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segunda-feira, abril 30, 2012

Decidir

Tomar uma decisão
já é inventar
um novo
eu

sábado, abril 28, 2012

Trecho da peça Saliva

Eu
Eu-agora
Eu-segundo
Eu-partícula
Ventania

Mulher-casa-filho

Ventania

Soma-soma-soma

Ventania

Um raio-agora
Eu-sozinho-agora

Partícula que entra pelo nariz-partícula e subtrai a célula do segundo-ontem

Você-minuto-raio-corte-cataclisma
Um soco-azul no céu frouxo das lamentações
Um eu-caído-nada-tudo

Tempestuosidade

Família-agora
Família-ontem
Partícula-nômade

As construções inabaláveis de uma rotina

Rotina-partícula
Que derruba insetos
Que derruba a fauna
Que derruba árvores
Que move planetas-partículas
No infinito grão do velho-cosmos-novo

Entender-desentender
No entrar do coisa-alguma
Dentro do casulo semovente
Da vida-incerto-inseto
No seio-seio da origem inexistente

Olhar-piscar
o movimento lento do nascimento
Partícula-vagina
Mastigando-vomitando
O ser que fala-cala pra platéia que escuta-esquece a boca-oca de tudo aquilo que não quer real

Partícula-realmente
No cérebro-mouco
Dos ouvintes dos ouvires dos oblivions-lumes
A lava
No estrangeiro gole
De saliva

Rasgo-pai rasgo-mãe
Na casa-revista-infância
Brinquedos e cores
Lápis-lasuli-sangue
Ferimento agulha e raiva

No instante-partícula
Aprendo a esquecer
No rapto-rato de memória
Da estalagem-sombra da raspagem-manha da contagem-estranha
De ponto-partículas

A conivência-convivência
Perpendicular aos momentâneos

Não há infância
Só a ância e a hiancia dos buracos sulcos marcas esquecidas desaparecidas apagadas
Com a mão branca
Do acaso

Ela
Ela-agora
Ela-segundo
Ela-partícula
Ela-elas
A deslizar pelas células enrugadas
do passado-sonho
do desejo meu

Se por ventura eu existar
No encontro impossível
Da partícula-livre com
A partícula-controle

Se me afogar na saliva-agora
do movimento estranho
Do impossível?

Onde posso parar?

Como a água que suga
O percurso reto
Da corrente-alguma
Ando tortuosamente




Sou o próximo estranho de mim

terça-feira, março 06, 2012

Saliva - a nova peça da Dezoito Zero Um



Release - Saliva

Um homem atira em sua própria cabeça. Do furo da bala, nasce uma outra boca. E desta boca, uma outra cabeça. Saliva, a nova peça da Dezoito Zero Um – Cia de Teatro, é a tentativa de descoberta de novos universos linguísticos de significação do ser humano. Um homem tenta reconstituir o seu passado ao reconstruir a sua fala. A arquitetura de frases e expressões acompanha este processo de evolução que se dá em espirais.

O espectador se depara com uma nova concepção de sujeito. Não mais o homem íntegro, binário e dicotômico que somos acostumados a ver e conviver de acordo com o jogo social, mas sim um sujeito constituído de vários sujeitos, múltiplo, em plena complementariedade com o uno caótico e infinito da existência.

Otavio Linhares (que trabalhou nas últimas duas peças da companhia) faz este homem de múltiplas faces. Seu papel aqui é dar ao espectador ferramentas de preencher certos vazios que há entre a linguagem e o real físico de seu espectro. Seu desafio enquanto ator é: como traduzir a reconstrução da linguagem desta personagem de maneira corporal?

Um dos recursos utilizados por Otavio para responder a esta provocação do texto é a modulação e utilização de diferentes timbres e tonalidades vocais afim de compreender todo o universo em construção da personagem. A iluminação segue um caminho paralelo, ao tentar ambientar de maneira esquiza este processo.

Alexandre França, dramaturgo e diretor do espetáculo, foi buscar nos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guatarri a inspiração para a obra. “ Foi através do livro “Mil Platôs” que eu cheguei a escrita de Saliva. Gosto da idéia da obra como um agenciador, um detonador de impressões e sensações no espectador”.

Alexandre, que integra o núcleo de dramaturgia sesi-pr, fala também sobre a importância de Roberto Alvim no desenvolvimento da peça. “A teoria das dramáticas do transumano desenvolvida por Alvim através dos textos do núcleo me ajudou a compreender o caminho natural que eu estava trilhando. Saliva, junto com Grimorium (peça de Alexandre que será encenada por Alvim ainda este ano), é um dos primeiros trabalhos que eu realizo nesta direção transumana”.

SERVIÇO

SALIVA
com Otavio Linhares
texto e direção: Alexandre França
Trilha sonora: Glerm Soares
Iluminação: Erika Mitiko

Na Mostra Novos Repertórios
Festival de Curitiba - 2012
29/03 - 18h00
31/03 - 21h00
01/04 - 15h00
02/04 - 21h00

No Teatro da Caixa
Rua Conselheiro Laurindo, 280
Ingressos - R$ 20,00 inteira/ R$ 10,00 meia-entrada

terça-feira, novembro 01, 2011

APAREÇAM!

sábado, outubro 29, 2011

Mercadoramama ao vivo com participação de Karina Buhr e Luana Moura. Chega lá!

terça-feira, outubro 25, 2011

Canção inédita, minha e de Otavio Linhares - Homenagem. Dá uma olhada! Gravada no Estúdio Troy pela WTF Filmes.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Duas novas canções gravadas ao vivo no Teatro Paiol. Chega lá!

sexta-feira, setembro 30, 2011

Clipe da música Mercadoramama

sábado, setembro 24, 2011

Clipe de Mercadoramama - a partir do dia 29 de set. Aguardem.

domingo, agosto 28, 2011


terça-feira, agosto 23, 2011

APAREÇAM!

quarta-feira, agosto 17, 2011

Teaser Mínimo Contato

terça-feira, agosto 02, 2011

Apareçam!


sexta-feira, julho 22, 2011

Começa segunda que vem.

quarta-feira, julho 20, 2011

Apareçam!

sexta-feira, junho 24, 2011

Música de Apartamento na Rádio Uol. Clica lá.

http://www.radio.uol.com.br/album/alexandre-franca/musica-de-apartamento/21297?cmpid=clink-rad-al
APAREÇAM!

segunda-feira, junho 20, 2011

Sobre "a fachada e os fundos" de Edson Falcão
por Ricardo Pozzo

exercício de resenha da a fachada e os fundos


Terceiro livro do filósofo e poeta, nascido em Pitanga - PR, Edson Falcão [A Fachada e os Fundos], editado pela 1801 Cultura e Arte em 2010 nos traz a maturidade de um poeta que fala de suas raízes, como anteparo ao caos "urbefágico"! A complexidade da poesia de Falcão vem da simplicidade das metáforas a que recorre, como se o campo, a casa e seus afazeres tornassem-se símbolos do Si Mesmo, que dialeticamente dialoga com o "outro", ou a "outra paisagem" urbana, feroz, na tentativa cotidiana de resignificar-se, como no mito hebraico em que Adão dá nome a toda Criação!
É esse o exercício do arado da Consciência!
O poeta, jornalista e historiador, Jaques Brand, acervo vivo da cultura da capital paranaense, faz a apresentação do livro e nos conta as "desqualidades" de Falcão para tornar-se um poeta de "sucesso institucional" ou que se coloca "às luzes da ribalta"! Não é um alcoolista com algum beatnik na ponta da língua, não fala decibéis acima do normal, não participa de um grupo de congratulações mútuas, não tem amigos na mídia nacional, entre outros!
Não! Edson Falcão não é um poeta maldito, pelo contrário! É poeta abençoado pela lucidez das experiências da infância, pela sutileza de sua poesia que filosófa com o mais entruncado dilema - a existência!
O livro contêm ainda poemas dos livros anteriores de Edson, "As musas do canal belém", 2001 e o "O ossário de um ferreiro", 2003

Ricardo Pozzo

sábado, junho 11, 2011

Resenha que saiu no jornal Industria e Comércio sobre o livro "de doze em doze horas"

Por Isabel Furini

De doze em doze horas

Esse livro de poemas de Alexandre França (editora 1801, 2010, 120 páginas) nos convida para observar a passagem das horas com os olhos do poeta. A subjetividade nos permite ver ambientes, pessoas, a própria cidade de um ponto de vista diferente: “ à noite mergulhar no fim mudo da linguagem, /modelar ruma raça…”.

A poesia de Alexandre França é moderna e imprevisível. Foge dos moldes, dos padrões. França nos leva por caminhos desconhecidos, abre diante de nossos olhos um mundo ignorado, uma dimensão poética que seduz pela beleza e assusta pela crueldade de alguns assuntos que aborda com singularidade. Vejamos o poema Moradia:

há uma cidade

no meu travesseiro,

um estado

embaixo da cama,

um país

entre a janela e a veneziana,

um mundo

num porta-retratos.

e você,

onde mora

aqui dentro

de casa?

Márcio Mattana enfatiza: “Embora Alexandre França nos ofereça um ciclo completo de manhã, tarde e noite, há sempre uma sensação meio noturna a brotar de seus versos. A manhã se mistura à madrugada e quase tudo é vivido dentro de quartos e salas, oscilando entre o sono e a insônia: “Há sempre alguém acordado por você”.

sexta-feira, maio 27, 2011

Apareça!

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