 - por médicos e homens vestidos de jaleco branco?

2 – não é uma insanidade? Cheirar aquele odor suave que as axilas exalam após um exaustivo dia de trabalho, só para lembrar do meu marido ideal?

3 – não é uma insensatez? Correr quilômetros vestida de noiva só para fugir da pessoa que eu mais amava?

4 – não é estranho não amar ninguém?

1 – ah, eu nem precisava amar, só dormir eternamente ao lado do meu marido...

2 – será?

3 – ninguém me ama!

4 – o que é amar?

1 – Eles me amam, todos, eu posso sentir o odor do amor a cada gesto e a cada movimentação do vento ao redor dos meus maridos. Eu ouço o dia inteiro os seus pedidos de casamento enquanto durmo...

2 – Eu sinto entre os dedos as dobras do meu marido ideal. Posso, agorinha mesmo, visualizar as suas provocantes estrias e as suas celulites a dançar sensualmente na minha cara, durante a nossa primeira noite de amor num motel de estrada com espelho no teto e churrasqueira dentro...

3 – Gosto de fugir de ônibus, como no filme “primeira noite de um homem”, gosto de fugir a cavalo como em “noiva em fuga”, gosto de fugir de caminhão como em “lisbela e o prisioneiro”

4 – já dei para presidiários...eu tive um namorado presidiário...

1 - Gosto de ficar olhando para eles enquanto eles examinam o meu corpo, gosto quando eles cuidam de mim quando perguntam se estou sentindo alguma coisa, se dói em algum lugar, gosto quando eles me tocam por baixo do vestido enquanto durmo, principalmente enquanto durmo, pois tenho a sensação de ser amada em todos os meus sonhos. Gosto quando eles me chamam de anjo, quando eles me chamam de paciente, quando eles me chamam de perdida, de esquizofrênica, de louca varrida, psicopata. Gosto quando eles falam que tudo o que eu falo é inventado...

2 – Eu sinto um imenso tesão em dormir ouvindo o ronco de um homem. O meu marido ideal tem que roncar, senão eu não caso...sou capaz de passar uma noite com ele só pra ver se ele ronca...se babar na fronha, então, é ponto pra equipe...

3 – ah, também gosto de carros de corrida, gosto de ferraris, porches, lamborguines...

4 – eu gosto de um bom mecânico semi-nu...

1 – eles me botam no colo, me botam pra dormir, me cantam canções de ninar

2 – ah, a caspa mal curada, a micose entre os dedos do pé, as manchas escuras nas costas...

3 – Eu gosto da fuga: acho, de fato, romântico. Amar está em quebrar as expectativas, em possuir o medo do casamento, pois casar, na minha concepção de amar e ser amado, é uma espécie de morte súbita que deve ser evitada por todos aqueles que almejam um futuro perfeito e saudável, feito um bebê de colo a tomar o leite materno, a matar a sua mãe aos poucos, a sugar, como um pequeno vampiro, todo o vigor de mulher que aquele ser do sexo feminino possuía durante os seus vinte anos de idade...

4 – (para a número 3) acho que você pegou pesado! (Pausa. As outras três ficam assustadas com o fato)

1 – quem mandou você conversar com a gente?

2 – quem?

3 – É! Quem mandou você conversar com a gente, sua dadeira?!

4 – Eu não queria atrapalhar...só achei que a número 3 exagerou no “verbo”

1 – quem mandou?

2 – É, quem mandou?

3 – quem mandou você me chamar de número 3?

1 – quem mandou?

2 – É, quem mandou?

3 – quem mandou você me chamar de número 3?

1 – quem mandou?

2 – É, quem mandou?

3 – quem mandou você me chamar de número 3 sua dadeira?!

4 – tá no texto...você é a número 1, você é a número 2 e você a número 3!

1 – Como assim?

2 – Como assim?

3 – (para número 4) só falta você me dizer agora que é a número 4?!

4 – exatamente! Vocês não sabem? Tá na moda agora no teatro...e olha que a gente deu sorte, por que o cara que escreveu isto poderia pirar e nem colocar nome nenhum no texto...tipo, botar umas frases soltas...pelo menos há traços de personalidade em vocês: a número um é a louca que fica esperando o marido no hospício, a número 2 é a que sente tesão por coisas nojentas e finalmente a 3 é a que fugiu da pessoa que mais ama e foi parar neste lugar...

1 – eu não sou louca...e pare de me chamar de número 1

2 – vai me dizer que você não gosta de uns pelos nas costas, ein, numero 4?

3 – é verdade...acho que eu fugi do único homem que eu amava...

4 – eu sou o contraponto desta história...o meu objetivo aqui, além de ser sempre do contra, é de elucidar alguma coisa pra vocês...

1 – e o que seria?

2 – já sei!

3 – o que?

4 – primeiro vamos parar com esta ordem idiota!

1 – que ordem idiota?

2 – que ordem idiota?

3 – Que ordem idiota?

4 – 1, 2, 3 e 4...a gente sempre fala nesta ordem...primeiro a número um fala...depois a dois, depois a três e depois a 4...aliás, eu sempre falo por último...deve ter algum motivo para isto acontecer...

2 – que estranho

4 – super estranho

1 – estranho é não falarmos mais na ordem certa...

3 – fico até constrangida...

4 – agora a pergunta que eu me faço é: por que vocês três querem um marido? Por que a número 1 é a louca do hospício, a dois é a chechelenta que acha sensual coisas nojentas e por que a número 3 é a fujona?

3 – (para número 4) e por que será que você é uma puta?

1 – ela não é uma puta...

2 – ela poderia estar esperando um filho de um filho da puta?

3 – e este filho da puta cometeu a filha da putice de largar esta mulher, que não é uma puta, num bar, só pra parecer que ela é de fato uma puta...

1 – e se ela é uma puta? E está esperando um filho de um filho da puta, filho de fato de uma puta, que possuía uma avó puta, de uma bisavó filha da puta, fruto de uma relação pra lá de filha da puta?

2 – é uma geração inteira de putas

3 – é puta pra tudo que é lado

1 – se o filho dela nascer aqui, pra todo mundo ver que a puta está parindo um filho da puta?

2 – filho da puta!

(breve pausa)

3 – quantos meses já?

1 – a sua barriga já está aparecendo...

2 – que linda!

3 – uma bela de uma filha da puta!

1 – qual será o nome?

2 – você já escolheu o nome?

3 – será o número 5? Que nome lindo – número 5!

4 – vamos mudar de assunto...

(pausa)

2 – gostei, nós podemos mudar de assunto...

1 – podemos falar o que a gente pensa a respeito

(e de repente)

3 – buceta, buceta, buceta...

2 – ahn?!

3 – buceta, buceta, buceta, buceta (gritando) buceta!!!

4 – meu deus! Começou. Isto, minhas queridas, é tara de diretor e dramaturgo homem...

3 – buceta

4 – eles enfiam buceta na boca das mulheres por que sente um certo tesão por isto...

3 – buceta...

4 – a número 3 é uma vítima deste dramaturgo mal caráter e chauvinista...

1 – ah, então foi por isto...

2 – Claro, foi por isto que ele transformou a número 4 em puta...

3 – buuuuuuuuuuuuceeeeeeeeeeeeeeetaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!

4 – meninas temos que dar um jeito nisto...

2 – este homem é um doente...número 4, você não é uma puta...

3 – (cantando de uma forma visivelmente patética) buceta, buceta, não faça assim comigo, buceta, buceta, vem ca ser minha amiga...

1 – número 4, definitivamente você não é uma puta...

3 – bu-ce-ta!!!

1 – Só faltava agora ele colocar ela falando “buceta” e ao mesmo tempo mostrando os peitos...

2 – É...fazendo o famoso “peitinhos”

(número 3 começa a tirar a parte de cima do vestido e é impedida pelas outras)

4 – ele deve se masturbar escrevendo isto...

3 – buceta (fala com a língua pra fora, imitando uma cadela) buceta (dá uns latidos)

4 – meu Deus! Ele é mais doente do que eu pensei!

(número 3 dá uma lambida no rosto de 2)

2 – Uiiii, sai daqui número 3....gente, acho que ela está no cio...

3 – (deita no chão, abre e fecha as pernas freneticamente) Buceta, buceta, buceta...

1 – Meu Deus, ele a está deixando louca, é uma lavagem cerebral, daqui a pouco esta mulher vai se entupir de remédios, ter visões, dormir o dia inteiro e enquanto dorme falar...

3 - ...buceta

2 – Daqui a pouco ela vai começar a gostar de líquidos vaginais, coisas nojentas que ficam entre os lábios de uma vagina, vai ficar tarada por pernas mal depiladas e passará o dia inteiro querendo chupar uma...

3 – buceta

4 – Parem com isto!

1 – Pára de enfiar

3 – Buceta...

2 – nas falas dela – o público não agüenta mais esta situação...

1 – é constrangedor tanta

3 – buceta...

(dá alguns tapas em si mesma)

2 – sai daí espírito do mau...

3 – eu penso buceta a todo buceta instante em como buceta seria bom buceta eu parar de buceta falar buceta e fugir do meu buceta casamento com o buceta homem que eu amo buceta...

1 – pelo menos ela está tentando...

3 – eu buceta juro que quero buceta de buceta parar de falar buceta...

4 – O que é isto agora?! A língua da buceta?!

1 – Eu preferia quando ela falava sobre fugir do marido...

2 – (para número 1) eu gostava quando você era obsessiva por maridos...

3 – (mais latidos) Eu buceta também...

4 – Por favor! Não vamos nos render, meninas...vocês já estão falando naquela ordem idiota...

1 – que ordem idiota?

2 – que ordem idiota?

3 – que ordem idiota?

4 – Bom, pelo menos a 3 parou de falar “buceta”

1 – isto é um sinal...sinal que ele vai me pedir em casamento e me entupir de remédios de todas as cores: vermelho, amarelo, azul, branco

2 – sem dúvida: uma colônia enorme de fungos irá aparecer nas costas do meu marido...ai, começo a ficar excitada!

3 – isto é um sinal...de que eu perdi o homem que eu mais amava...fugi dele covardemente...

4 – sim, isto é um sinal...estou sentindo que eu devo retomar alguma coisa anterior no texto, para finalmente concluir esta peça...

1 – O fato de que você é uma puta?

2 – puta?

3 – Ela não é uma puta.

4 – Eu sei que eu não sou...

1 – uma rejeitada!

2 – é isto!

3 – isto é uma pena, número 4...uma pena mesmo (soluça) buceta

1 – Ihhh, ta com a buceta na boca ainda

2 – que escritor canalha...

3 – buceta...

2 – cu

1 – caralho

4 – meu Deus! (olha pra cima) Pára de querer enfiar obscenidades na nossa boca...já basta você querer me tachar de puta, caralho! Seu merda, filho de uma...

(coloca a mão na boca)

1 – Que mal educada, ein...

2 – vai rodar a baiana agora, né, número 4

3 – bem do teu feitio

4 – parem já com esta ordem!

1 – que ordem?

2 – que ordem?

3 – que ordem?

4 – o que eu estou fazendo aqui?! Eu deveria estar com o meu marido...

1 – mas você é uma puta...

2 – uma puta grávida...

3 – uma puta grávida de um filho da puta

4 – vamos parar com isto: eu não sou puta, meu noivo não é um filho da puta e nem meu filho é um filho da puta...este escritor babaca me prendeu aqui por algum motivo...

1 – por você ser uma puta...

2 – só pode ser...

3 – claro...

(pausa dramática. Número 4 olha atônita para a platéia)

4 – já sei, vou entrar no jogo dele, caralho!

3 – buceta!

1 – não! De novo, não...

2 - não agüento mais ouvir ela falando isto! É completamente constrangedor...

3 – buceta

4 – já entendi o seu joguinho sórdido

1 – jogo?

2 – que jogo?

3 – Buceta?

4 – (interrompe bruscamente) eu preciso contar uma coisa pra vocês

1 – fala!

2 – fala!

3 – buceta!

4 – eu, a puta da história, vou tomar coragem, sair por aquela porta e finalmente casar com o filho da puta do pai do meu filho, que será um belo de um filho da puta!

1 – é menino?

2 – menina?

3 – buceta ou pinto?

4 – bom, isto já é uma outra história...

(número quatro sai de cena. Aplausos. Atriz volta para o palco)

1 – Quero um marido!

2 – Quero um marido!

3 – Quero um amante!

1 - Eu sou a louca que pensa 24 horas em ter um marido.

2 - Eu sou a obsessiva por homens elegantes, bonitos e principalmente sensuais.

3 - Eu não sou obsessiva por maridos...apenas gosto de me vestir de noiva

(as luzes vão abaixando até que fique tudo escuro durante as palavras finais da número 3)

fim

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Ele está de volta mais ácido do que nunca. Genial.


O amor é o pior de todos os vícios. As drogas e o álcool levam o viciado a cometer crimes contra os outros. A primeira vítima do apaixonado é sempre ele mesmo. Enquanto o viciado pensa em assassinato, o apaixonado pensa em suicídio. Um viciado pode ser internado em uma clínica, mas para os apaixonados resta o manicômio conhecido por saudade. Esses puppets de Eros e Afrodite consideram a poesia a sua Bíblia e Vinícius de Moraes o seu Fernandinho Beira-Mar.

(Douglas Kim)

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Apareçam.



DOIS MONÓLOGOS E
UM QUEBRA-PAU!!
Leitura Pública dos textos de Luiz Felipe Leprevost com:
Luthero de Almeida, Regina Bastos, Luiz Felipe Leprevost e Michelle Pucci
30 e 31 de janeiro - Casa do Damaceno - 20hs
Rua 13 de maio, 991 (em frente ao Colégio Anjo da Guarda)
Entrada: 6,00 e 3,00

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Engolindo a madrugada

A medida dos meus sonhos
Escorreu na minha língua
Um licor de dependência
Despencando da retina
Que me olhava devagar
Um calor insuportável
Me abraçava em despedida
E o dia foi lidando de maneira objetiva
Com quem mora neste bar

Engolindo a madrugada
Enquanto ela nos engole
Ela finge que me ama
E me consome
Engolindo a madrugada
Enquanto ela nos engole
Ela finge que me ama
E me consome, e me engole, e me cospe
Da boca pra fora.

Bóia triste a fé de um homem
Em copo americano
Enquanto a noite vai rasgando
As entranhas de um estranho
Que parou de respirar
Na espinha corre fria
Uma raiva incontrolável
São disparos da violência
Que tomava de assalto
Minha vontade de gritar

Engolindo a madrugada
Enquanto ela nos engole
Ela finge que me ama
E me consome
Engolindo a madrugada
Enquanto ela nos engole
Ela finge que me ama
E me consome, e me engole, e me cospe
Da boca pra fora.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Leitura de poemas de Bia de Luna no Hermes - dia 24, às 21h00

Vamos homenagear a nossa querida poeta Bia de Luna nesta quinta, dia 24, no hermes bar às 21h00! Leitura de poemas da Bia com as participações de Luiz Felipe Leprevost, Marilda Confortin, Vidal, entre outros. Apareçam!

mais informações, é só entrar no site do hermes:
http://www.hermesbar.com.br/

sábado, janeiro 19, 2008

Eu vou.

Para mim, um baile de fandango é uma coisa inédita. No mínimo, a proposta é interessante.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

O triste

estou triste por você
estar triste.
eu fico triste quando
você fica triste.
eu fico triste quando nós
ficamos tristes e
não falamos no assunto.
e mais ainda
quando não sei como
encontrar o seu triste
no escuro do meu mundo.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Morre a mãe da poesia "maldita" curitibana: Bia de Luna.



Morreu na madrugada de ontem Bia de Luna, uma das grandes poetas aqui desta cidade cinzenta. E é com muito pesar que eu falo sobre isto, já que a Bia era também minha amiga. Conheci a Bia em 2001 (ou 2002) no bar Sal Grosso, no largo da ordem, apresentada pelo o Luiz Felipe (te devo esta, picareta) e a imagem que sempre me vem à cabeça era de uma pessoa que doava o seu corpo, os seus pensamentos, única e exclusivamente à poesia. Eu sempre disse que a figura da Bia era o poema maior, a Bia era a própria poesia. Quando eu a conheci, tive a impressão de cumprimentar "a lua" (ou a luna), com todas as atribuições magnificas que um astro que vive numa dimensão diferente da nossa pode ter. A Bia não vivia na mesma dimensão que nós. Ela, muitas vezes, mergulhava na sua poética e afundava a mente por entre os labirintos nevrais que o seu escuro calabouço de pensamentos produzia. Nas conversas que eu tive a oportunidade de ter com a Bia, ela sempre me falou da adoração que ela tinha pela poesia e pela ofício de escrever. Não gosto nem de lembrar do nosso último encontro no bar Kappele em que a Bia, empolgada em me reencontrar, começou a escrever um poema pra mim e, com muita tristeza naqueles olhos caídos, me entregou um bilhete escrito "Alexandre, me desculpe. Não consigo escrever. Acho que não sou mais poeta". Depois de ficar completamente sem jeito, fui reclamar da sua postura "como assim, a grande Bia de Luna não é mais poeta?": tarde de mais. Bia já havia saído pela porta da "direita com muito cuidado". Só agora eu entendo este bilhete, este aviso. Bia sentiu a poesia dentro dela denfinhando, assim como ela também estava. A Bia não aguentaria mais viver sem a coisa que ela mais adorava no mundo: a poesia. Mas de uma coisa eu tenho certeza, a poesia que ela produziu na gente, esta não vai embora nunca. Bia, vai com Deus minha amiga - você merece ir em paz. A saudade, a gente dá um jeito.


Três poemas de Bia de Luna

Escrevo e não escrevo
lento.

E você, cara, que vive a crédito,
em débito com o sol e a lua
crescente.
não pense em impunidade.

No conta-gotas que mata tua sede
Há dor e descrédito e
No que te alimenta há tédio e
Veneno.

Não te quero em amenidades,
que são somente consolo.

E a tua chance
É nos igualarmos
Nas incertezas do subsolo.

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Do que fui
Restou o tremor
Do medo dos olhos
Dos talhes e atalhes
E uma esperança paralítica.

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Restei estanque
pelo espancamento da alma.
Lacrei em tanques o sangue
e a uma cigana
Meus olhos bordados
Entregaram a história
De duas pupilas dilatadas
No centro de uma iris sem borda.

domingo, janeiro 13, 2008

Terminal

Escrevo isto de primeira
Num lar bem longe daqui
Onde o mapa da cidade
É o risco
De uma pulsação cardíaca
Aqui, sentado na poltrona
16A do ônibus
Vou sentido uma paz
Que eu nunca havia sentido
Sonhando com as coisas
Que me faziam melhor
E que hoje dormem
Quietinhas na caminha
D’um silêncio que parece
Um bebê roncando
Lento
Na poltrona 20C

Escuta,
Estou pensando
Em levar você comigo
Nos labirintos produzidos
Pela bomba vermelha
E azul do coração
Estou pensando
Em largar a vodka
E tomar só coca-cola
Ou melhor, suco natural
Nos verões
Estou pensando
Seriamente em “escrever
O meu caminho com você
A quatro mãos”

Estou em registro
Comendo um misto
Com chocolate quente
Esperando você me chamar
Para o final
Da nossa primeira viagem
De carro
Juntos.

sábado, janeiro 12, 2008

Fernando Koproski


quinta-feira, janeiro 10, 2008

Blues do guardanapo


Blues do guardanapo
(alexandre frança)

Foi num antro destes por aí
Que você me disse “larga, sai daqui”
E eu chorei quando riram de mim
Um poema tão ruim
Que eu fazia num papel de bis
Com a certeza de um final feliz
Pois sabe como é
Poeta só anda a pé
A espera de um milagre na rua
E à noite eu durava dias
Perdido em toda menina
Que brilhava ou explodia muda
Num poema necessário
Que se escreve em guardanapo
Para limpar a boca
Mas a voz tá tão fudida
Que a sua própria vida grita
“fica na tua!”

Piano - David Sartori
Clarinete - Sérgio Albach
Percussão - Luciano Madalozzo
Violão e voz - Alexandre França


quarta-feira, janeiro 09, 2008

na rua

“alguém o traiu”
diria algum morador da sua cabeça
eu diria que este poema
hoje não vira música
por que é ao mesmo tempo
muito fácil e constrangedor
se ferir em praça pública.
os cães domesticados
do nosso bairro
vão um a um latindo
cada vez mais alto
a cada passo da chuva
a cada chute no ar
a cada pedra rolada
dos nossos sapatos
até que uma sinfonia dramática
de desespero e buzina de carro
tome conta dos nossos tímpanos
mas
por que os vira-latas imundos
de noites mal dormidas e chutes na bunda
dormem tranqüilos em seus latões
de lixo, em suas casinhas de papelão
em seus becos ensopados de medo
e angustia?
“espere o momento certo”
diria algum morador na sua cabeça

é mais difícil morrer
sozinho
do que morrer
na rua.

domingo, janeiro 06, 2008

Mercadoramama
(Troy Rossilho, Octávio Camargo, Alexandre França e Luiz Felipe Leprevost)

tô aqui
no silêncio do apartamento
esperando você chegar
de sacolas
com as coisas
coisinhas
as compras do mercadoramama
pra criança que vai acordar e
a cerveja que não vai gelar
neste freezer
de uma noite tão quente
bacana e com pizza
eu e você e o bebê
a chorar
buabuabuabuabua
sem parar
buabuabuabuabua
e o bebê
buabuabuabuabua
inda
tô aqui

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Mercadoramama

quinta-feira, dezembro 27, 2007

E a parceria continua:


História


O tempo passava

Pelo conta-gotas

Da estratosfera

Do céu desta história

Eram estrelas que pingavam

A cada minuto

Beijos de boa noite

Iluminam os dias

Desta nossa história

E nas tardes de histeria

Gritos explodiam fogos

Fúria e rancor no céu da nossa história

Antiga, obscura lenda, mito de algum

Passado inventado

Numa noite minha

Nossa casa intacta na minha memória

Não guardava nada em mim.


Octavio Camargo e Alexandre França

terça-feira, dezembro 25, 2007

Sabrina Lopes

Uma coisa para dar
para uma certa menina:
o banheiro do cinema.

Com uma placa na porta:
mulher grande em roupas de guri
que deixa existirem seus quadris.

Todos os dias, precisamente,
às onze e onze, portas trancadas,
se formaria um círculo
de moças delicadas
que mijariam
se ela deitasse,
vinda do barro
como a cerâmica ,
se quisesse.

Um batalhão , garotas de uniforme,
arrumaria o papel
na posição "correta"
ou eu faria, pra deixá-la certa
de que é amada sempre .
Várias minuciosas vezes.

Um lugar seu
no banheiro público
tão bem aceito
quanto as boas filhas,
mas ainda conquistado
pelo seu tempo de luta:
o dia banal, na rua, à luz,
comigo.

Sabrina Lopes


Quer mais? Então entre no http://www.lopessabrina.blogspot.com



domingo, dezembro 23, 2007

Imagens

Há imagens que não se podem tocar
No máximo apertar a mão
No máximo dizer um "oi"
No mínimo dizer que não
Como um distante infeliz que se entristece
Como um cavalo machucado na cidade
Buscando uma só rua constituida de comida
No máximo se fala alguma dor
Que é desconhecida pelo fato
Há imagens que não se podem tocar
No máximo fechar os olhos
Para um sono tranqüilo
Num travesseiro de esperanças
E de uns poucos trocados

sábado, dezembro 22, 2007

E...

...depois da genial apresentação dos amigos (Koproski, Renatão, Luiz Felipe, Falcão, Thadeu, Octavio, Bárbara, Ivan, Magoo, Carlão, entre outros), entre farpas e pontapés rolando nas mesas da Primeira Saideira Cultural do Sal Grosso, surge uma parceria. Fugindo da muvuca, fui conversar um pouco com o meu amigo Edson de Vulcanis "o aranha" numa mesa de canto. O diálogo rendeu frutos. Confira:

A raiva da lua

A esquerda vivia bem
Para ela nunca faltou braços
Já a direita, dedilhava dúvidas

O céu cuspia súplicas
O sol apertava o passo

Quem estava há tempos no centro
Virou sombra e fugiu de si mesmo

A luz que olhava minguante
Com uma velocidade impressionante
Se virou pra iluminar o instante:

A lua levantou o dedo médio
Ela não estava nem à direita
Nem à esquerda e muito menos
no centro das atenções
Com inveja e com raiva de tudo
Mandou o espaço pra aquele lugar.

Edson de Vulcanis e Alexandre França

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Caixa de música

Eu preciso de uma música
Que não pare de tocar na minha cabeça
E me entristeça quando eu mandar
Com lágrimas de dormir
Persegui tantas paixões noturnas
Em muitas cenas como esta
Encarando a solidão de frente
Como quem entrega os pontos
Pois não sabe mais perder e ganha
Um pedaço de um vazio qualquer
Como um inseto em noite quente
Preenchendo o silêncio inteiro
Que os estalos de uma casa
Não conseguem preencher
Me faz cantar, compõe a letra
Da canção na minha cabeça
Para acordar toda tristeza estranha
Que for dar na minha telha
Se eu perder mais uma vez me lembre
Ou me ensina a esquecer cantando
Para que eu durma como pedra
Como pedra por cima da gente.

terça-feira, dezembro 18, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007


CANCELADA A TEMPORADA DE "UM IDIOTA DE PRESENTE"

A Cia de Teatro do Santo Guerreiro informa que por força maior a temporada do espetáculo "Um Idiota de Presente" foi cancelada. Voltaremos com a peça (já com novo texto e montagem) no ano que vem e esperamos a compreensão de todos. A Cia ainda pede desculpas a todos que já adquiriram seus ingressos (sendo que o dinheiro será devolvido na bilheteria do teatro) e agradece a todos que nos apoiaram durante todo o processo de desenvolvimento da Cia e também a todos que estão nos apoiando neste momento difícil. A todos que acompanham a Cia de perto - e nos apoiam neste momento - o nosso muito obrigado.

Atenciosamente

Cia de Teatro do Santo Guerreiro

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Um Idiota de Presente - reestréia dia 13 de dezembro (nesta quinta-feira), às 21h00- APAREÇAM

Verônica Rodrigues (Maria) e Helena Portela (Sônia) - Foto: Marcos Pratt

Sônia – então, hoje de tarde aconteceu uma coisa engraçada

Maria – sim?

Sônia– chegou uma mulher...uma destas mendigas querendo me vender umas canetas. E ela ficava repetindo: “amiga, compra uma caneta...é duas por cincão”. Mas assim, ela não parava, ficou uns dez minutos nesta: “amiga, compra uma caneta...é duas por cincão”. E eu repetindo “não, hoje não, muito obrigada”...enfim sabe o que ela me disse depois do meu último “não, hoje não”?

Maria – o que?

Sônia – “não sou mais sua amiga”.

Maria (risos contidos) que piada...(pausa) e o João?

Sônia – tá bem...

Maria – o que ele falou sobre o filho que você está esperando?

Sônia(meio constrangida) Nada

Maria (indignada) como assim nada?!

Sônia – nada, ué...ele preferiu não tocar no assunto...(pausa) depois fomos para aquele motel do centro e...e está tudo bem

Maria(irônica) não me diga que você pagou?!

___________________________________________________________________

este é um trecho da peça "Um Idiota de Presente" que conta a história de duas irmãs: Maria e Sônia que, apesar das divergências, moram juntas no centro da cidade. A primeira locomove-se por opção em uma cadeira de rodas e carrega uma vasta bagagem literária. A segunda, por sua vez, não tem tempo para ler - no máximo interpreta o horóscopo do dia - e dedica a vida para cuidar do apartamento e da irmã, além de tentar reconstruir um relacionamento falido com o ex-namorado que a abandonou grávida. "Um Idiota de Presente" reestréia amanhã, dia 13, às 21h00, no Mini Auditório do Guaíra, e vai até o dia 16. Eu conto com a presença de todos vocês - APAREÇAM e novamente levem amigos, namorada(o), mãe, pai, avô, avó, tio, tia, cachorro, papagaio...e dia 16 (domingo) às 17h00, para quem já conhece a peça, faremos uma leitura da nova versão do texto "Um Idiota de Presente - versão do dramaturgo"!


Serviço

Um Idiota de Presente
De quinta (13) a sábado (15), às 21h. Domingo (16), às 19h.
Mini Auditório do Teatro Guaíra (Rua Amintas de Barros, s/nº)

Tel.: (41) 3304-7900.
Entrada: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada).

terça-feira, dezembro 11, 2007

Play no Pó & Teias

E o poeta Ricardo Pozzo postou um poema meu ("Play") no blog Pó e Teias. Clique nesse link e confira. http://poeteias.blogspot.com/search/label/alexandre%20fran%C3%A7a%20%28convidado%29

Sobre Pó e Teias
"O grupo segue o "movimento maradigmático" idealizado pela professora e escritora Glória Kirinus, com base em Heráclito, Gaston Bachelard e Michel Maffesoli. Reuniões às 2ª-feiras, das 18 às 20 horas, no 3º andar da BPP (Rua Cândido Lopes)".

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Show no Circuito Cultural Banco do Brasil

(clique na imagem para ampliá-la)
Gente, espero a presença de todos vocês no show que farei no Museu Oscar Niemeyer às 19h30 nesta sexta. Para mim é muito importante a presença dos amigos para dar uma energia extra neste que é o show do cd "a solidão não mata, dá a idéia" mais importante deste ano. APAREÇAM e levem a namorada, o pai, a mãe, a avó, o avô, os primos, o cachorro, papagaio...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Porão Loquax - a solidão não mata, dá a idéia

E aquecendo as turbinas do show do dia 7 (sexta) pelo circuito cultural banco do brasil, farei uma apresentação no Wonka bar amanhã (terça, dia 4) dentro do projeto Porão Loquax. Novos poemas e algumas músicas do cd "a solidão não mata, dá a idéia". Apareçam.

segunda-feira, novembro 26, 2007

sexta-feira, novembro 23, 2007

Show do cd "a solidão não mata, dá a idéia" no Circuito Cultural Banco do Brasil - dia 7 de dezembro (sexta-feira) - 19:30hs - Museu Oscar Niemayer - entrada franca

Alexandre França – A Solidão Não Mata, Dá a Idéia

O show do CD “Alexandre França - a solidão não mata, dá a idéia” conta com os arranjos de Gilson Fukushima, guitarrista do Grupo Fato, e é composto pelos seguintes músicos: Davi Sartori (teclado), Luciano Madalozzo (percussão), Sérgio Albach (clarinete) e Alexandre França (violão e voz). No show, os músicos reproduzem o mesmo clima sombrio do CD (influenciado por compositores como Arrigo Barnabé e Lupicínio Rodrigues), mas com arranjos adaptados a uma estrutura mais intimista.


07 de dezembro, às 19h30h. Museu Oscar Niemeyer – Auditório Poty Lazzarotto. Classificação Indicativa: 14 anos

clique aqui e confira a programação do Circuito Cultural Banco do Brasil

quinta-feira, novembro 22, 2007

Octávio Camargo


terça-feira, novembro 20, 2007

HOJE - SHOW DO TROY NO GUAIRINHA - IMPERDÍVEL.

Clip de divulgação do show: por Helena Portela
Hoje acontece no Guairinha o show do meu amigo Troy Rossilho, que cantará, além de algumas músicas dos seus outros três cd's autorais, canções do livro+cd "A Ruga é um Rolo" (feito em parceria com o seu pai, o poeta César Rossilho). O Show acontecerá às 21:00hs e terá a participação mais do que especial de alguns dos mais importantes nomes da cena musical da cidade, tais como: Denis Mariano (percussão e bateria), Marcos Saldanha (bateria e percussão), Sandro "Guaraná" (baixo), Mazzarolo (guitarra, violão e oboé) e Davi Sartori (Piano). Além disto, o show terá a participação nos vocais (tipo, pastorinhas) das lindas e talentosas Bárbara Kirchner e Helena Portela. Imperdível. Para quem quiser adquirir com antecedência o ingresso, ligar no (41) 3315-0808.


Serviço
Show - TROY ao vivo
Local: Guairinha
Horário: 21:00hs
Ingressos: R$ 15,00 e R$7,00
à venda no local
ou
pelo disk ingresso (41) 3315-0808

segunda-feira, novembro 19, 2007

"Um Idiota de Presente" de volta no Mini Guaíra

Verônica Rodrigues e Helena Portela
Foto: Marcos Pratt
Dia 13, 14, 15 e 16 de dezembro, a Cia de Teatro do Santo Guerreiro estará de volta com a peça "Um Idiota de Presente" no Mini Auditório do Teatro Guaíra. Confira o realese do espetáculo.

A peça um “Idiota de Presente” conta a história de duas irmãs enfurnadas num apartamento no centro da cidade. Uma delas, Maria, vive em uma cadeira de rodas por opção, sempre afundada em livros, e a outra, Sônia, tem por obrigação manter a vida da irmã, pagar as contas da casa, fazer compras no supermercado e ainda por cima consertar um relacionamento com um homem que a abandonou grávida.

O conflito se dá quando Maria dá de presente à irmã um exemplar do livro “O Idiota” de Dostoievski. A partir daí, uma trama de argumentos livrescos (de fontes que vão do próprio Dostoievski a Nietzsche) é posta em cheque quando Maria tenta convencer Sônia a matar o homem que a deixou. A pergunta que se faz durante toda peça é: Sônia ou o idiota do livro teriam a capacidade de matar?

“Um Idiota de Presente” é um texto-homenagem a um dos grandes escritores do século XIX, Fiódor Dostoievski. Cheio de referências a este autor, a peça, assim como a obra do escritor russo, levanta questões morais relacionadas à culpa, ao assassinato, à morte, e também existenciais relacionadas à solidão e ao abandono. Neste caso, a discussão principal é: até que ponto, conteúdos mal interpretados podem ser nocivos ao ser humano?

“Um Idiota de Presente”

Dia 13, 14, 15 e 16 de dezembro - quinta, sexta e sábado às 21:00hs e domingo às 19:00hs

Texto e direção– Alexandre França

Elenco

Sônia – Helena Portela

Maria – Verônica Rodrigues

Cenografia e figurino – Paulo Vinícius

Iluminação – Ana Luiza Pires

Trilha – Troy Rossilho

Produção – Cia de Teatro do Santo Guerreiro

Duração – 50 minutos



quarta-feira, outubro 31, 2007

Trecho do show no Teatro Guaíra agora no youtube

A música que estou cantando neste momento é "Carvão" minha e do Edson Falcão.

Apareçam
Infelizmente, não poderei comparecer ao evento (estarei no Tim Festival), mas tenho certeza que será interessante. Apareçam.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Claudete Pereira Jorge declamando o "poema sobre a solidão".

Até me emociono em ver uma das melhores atrizes do Paraná declamando um poema meu. Este momento é mais do que especial, pois é a minha amiga Claudete Pereira Jorge no show que eu fiz no Guairinha quando lancei o cd "a solidão não mata, dá a idéia". Como eu já disse em outras ocasiões: escolho muito bem os meus amigos. Sinto até um certo orgulho em ser amigo da Claudete. Agora vocês podem começar a entender o porquê.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Imperdível - nesta quinta-feira

Lançamento de ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR, a antologia poética de LEONARD COHEN - traduzida pelo Fernando Koproski e editada pela 7 letras.

Se não bastasse o belo trabalho que o meu amigo Fernando Koproski fez com o velho Buk, agora ele nos brinda com esta bela antologia dos poemas do Cohen. Digo desta forma por ter acompanhado a via crucis que o Fernando passou pelo mestrado (que foi sobre o Cohen) até chegar nesta edição, sempre bem caprichada e bem acabada pela 7 letras (vide "esta loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém"). Enfim, é o que eu sempre digo: se não fossem estas ótimas ocasiões, como é que nós beberiamos aquelas prometidas geladas juntos?! Grande Koproski! Minha sombra já está a minha espera lá no Sal Grosso. Apareçam.

Serviço

Livro: ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR, 184 páginas (edição bilíngüe).
Autor: LEONARD COHEN
Editora: 7 Letras
Tradutor: Fernando Koproski
Lançamento:
quando? 25 de Outubro, quinta-feira, a partir das 19:30 horas
onde? Bar Sal Grosso, Largo da Ordem, 59,
(ao lado do bar do alemão) f. 3222 8286
** Preço Especial de lançamento: R$ 30,00 **
Informações:
fkoproski@yahoo.com.br


SOBRE O LIVRO:

A editora 7 Letras está lançando ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR, a 1ª antologia brasileira de poemas de LEONARD COHEN, com organização, tradução e apresentação de Fernando Koproski. Utilizando como fonte poemas selecionados de 8 livros do autor, o volume apresenta pela primeira vez em edição brasileira poemas representativos dos temas mais freqüentes da obra poética de Cohen, permitindo uma avaliação da surpreendente poesia deste autor que no Brasil é conhecido como músico e compositor.

SOBRE O AUTOR:

Leonard Cohen nasceu em Montreal, Canadá, em 1934. Estreou na poesia com Let us compare mythologies em 1956, ao que se seguiram mais nove livros de poemas e dois romances, que até hoje instigam e influenciam diferentes gerações de leitores no mundo inteiro.
Cohen foi traduzido para mais de 20 idiomas, tais como o francês, italiano, alemão, polonês, espanhol, hebraico, chinês, sueco, dinamarquês, russo, holandês, norueguês, finlandês, tcheco, turco, croata, sérvio, romeno, esloveno, bósnio, islandês e o persa.
Estreou como músico e compositor em 1967, com o álbum Songs of Leonard Cohen. Depois disso, já gravou outros dezesseis discos. Sua obra musical recebeu homenagens, tributos e regravações por parte de artistas rock e pop, tais como R.E.M., Pixies, Nick Cave and the bad seeds, Ian McCulloch, James, Lloyd Cole, John Cale, Sting, Elton John, U2, Jennifer Warnes, Judy Collins e Madeleine Peyroux.

SOBRE O TRADUTOR:

Fernando Koproski nasceu em Curitiba, em 1973. É escritor, tradutor e letrista. Publicou 8 livros de poemas, entre os quais: Manual de ver nuvens (1999), O livro de sonhos (1999), Tudo que não sei sobre o amor (2003), Como tornar-se azul em Curitiba (2004) e Pétalas, pálpebras e pressas (2004). Foi co-editor e idealizador da Kafka – edições baratas.
Como tradutor, organizou e traduziu a Antologia Poética de Charles Bukowski Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém (7 Letras, 2005). Como letrista, tem parcerias musicais gravadas por Beijo AA Força, Alexandre França e Carlos Machado. É Bacharel em Letras Inglês e Mestre em Literatura de Língua Inglesa pela UFPR.

UM POEMA DE LEONARD COHEN:

Não há traidores entre as mulheres
A própria mãe não conta ao filho
que elas não nos querem bem

Ela não será domada com conversas
A ausência é a única arma
contra o supremo arsenal de seu corpo

Ela guarda um desprezo especial
para os escravos da beleza
Ela permite que eles a vejam morrer

Perdoem-me, companheiros,
Eu canto isso apenas para aqueles
que não se importam com quem ganha a guerra

(poema incluído em Atrás das linhas inimigas de meu amor).

Fragmento da orelha por Nelson de Oliveira:

Muita gente não conhece esses poemas. Mas conhece bastante bem a voz grave, áspera e vagarosa — afinada por cinqüenta mil cigarros — desse compositor e intérprete de dezenas de canções sombrias e melancólicas. Canções já clássicas, como Famous blue raincoat, The future e Waiting for the miracle. Canções que, como certos poemas aqui reunidos, tocam o Oriente, as drogas, as portas da percepção, o corpo da mulher amada, o céu e o inferno. “Suas canções cada vez se parecem mais com orações”, afirmou Bob Dylan. Os poemas também se parecem bastante com orações.
Muita gente não conhece esses poemas, essa sinistra liturgia. Mas agora vai conhecer, graças ao cuidadoso trabalho de seleção e tradução de Fernando Koproski. O mesmo Koproski que tempos atrás selecionou e traduziu ótimos poemas do Bukowski. Ótimos poemas que muita gente não conhecia. Do mesmo Bukowski desgrenhado e amassado que torcia o nariz para o elegante e alinhado Cohen. Guarda-roupa à parte, o americano e o canadense se entendem muito bem nos terrenos baldios da lírica.
Koproski recolheu vários poemas da vidraça embaçada e os trouxe pra cá. Para o calor dos trópicos. Para as cidades do verão sem fim. Que subitamente esfriaram, acinzentaram, apagaram os olhos externos para acender os internos. A nuvem de gafanhotos do Credo desceu sobre os edifícios. A montanha de Alguns homens mudou de nome e de dono. O ouro e o marfim d’As flores que deixei no chão taparam os buracos no asfalto. As mágoas e as carruagens d’A Rainha Vitória e eu atrapalharam o trânsito.
Outros fenômenos estranhos, irônicos e eróticos estão ocorrendo. Afinal os anseios carnais e espirituais desse libertino encantador foram trazidos pra cá quase sem aviso. Como eram trazidas, há milênios, as revelações violentas dos velhos profetas.

domingo, outubro 21, 2007

uma lembrancinha de "um idiota de presente"

Para quem não assistiu a temporada no Guaíra, o trecho inicial da peça "Um Idiota de Presente". Lembrando sempre que a opinião da personagem "Maria" não reflete a minha opinião (isto mesmo, senhores "o filme Tropa de Elite é facista"). Bons tempos. Quem sabe um dia eu volte com esta peça, enfim...

Maria – Olhem para esta figura fraca, patética e impotente. Sem dúvida isto é fruto de anos de história voltada para a inserção da compaixão na cabeça do ser humano. Esta mulher tem compaixão por mim, pelo tal João e claro, como todos que não tem vontade própria, por si mesma. Olhem o exemplo de anulação da vontade, sintam o cheiro de claustro e sacristia que as palavras fúteis e bregas desta mulher exalam. Eu pergunto a todos vocês qual seria o remédio para esta doença degenerativa chamada esperança? Qual o remédio para esta ilusão cultivada há séculos por pequenos usurpadores dos desejos humanos. Eu digo e repito: a morte. A morte dela ou de outro. Nós todos temos o direito de escolher quem irá morrer: ou eu ou você. A escolha está implícita na nossa natureza. Basta consultar a si mesmo e você verá: temos este poder de matar. Olhem como ela se resigna ao nada e como sente prazer em inventar desculpas. Olhem como ela sente prazer em cultivar uma culpa que não existe. Dá onde vem isto tudo? O que a torna “melhor” do que eu? Vocês acham que estou enganada e que o matar não faz parte da nossa natureza? Quem sussurra agora mesmo em nossas cabeças a sentença de que Sônia é boa e eu sou má? Sempre quis o melhor para ela.. Eu sei que matar faz parte da luz que move todo o ser humano e que esta luz nos fará pessoas melhores. Ter o poder de julgar quem deve morrer ou não e consumir o ato é para os mais elevados, eu tenho certeza disto...mas preciso de uma prova, de um fato, de um ritual. Preciso que Sônia. Mas como? O cristianismo já tomou conta do corpo de Sônia e agora me parece algo impossível provar para ela que o paraíso é mera literatura. Como fazer com que Sônia siga a sua própria natureza? Esta é uma experiência definitiva. É preciso que as pessoas dominem o poder destrutivo existente em sua natureza para que elas possam lidar com o matar. A minha irmã não será mais uma idiota.

quarta-feira, outubro 17, 2007


Blog novo de literatura e artes. Publicaram um poema do meu livro "Mata-Borrão, Batom". Aliás, um dos poemas que eu mais gosto, "café da manhã". Entrem e fiquem à vontade.
Projeto de escrita de um novo poema

Verso um: crítica a adolescentes enturmados
Dentro de um esquema desfile da Fórum
Ou outra marca de impacto no cristal fashion
De dois mil e pouco como Alexandre Herchovich
E outras futilidades óbvias
Que façam ligar o néon da palavra “cresçam”
Falada por Nelson Rodrigues
Num canal aberto num programa que “comemora”
Alguns anos da morte de celebridades
Antiquadas
É irônico como quem está para morrer
Tende a entregar os pontos
E ao mesmo tempo
Tende a achar que o mundo
Será como ele sempre quis que fosse:
Feliz
E principalmente morto.

terça-feira, outubro 16, 2007

Apareçam

segunda-feira, outubro 15, 2007

em homenagem à Edith Piaf e ao ótimo filme sobre ela que está em cartaz nos cinemas

e não me venham falar que a cena do pai empurrando a filha para cantar no meio da praça é um clichê, por que não é. Esta é uma cena necessária quando se fala sobre o começo de carreira de uma cantora como Edith Piaf. Um começo de carreira árduo, mas nunca um clichê. Sempre uma necessidade.

domingo, outubro 14, 2007

garoa

O suor das xícaras de café
No peso da minha digitação
O choro das calhas das casas
Abandonadas
O líquido frouxo das bocas
Úmidas dos cães de guarda
Latindo
As latrinas, as pias, as toalhas
Os chuveiros chovendo
A assepsia das donzelas do batel
O mundo
Lacrimejando o tempo todo
Por todos os poros
A fala descompassada de alguém
Que soluça e chora
O gesto de adeus de alguém
Que soluça e chora
A boca seca de alguém
Que soluça e chora
O suspiro final de alguém
Que soluça e chora
A minha voz presa
No conta-gotas da lógica
Que soluça e chora

quinta-feira, outubro 11, 2007

Abertura da minha próxima peça "Final do Mês"

Tem gente que passa anos sem ser reconhecida, levando o passado estampado na cara, levando todos os dias a roupa suja dos filhos e do marido na lavanderia do bom senso. Tem gente que mata o tempo na beirada da varanda, brincando com o salto, brincando com a iminência, brincando com a precariedade. Tem também os que fumam a vida inteira escondidos da família, na esperança de que aquela gente tão próxima não descubra o poço de fragilidades e recalques a sufocar o cérebro. Tem gente que não suporta os seus próprios recalques. Tem gente que quebra todos os espelhos da casa antes de sair. Tem homem que bebe escondido da mulher, para que ela não perceba que aquela desenvoltura, aquela sensível violência é fruto de algo engarrafado numa industria onde milhares de garrafas como aquela são engarrafadas. Tem gente que prefere o tédio a uma fotografia feliz. Tem gente que prefere dormir no colo silencioso da solidão. Tem gente que prefere esquecer as contas para pagar no final do mês. Tem gente que prefere esquecer o filho na saída da escola. Tem gente que prefere fugir para qualquer lugar onde não existam pessoas queridas, entes queridos, indivíduos pelos quais você morreria. Tem gente que prefere nunca mais encontrar estas pessoas, para se livrar do restinho de responsabilidade que subsiste no final do copo. Tem gente que prefere cães a gatos. Tem gente que se vê num cão sem uma das pernas. Tem gente que vê a sua dependência na dependência deste cão. O ser humano é um animal altamente dependente. É na dependência que se encontra o desespero humano, é na dependência que se encontra a maior concentração de carne humana, é na dependência que se percebe que as coisas são mais fáceis do que se imagina. Tem gente que prefere dar um tiro na boca, a atravessar o centro de carro com o intuito de finalmente voltar para a casa.

sábado, outubro 06, 2007

Pra quem estiver em Sampa - Imperdível

sexta-feira, outubro 05, 2007

Somente funcionários

Pela saída dos funcionários
Monstros arrotando estimulantes
Ordens de tirar a roupa
Ordens de tirar a pele
A carne, a alma
Nas vagas para deficientes
Carros blindados de políticos
Fracassados e corroídos pelos vícios
Mundanos de uma zona de quinta categoria
Subsidiada pela guarda municipal
Uma festa a fantasia
Na cobertura dos prazeres mínimos
Alpinistas sociais a retorcer seus mamilos
Com o alicate da vaidade
Com o alicate da obviedade
Com o alicate da perversão
Jovens donzelas desencaixam
Suas ancas e se colocam na vitrine
Da virgindade em ponta de estoque
Luas e sóis nos salões da mendicância
Produtos de beleza para miseráveis
Nos porões da maldade classe média
Controles remotos a controlar o nosso descontrole
Estandes de tiros à nossa inveja escancarada
Empresários arrotando slogans e sendo obrigados
A mastigar novamente estes slogans
Drogas a estimular a nossa raiva
Com efeito a durar anos, milênios
Metralhadoras gargalhando sua estridente risada
Pelas ruas da cidade
Trovoadas de escopetas em nossas cabeças
Pela saída de funcionário
Pessoas perdendo a inocência
Pela esteira de produtos embalados à vácuo
Próteses penianas do tamanho de prédios
Do tamanho de arranha-céus
Bichas e putas abraçando a causa
De se ter a liberdade de ser empalado
Por uma destas próteses penianas
Ongs marcham em favor dos que são a favor
Do sexo em locais públicos
Lançamento de livros lançam páginas e mais páginas
Em branco
Em branco com manchas de vinho tinto
Em branco com manchas de algum canapé de tomate seco
Em branco com manchas de alguma doença maligna
O mundo é engolido de doze em doze horas
Pelo tédio de não se ter absolutamente
Nada a fazer diante
Da fome de pessoas
De algum país do terceiro mundo
Onde uma criança morre a cada cinco segundos
Quatro
Três
Dois
Um
Em branco com manchas de desespero real
Em branco com manchas da cor que todos procuram evitar

Na saída dos funcionários
Vestimos a roupa do tédio
E
Replicamos
Com o picador de gelo dos dentes
A palavra: felicidade.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Estou de volta

O diabo espera ser amado
Com maldades baratas
E eu com a minha carência calculada
Respiro o ar do ar condicionado
Com a ofegante pressa
Dos quase afogados dos prédios enrugados do centro
Fumando teorias em cafés da moda
Arrotando arrogância na cara fofa de egos inflados
Neste calor do inferno
Os que estão bêbados
Esperam ser amados
Roendo a unha da inconveniência
E da incompetência
Perdido na privada dos sentimentos artificiais
Dormindo no balcão do desprezo
Estou de volta
Caçando o amor
Com o arpão cego das bebidas alcoólicas
Com o flerte inconseqüente
De uma caneta bic
Arrasando casamentos no castelo do batel
Ou no clube curitibano
Criando universos em copos de plástico
Desbravando a caverna úmida
Dos cantos da Ilíada
Tomando uma última lata de cerveja quente
Aos pés da reitoria
Não, não volto com a carapuça recalcada de um centro acadêmico
De algo que tiraria a roupa e se mostraria podre
E falido
Meu panfleto é reciclado
Na máquina de moer conceitos
Dos decadentes devoradores de madrugadas inúteis
Dos postos de conveniência, altares iluminados por estações tubo
Estou de volta
Com uma foto 3X4 da cantora Maysa na carteira
Estou de volta
Com a minha fossa de fim de semana
Com o tédio violento a encurralar
Os corações adolescentes
No final da fatídica e previsível sessão da tarde
Eles esperam ser amados
Bitucas acesas na área transparente
De não-fumantes
Um bafo de ópio
Na cara de um atendente de telemarketing
Um gole de cicuta quente
Num canto higienizado do mc donald´s
Uma última declaração de amor
No jornal de domingo.

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