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Blues Curitibano
terça-feira, novembro 29, 2005
terça-feira, novembro 22, 2005
Mulheres
Há uns quatro meses, mais ou menos, eu reclamava da falta que me fazia o ato de me apaixonar por alguém. Acontece é que nestes dois últimos, apareceram umas duzentas e quarenta e cinco paixões, uma atrás da outra (sem sacanagem nenhuma na frase). Não que eu tenha tido um caso com todas elas, mas, como já é do meu feitio, me apaixonei por estas mulheres. Isto é inédito (levando em conta a quantidade), e eu só posso concluir é que no fundo eu sou um apaixonado pela mulher (apesar de ainda concordar com aquele verso do Vinicius que diz que beleza é fundamental, sendo que sou apaixonado pela mulher que possui um nível superior de beleza física - o restante, fatalmente, é amizade). Ok, depois de uma semana imerso num mar de belas pequenas, eu só poderia escrever muita poesia, certo? Lá vai então:
Todas elas
Seus seios choveram carne em meus dentes.
Seu umbigo desaparecia ao poente das pernas.
Você esquecia de você lentamente, e eu
nas termas da sua saliva me perdia
como se perde, sem querer, todas as guerras
A sua pele era a pele de todas
que amadureceram o sumo em minhas artérias,
hora era a cor da alvorada curitiboca,
hora um rubi doce nas trevas da minha boca.
Ao voltar para casa, em minhas costas
elas, rubras, me abraçavam nuas
pelo expresso vermelho, pelas ruas sem cor,
e pelos muros pichados, ironicamente
piscava a declaração otária de um amor.
Seu gosto representava o gosto de todas.
De todas que deitaram na cama de meus versos.
Na boca maldita eu lembrei seu nome,
mas aqui...
...não era o mesmo da semana passada?
terça-feira, novembro 08, 2005
Pantufas, chocolates e Bach (muito Bach).
Chega de bares esfumaçados, clima pesado, papos mórbidos e ácidos...pelo menos hoje a tarde eu descanso a alma um pouco.
Obs: hoje, as 20:00 terá o espetáculo da Melina Mulazani "Risco", no Wonka bar (que fica na Trajano Reis, perto do retrô, onde era o antigo Birinites) com texto meu, do Luiz Felipe Leprevost, entre outros...depois dos chocolates e das viagens Bachianescas, eu estarei lá (eu não consigo me controlar)!
segunda-feira, outubro 24, 2005
Ontem eu não dormi direito
Há uma goteira em minha mente,
(Olheira de ontem, de hoje e sempre)
Muito embora a cabeça não sinta
Este pente de balas usadas,
Há palavras suas em minha carne:
São linhas ocupadas,
Um constante "ligue mais tarde",
Beijos sem o abrigo de uma boca
Boca sem o preciso atalho dos dentes.
Há uma falta de fome em meu estômago,
Como se o ar fosse um tipo de sangue
Que só eu consigo devorar.
Há suor em minhas paredes cansadas de me olhar,
Há saliva nas fechaduras,
Gozo nas torneiras,
Chuva nos tapetes,
Há uma febre doente em mim
Que precisa, urgentemente,
Contagiar.
Há uma goteira em minha mente,
(Olheira de ontem, de hoje e sempre)
Muito embora a cabeça não sinta
Este pente de balas usadas,
Há palavras suas em minha carne:
São linhas ocupadas,
Um constante "ligue mais tarde",
Beijos sem o abrigo de uma boca
Boca sem o preciso atalho dos dentes.
Há uma falta de fome em meu estômago,
Como se o ar fosse um tipo de sangue
Que só eu consigo devorar.
Há suor em minhas paredes cansadas de me olhar,
Há saliva nas fechaduras,
Gozo nas torneiras,
Chuva nos tapetes,
Há uma febre doente em mim
Que precisa, urgentemente,
Contagiar.
terça-feira, outubro 18, 2005
quarta-feira, outubro 12, 2005
A apresentação foi gravada em md e fotografada, e apesar do público ter sido pequeno, as palmas foram honestas e calorosas. Uma hora de poesia e música. Uma hora mostrando trabalho nosso, para um público curitibano.
O Porão Loquax é uma iniciativa que deveria se estender para outros bares. Eu digo que desta vez, no Wonka Bar, foi maravilhoso. Está todo mundo de parabéns: eu, Koproski, Ingrid, Mário, Ieda, Samuel, Pedro, Sandrini, Diovana, Eliege, Cláudio (o bettega), Sávio, Melina (você não queria conversar comigo?), Jonko, enfim, mais uma porrada de gente...
terça-feira, outubro 11, 2005
quarta-feira, outubro 05, 2005
NEWS
Grande notícia, pelo menos para mim. O meu projeto pela fundação cultural já está inteiramente financiado e, sendo assim, começarei a gravar o meu cd de canções já no mês que vem. Parece simples, porém quem acompanhou o processo todo, sabe que foi um parto dolorido.
E, dando continuidade a turnê "Buk live at Curitiba", nesta quinta-feira às 18:00 no prédio Dom Pedro II da Reitoria, no sexto andar (sala 613), tem recital do Koproski recitando Bukowski ao som de Alexandre França. Apareçam!
terça-feira, outubro 04, 2005
segunda-feira, outubro 03, 2005
Botão de ejetar
Este botão azul em sua íris não serve mais para me ligar, você perdeu a ligação que tinha comigo, nós perdemos as coisas que nos habitavam, seu choro não lava mais a roupa suja, sua máquina de lavar mágoas queimou, agora eu não espero o abrigo da sua resignação, sua ausência é calo antigo, seus desejos não desejam como antes, nossa relação esta minada por angustias mal curadas.
A sua tristeza não tem mais a beleza de se acabar em mim.
(Imagem - Jackson Pollock - male female)
O ritmo que eu estava procurando ou "meu ritmo gêmeo"
The Simple Line (última estrofe)
Body as Body lies more than still.
The rest seems nothing and nothing is
If nothing need be. (sacada simplesmente genial)
But if need be,
Thought not divided anyway
Answers itself, thinking
All open and everything.
Dead is the mind that parted each head.
But now the secrets of the mind convene
Without pride, without pain
To any onlookers.
What they ordain alone
Cannot be known
The ordinary way of eyes and ears
But only prophesied
If an unnatural mind, refusing to divide,
Dies immediately
Of too plain beauty
Foreseen within too suddenly,
And lips break open of astonishment
Upon the living mouth and rehearse
Death, that seems a simple verse
And, of all ways to know,
Dead or alive, easiest.
Laura Riding
The Simple Line (última estrofe)
Body as Body lies more than still.
The rest seems nothing and nothing is
If nothing need be. (sacada simplesmente genial)
But if need be,
Thought not divided anyway
Answers itself, thinking
All open and everything.
Dead is the mind that parted each head.
But now the secrets of the mind convene
Without pride, without pain
To any onlookers.
What they ordain alone
Cannot be known
The ordinary way of eyes and ears
But only prophesied
If an unnatural mind, refusing to divide,
Dies immediately
Of too plain beauty
Foreseen within too suddenly,
And lips break open of astonishment
Upon the living mouth and rehearse
Death, that seems a simple verse
And, of all ways to know,
Dead or alive, easiest.
Laura Riding
sábado, outubro 01, 2005
PORÃO LOQUAX – A voz da Palavra
O Wonka Bar inicia a partir de outubro o projeto Porão Loquax – A voz da palavra, um espaço destinado à leitura de poesia, aliada às afinidades com a música, o teatro, a prosa, a dança e as artes plásticas como a performance e a fotografia. O projeto conta com infra-estrutura de palco, som e iluminação.
Num claro intuito de formação não só de público mas de leitores de poesia, o Porão Loquax (idealizado e dirigido pelo poeta Mario Domingues e por Ieda Godoy, proprietária do Wonka Bar) é um espaço permanente, (toda terça-feira, às 22h, chova chuva ou canivetes) onde poetas poderão ler seus poemas, acompanhados por músicos, fazer lançamentos e comercializar seus livros. E ao final de cada apresentação, um rápido bate-papo com o artista.
O projeto Porão Loquax deve ser visto (e lido) como um sinal de resistência: se a poesia é um gueto, agora ela tem voz, endereço e hora certa pra começar. Um pacto entre público (couvert simbólico de 1 real) e artistas: como queria Nietszche, que via a vida como uma obra de arte a ser criada, um público mais artista, um artista mais público. Em Curitiba.
Programação – Outubro de 2005
04/10: Rodrigo Garcia Lopes: poeta e tradutor. O poeta londrinense fará leituras de poemas de seu livro Visibilia, e traduções e apresentará canções de sua autoria, com o violão em punho.
11/10: Fernando Koproski: poeta e tradutor. Koproski se apresentará acompanhado do poeta Alexandre França no violão, e lerá poemas de sua autoria e traduções de poemas de Charles Bukowski.
18/10: Adalberto Muller, poeta e tradutor. Atualmente em Brasília, Muller virá a Curitiba ler poemas de seu livro Enquanto velo teu sono, e traduções do poeta Paul Celan. O convidado especial é Marcelo Sandmann, poeta e músico.
25/10: Ricardo Corona, poeta e tradutor. Corona vai mostrar uma versãosampleada de seu CD Ladrão de Fogo, contendo sonorizações de seus poemas.
Serviço:
Wonka Bar – Trajano Reis, 326 – São Francisco
Curitiba – PR
Horário: 22h
Couvert: 1,99
sexta-feira, setembro 30, 2005
O deixar pra lá
Deixar pra lá é ficar íntegro
Ser flexível não tira pedaço.
Murchar é estar cheio de sementes.
Morrer é brotar.
Ter vontade é ter.
Ter demais é cair em tentação.
Assim, não vá por quem ataca,
mas por quem sabe deixar pra lá.
Este é o modelo do mundo.
Sem brilhar, não ofusca ninguém
e todos podem se guiar por sua luz.
Sem polemizar,
sua palavra, polén, vai mais longe.
Nunca conta vantagens,
mas é o avantajado entre os homens.
E como ele deixa pra lá
ninguém disputa com ele.
A graça das próprias coisas bem feitas
lhe rende homenagens.
Lao Tse
Do "Tao - O livro" (tradução de Alberto Centurião de Carvalho, Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado)
Deixar pra lá é ficar íntegro
Ser flexível não tira pedaço.
Murchar é estar cheio de sementes.
Morrer é brotar.
Ter vontade é ter.
Ter demais é cair em tentação.
Assim, não vá por quem ataca,
mas por quem sabe deixar pra lá.
Este é o modelo do mundo.
Sem brilhar, não ofusca ninguém
e todos podem se guiar por sua luz.
Sem polemizar,
sua palavra, polén, vai mais longe.
Nunca conta vantagens,
mas é o avantajado entre os homens.
E como ele deixa pra lá
ninguém disputa com ele.
A graça das próprias coisas bem feitas
lhe rende homenagens.
Lao Tse
Do "Tao - O livro" (tradução de Alberto Centurião de Carvalho, Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado)
quinta-feira, setembro 29, 2005
Sou vampiro também.
Vou carregar você a contra gosto para todos os lugares e desgostar dos lugares que sempre gostei de estar por que lá estará você me esperando com uma cara arrasada, maquiagem borrada, com mais uma daquelas declarações cafonas, com mais uma daquelas imitações baratas, com mais um daqueles artifícios óbvios, com aquela chupada. Vou garregar você para mais longe possível, levá-la a uma morte estranha junto comigo, transformar sua chatisse em ofício, dar uma lição aos mais jovens para que passem bem longe de pessoas como você. Vou carregá-la na minha biografia já manchada, matá-la a machadadas de palavras, muito embora continue ali grudada, se sentirá estrangulada, louca e desvairada, com a vagina vazando nadas, com o corpo suando cocaína, com a vida minada e tímida, você se arrependerá mesmo morta e fria. Vou carregá-la pelas profundas chagas do inferno, entre putas e camelôs de almas, entre mágicas e mandigas negras, entre drogas ainda não experimentadas, entre lésbicas sedentas, entre o sangue coagulado, entre tudo o que arrebenta. Vou carregá-la e vou forçá-la a tudo e você vai gostar e vai lamber até a última gota do meu branco e viscoso rancor vermelho. Você vai explodir de tanto me tomar. Você também transbordará este vazio vermelho. Eu vou carregar você só para que você também sofra. De verdade, sem enfeitar nada, sem enaltecer a dor com versinhos de donzela, sem porra de riminha burguesa. Você vai sentir de verdade o que é escrever e sofrer. É chegada a hora, meu bem: sofre, porra, você também!
quarta-feira, setembro 28, 2005

Esperando ligações no dia do show (muitas coisas ainda iriam acontecer)
Fui ao show e foi maravilhoso. Realmente não era para se ter outros planos ontem. Depois fui ao Torto, eu e Ivan Justen e Edson Vulcanis, e mais três pessoas que certamente irei conhecer melhor. Tentamos compor uma música, mas quem estava animado para tal feito era mesmo o Ivan e eu. Quero anunciar neste espaço que eu já terminei a música e é um samba estilo Monsueto, bem bacana...bem o clima de ontem mesmo. Valeu Thadeu pelas apresentações (aquela do Carlos Careqa - "O Thadeu já havia me falado de você", foi demais!). É a partir destas que a gente fica sabendo quem realmente se importa e acredita na gente...ah, sobre o post anterior: eu continuo esperado o telefonema da menina. Se ela não telefonar eu vou para a biblioteca conferir a mesa sobre tradução com o Koproski e com o Ivan. É isto.
Na boca de lambuja
Driblando o romantismo
Não mantendo a compostura
O nosso amor refuta o achismo
Picota a alta costura
Rasga o pano todo
Da mesa de sinuca
Passa o rodo na cara
de remela da suja garatuja
- Vamos trocar de coração
e espirrar o que sobrar
na boca de lambuja
Ivan Justen, Alexandre França e mais um pessoal que estava lá no bar
terça-feira, setembro 27, 2005
O imperdível show de Carlos Careqa hoje às 19:30
Obs número um: hoje tem show do Carlos Careqa. Obs número dois: eu vou, por enquanto. Obs número três: talvez eu o conheça pessoalmente. Obs número quatro: o talvez da obs anterior é um talvez bem talvez mesmo. Obs número cinco: sou um fã assumido deste grande compositor. Obs número seis: se certa pessoa que estou tentando falar há uma semana me convidar para ir para outro lugar...sem dúvida o Carlos Careqa ficará para próxima. Obs número sete: como eu sei que mulher não corre atrás de homem, portanto acho que (in) felizmente eu vou ao show.
segunda-feira, setembro 26, 2005
quarta-feira, setembro 14, 2005
para quem morre de amor a cada dia
Não amo ninguém
Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir
Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dólares
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida
Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada
Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro
(Cazuza / Roberto Frejat / Ezequiel Neves)
Não amo ninguém
Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir
Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dólares
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida
Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada
Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro
(Cazuza / Roberto Frejat / Ezequiel Neves)
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